A noite prematura arrebatada ao sol
volta mais uma vez a espalhar o dissídio
entre o rumor da terra e o sigilo do céu
na sombra que restaura o mistério do mundo.
A noite nasce branca e toda lua é fria.
O teu corpo respira o lascivo abandono.
O escuro reivindica os gestos desastrados
e as mãos vorazes falam pelas bocas mudas.
A vida é sonho e o mundo é trêmula folhagem.
Dentro em nós uma voz impura resplandece
e ouvi-la nos faz ver o outro lado do rio.
O silêncio se atreve a calar o que somos.
E uma aurora rebenta quando te levantas
mudada em noite branca e em fria lua pálida.