
Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de água disfarçado; Rio de neve em fogo convertido:
Tu, que um peito abrasas escondido; Tu, que em um rosto corres desatado; Quando fogo, em cristais aprisionado; Quando cristal, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente, Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania, Como quis que aqui fosse a neve ardente, Permitiu parecesse a chama fria.
Gregório de Mattos
Escrito por tekka às 00h03
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Hilda Hilst

Foto de Hale Bryan / Darkness
Aflição de ser eu e não ser outra. Aflição de não ser, amor aquela Que muitas filhas te deu, casou donzela E à noite se prepara e se adivinha Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha Que te retém e não te desespera. (A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra E ter a face conturbada e móvel. E a um só tempo múltipla e imóvel.
Não saber se se ausenta ou se te espera. Aflição de te amar, se te comove. E sendo água, amor, querer ser terra.
Escrito por tekka às 01h35
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