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strange-fruit


 

 

 

"Quando o sol bater na janela do seu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só
Porque esperar se podemos começar tudo de novo
Agora mesmo
A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance
O sol nasce pra todos Só não sabe quem não quer
Quando o sol bater na janela do seu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só
Até bem pouco tempo atrás
Poderíamos mudar o mundo
Quem roubou nossa coragem ?
Tudo é dor E toda dor vem do desejo
De não sentirmos dor
Quando o sol bater na janela do seu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só"



Escrito por tekka às 12h13
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Romanceiro da Inconfidência / Cecília Meireles

“Treva da noite, Parada noite,

lanosa capa suspensa em bruma

nos ombros curvos não, não se avistam

dos altos montes os fundos leitos...

aglomerados... Mas, no horizonte

Agora, tudo do que é memória

jaz em silencio: da eternidade,

amor, inveja, referve o embate

ódio, inocência, de antigas horas,

no imenso tempo de antigos fatos,

se estão lavando... de homens antigos.

Grosso cascalho

da humana vida... E aqui ficamos

Negros orgulhos, todos contritos,

ingênua audácia, a ouvir na névoa

e fingimentos o desconforme,

e covardias submerso curso

[e covardias!] dessa torrente

vão dando voltas do purgatório...

no imenso tempo, Quais os que tombam,

- a água implacável em crime exaustos,

do tempo imenso, quais os que sobem,

rodando soltos, purificados?

com sua rude

miséria exposta...


Escrito por tekka às 11h51
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A ANUNCIATA de Antonello, criada por volta de 1477, é muito diferente da de Frangelico. As anunciações pressupõem no mínimo dois personagens, Maria e Gabriel. Antonello suprime um deles. O anjo somos nós que olhamos para Maria. É conosco que ela se relaciona. O instante poderia ser o da conturbação, mas Antonello chama sua imagem de Vergine annunciata – a notícia já foi dada, Maria sabe. Com a mão direita ela repele o anjo, nos repele. Recebeu a notícia, sabe o que significa, quer ficar só. Com a mão esquerda, fecha o manto, esconde o corpo, nos exclui. O crítico Frederico Zeri sugeriu que a Virgem de Palermo poderia ter sido acompanhada de um outro painel, agora perdido, no qual se veria o anjo; a literatura contemporânea rejeitou a hipótese. O anjo não faria sentido. Maria está irremediavelmente só, na dor que é só sua. Seu filho, ela sabe, um dia morrerá diante dela.

Aqui também existe o silêncio, mas de outro tipo. É o refluxo do ar antes do estrondo. Só de perto vemos até que ponto Maria está triste. Sua tristeza é comovente. Talvez seja a personagem mais triste da história da pintura. Antonello consegue esse efeito ao realizar a síntese improvável entre o realismo flamengo e o idealismo italiano – entre o chão e o ar. Enquanto a Virgem de Angélico tem uma beleza que é a dos anjos, a Maria de Antonello representa o tipo étnico siciliano. É uma menina de verdade, sem deixar de ser a Virgem da Anunciação. Sabemos quem é. O que há nela de humano nos permite compreendê-la.



Escrito por tekka às 09h26
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