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AS MIL E UMA NOITES

para Dai, uma PESSOA
Bela, astuta, sensual; o que promete a Shahrazad
dos manuscritos árabes à diferença do que se
sabe dela de costume?
Desde que Jean Antoine Galland publicou em Paris a primeira tradução do Livro das mil e uma noites os europeus – russos e dinamarqueses inclusos –, e logo os americanos e os próprios árabes, têm-se deliciado com as histórias contadas por Shahrazad ao esposo e rei Shahriyar. A trama, com alguma variação, é bem conhecida: tendo sido traído por todas as mulheres do palácio – esposa e concubinas –, o rei Shahriyar mata as traidoras, decidindo tomar, daí por diante, uma esposa por noite e executá-la logo ao amanhecer, tarefa de verdugo, essa incumbida ao grão-vizir. Lida e instruída nos mais variados assuntos, Shahrazad – justamente a filha do vizir – voluntaria-se em casar-se com o rei, arriscando a própria vida para livrar as demais mulheres da morte a que estavam fadadas. Ela tinha um plano: depois de se entregar ao esposo, durante a noite, passaria a lhe contar histórias fantásticas recheadas de traições e mortes, mas também de paixões e loucuras, homens estúpidos e astutos, reis, sábios, comerciantes, vagabundos, gênios, seres zoomórficos, maravilhas de toda sorte que revelam sabedoria e conhecimento em história, filosofia, justiça e comportamento... Aos primeiros sinais da aurora, ela se calaria sem mais, interrompendo a narrativa. Curioso por saber o final, o rei adiaria a execução de Shahrazad até a manhã do outro dia, após ter concluído a historia interrompida na noite anterior. E nisso passariam (e de fato se passaram) muitas e muitas noites.
Esta é, basicamente, a história de Shahrazad, figura que, há anos, recebe as mais variadas atribuições do imaginário dos leitores. Para alguns, Shahrazad representa a astúcia feminina, em tudo invencível; para outros, herda a sabedoria ancestral da mulher, de um tempo em que a fêmea, espécie de deusa e sacerdotisa, regeu o destino político dos homens e os orientou moral e espiritualmente; para outros, ainda, Shahrazad é o paradigma da sensualidade feminina, envolta às malhas do mistério oriental, com suas cem possibilidades de cores, sabores e formas, todas elas acenando para o que cada um desejaria que fosse real para si.
Dito de outra maneira, na imaginação do leitor, Shahrazad ocupa o lugar do sonho, porque a cena é propícia no Livro das mil e uma noites: a noite, a cama, a insônia e a palavra que desencadeia os sucessivos episódios encaixados uns nos outros, como o sonho inserido em outro sonho, que por sua vez abre-se a outro sonho, e o sonho todo inserido no sono.
É possível, porém, condicionar a existência de Shahrazad a algum fator um pouco mais concreto. Num poema de Jorge Luis Borges, o sonho aparece como uma das quatro metáforas que sustentam as Mil e uma noites. É por isso que Shahrazad e o sonho “mileumanoiteano” estão intimamente ligados à história da gestação, gênese e dispersão do livro medieval.
o strange-fruit agradece a homenagem da semana, do blog da Sí, a ALMA DE SETIM:
http://soul-satine.zip.net/
Escrito por tekka às 22h03
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Trem das Cores

Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso
a franja na encosta cor de laranja capim rosa chá o mel desses olhos luz mel de cor ímpar o ouro ainda não bem verde da serra a prata do trem a lua e a estrela anel de turquesa os átomos todos dançam madruga reluz neblina crianças cor de romã entram no vagão o oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da manhã e a seda azul do papel que envolve a maçã as casas tão verde e rosa que vão passando ao nos ver passar os dois lados da janela e aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há azul que é pura memória de algum lugar teu cabelo preto explícito objeto castanhos lábios ou pra ser exato lábios cor de açaí e aqui, trem das cores sábios projetos: tocar na central e o céu de um azul celeste celestial

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Lenha! (Mário Pacheco)
www.dopropiobolso.com.br
leiam / lenha / leiam / lenha
Assusta a quantidade de conservadores por metro quadrado em todas as cidades. Assusta a ingenuidade da observação e o pior, todos estão indo pelo ralo. Do culto escritor a dona de casa. Por que mudou o tom da bandeira do azul para o vermelho, o daltonismo seria curado? Haveria recursos para todas as mazelas? Porra! Leia o Globo, pelo menos você aprende a pensar como a mídia pública. Ou no máximo, na próxima eleição vote no outro candidato. Tô de saco cheio de émail-denúncia, de quanto recebem as companheiras dos eleitos, da mal versação das verbas públicas, das falcatruas e por que isto não pode ocorrer dentro do PT? Afinal eles não são políticos profissionais? Agora, vamos passar mais um semestre discutindo os gastos dos cartões. E a justiça? Ela absolverá a todos por falta de provas, começando pelo Maluf, assim como aconteceu com o Najas. E a gente fica aqui falando mal do governo como se ele estivesse aí pra nós - criticar com demagogia é pecaminoso!

Escrito por tekka às 21h21
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PÁSCOA
Páscoa quer dizer passagem, como todo mundo já sabe. Mas abstraído o sentido bíblico-histórico, passagem, como quase todas as palavras, quer dizer muitas coisas. Fico com os sentidos “direito de passar”, “mudança” e seu correlato “transição”. E porque somos capazes de mudar, registro um sincero desejo de que a gente tenha sempre presentes esse direito e o significado dessa capacidade às vezes surpreendente. Que a gente tenha fé na mudança possível e que ela seja sempre para melhor. Que se cultive e se ponha freqüentemente em prática esse dom de poder transitar de um estado a outro, que faz de nós os únicos seres da fauna terráquea capazes de esperança. Boa Páscoa para nós e para o mundo.
http://www.meublog.net/adelaideamorim/
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vigília por Terri Schiavo

"Descortino o horizonte de Numância, deserto, imensurável a olho nu. Observo a vegetação rasa onde um ou outro resto de coluna se salienta, algum marco a assinalar o episódio da grande resistência aos romanos; recuando nos séculos descubro a atualidade de Numância na sua gesta épica. Resistência: não deveria ser esta a palavra de ordem universal? Resistência à agressão, à lei do lobo ou da raposa, a qualquer violência, fardada ou não"
Murilo Mendes
Escrito por tekka às 10h16
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perfeição inexcedível: CRISTO de Andrea Mantegna
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TORTURA / Luiz Turiba
Levanta-se o véu e rasga-se a túnica
Os corvos ainda bicam o que restou de ti
Uma dor cicuta que espiral perdura
... tortura ...
O teu silêncio cobrado em preço físico
O teu algoz agora também teu karma
Tua voz teu suspiro teu fantasma
Qume içou o dia e eternizou o cinza
Um Deus raivoso fez habitat às sombras
Tiras o capuz e o que vês? Abismos
Jagunços a conspirar em cadafalsos
- Ora Sebhor! Não se trata bandidos a bombons!
Meu Deus! Meu Deus! Será que vou calabar?!
Nunca serás mais o que antes eras
Se o corpo resisitiu, o espírito tem chagas
Marcado como gado a ilusão tritura
... tortura ...
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falar nisso, este QUARK de Guerra nas Estrelas te lembra alguma coisa??????

Escrito por tekka às 00h19
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O DIREITO DE MORRER
"Most studies show that patients nearing the end of their lives do not experience hunger," said Ryan Walker, a spokesman for the Hospice and Palliative Nurses Association. "Dry mouth is the most common symptom, but it easily can be alleviated."
Other medical authorities say a case like Schiavo's is more difficult to analyze because researchers don't have a complete idea of what a vegetative patient might feel. They still have basic functions controlled by the brain stem, including sleep-wake cycles, breathing and some facial expressions. But she is not consciously aware and requires total assistance.
And, at 41, her case is rare because of her age. Nursing homes are full of geriatric patients battling serious diseases only to suffer a heart attacks and wind up breathing on ventilators while their families weigh sad and limited options.
But Schiavo was 26 and outwardly healthy when she collapsed and her brain was temporarily starved of oxygen. The courts have ruled that the episode left her in a persistent vegetative state, and agreed that her husband has the right to disconnect her feeding tube.
"Often the issues hardest to decide are when young people who are otherwise living productive lives are struck down by an unforeseen event. They do not have a lot of other medical problems and can live for years without succumbing," said Elaine J. Amella, associate nursing research dean at the Medical University of South Carolina at Charlestown.
Currently, Schiavo is not known to face a life-threatening infection like pneumonia, for which the family and doctors might agree to withhold antibiotics and let nature take its course.
Without a national euthanasia policy, physicians said nutrition is the only medical intervention over which Schiavo's surrogate decision-makers can exercise any individual choice.
"In this case there really isn't any in-between," said Dr. Michael Weissman, director of the palliative care center at the Medical College of Wisconsin in Milwaukee. "Of all the things we talk about stopping in these cases, nothing more emotionally laden than feeding. Antibiotics don't mean nurturing, but feeding does."
If nutrition is denied, there is a point when death may occur even if the tube is reinserted — toxin levels are too high and the body is in too much shock. Or the patient might survive, but with additional damage to the brain, kidneys or other organs.
Ironically, when the end of life draws near, doctors say that over-hydration may pose the bigger medical problem. As the kidneys and other organs fail, fluid builds up in the lungs and the legs. This increases stress and pain, and often requires aggressive intervention.
One frequent hallmark of approaching death is the "death rattle" as patients lose the ability to cough or swallow saliva and other secretions from their throats and bronchial tubes. When they breathe, air moves over the fluids, creating turbulence.
A study by the Medical College of Wisconsin suggests that death comes about 16 hours after the rattle's onset. But patients with brain injuries and lung disease might also produce similar noises without being close to death.
Dehydration leads to kidney failure and levels of toxins and impurities rise in the bloodstream. At some point the biochemical changes in the blood become severe enough to impair the electrical system that controls the functioning of the heart. Blood pressure drops. Consciousness wanes. Respiration slows, or even stops for longer intervals.
The heart slows, then stops beating. Finally, the brain shuts down from a lack of oxygen. Death might not be immediately apparent.
In a recent New England Journal of Medicine (news - web sites) study, hospice nurses rated the deaths of terminally ill people who voluntarily stopped eating and drinking. On a scale of zero to nine, with the highest number being "a very good death," their average rating was eight.
Escrito por tekka às 00h15
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A paixão de Terri e seus pais

O jogo da vida
João Cláudio Garcia joao.garcia@correioweb.com.br
Ninguém sabe o que se passa pela cabeça de Terri Schiavo, há 15 anos vivendo em estado vegetativo na Flórida. Ela respira por conta própria, sorri às vezes, mexe os olhos, tem alguns movimentos, dorme normalmente, mas não se comunica de forma nenhuma. Para manter seu metabolismo e evitar a morte, ela é alimentada por um aparelho. Médicos que analisaram a situação não deram esperanças de recuperação para essa norte-americana de 41 anos, em contagem regressiva para morrer daqui a aproximadamente uma semana.
Não se trata de um caso comum de eutanásia, quando o paciente tem dores insuportáveis e pede para que alguém acabe com esse sofrimento. Terri não consegue pedir nada, passa dias e noites sentada no hospital. Seu guardião é o marido, Michael Schiavo, que há sete anos luta na Justiça pela morte da mulher. Segundo ele, Terri afirmou certa vez que preferia morrer a permanecer em estado vegetativo para sempre. A questão é: quem decide que uma pessoa deve continuar vivendo?
O drama de Terri revela a divisão latente na sociedade norte-americana, exemplificada pela questão do aborto ou das pesquisas com células-tronco embrionárias. Uns acreditam que, no estágio de embrião, a vida ainda não começou. Outros discordam. Uns acreditam que não deve haver intromissão de poderes e exigem respeito à decisão da Justiça da Flórida, que pediu a retirada do tubo de alimentação. São pessoas que defendem o direito à vida, mas priorizam o direito à liberdade de escolha.
Outros, como o presidente George W. Bush, acham que, em situações confusas como essa, é preciso presumir “a favor da vida”. Os pais de Terri, católicos, concordam. A conclusão é que não há consenso sobre quando a vida começa e quando pode terminar. Para Bush, evangélico praticante, a definição desses limites não pode ser prerrogativa exclusiva da Justiça terrena.
Alheia ao debate, Terri é tratada como um objeto — o aparelho de alimentação já foi desligado e reconectado duas vezes nos últimos anos. Seu destino, desta vez, parece definitivo e foge das mãos de seus pais e irmãos. Um triste fim para uma polêmica que, lamentavelmente, teve de ser decidida nos tribunais.
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http://www.newsletteroglobo.com.br/cm.php?cS=1728&cT=1051086&cN=134681&ln=http%3A%2F%2Fwww.oglobo.com.br%2Fonline%2Fmundo%2F
BUSH APROVA LEI PARA MANTER TERRI VIVA - tá: BUSH SÓ GOSTA DE MORTE POR ATACADO ....
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Escrito por tekka às 23h40
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Mare dentro - Ramón Sampedro
Mare dentro, in alto mare – dentro, senza peso nel fondo, dove si avvera il sogno: due volontà che fanno vero un desiderio nell’incontro.
Un bacio accende la vita con il fragore luminoso di una saetta, il mio corpo cambiato non è più il mio corpo, è come penetrare al centro dell’universo:
L’abbraccio più infantile, e il più puro dei baci fino a vederci trasformati in un unico desiderio
Il tuo sguardo il mio sguardo, come un’eco che va ripetendo, senza parole: più dentro, più dentro, fino al di là del tutto, attraverso il sangue e il midollo.
Però sempre mi sveglio, mentre sempre io voglio essere morto, perché io con la mia bocca resti sempre dentro la rete dei tuoi capelli.
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DIA 20 FOI DIA DO BLOGUEIRO - veja a notícia completa no blog da Meiroca, Terracina, Itália:
http://pensamentosepoesias.blog.tiscali.it/dv1895274/
Escrito por tekka às 18h02
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DIA DA ÁGUA
 
Nosso planeta tem cerca de dois terços só de água. Pela lógica, parece haver água sobrando para a população, não é? Parece um absurdo falar em crise da água?
Vamos aos fatos: 97% da água do planeta são água do mar, imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, escondidos no interior do planeta. Para o consumo de mais de seis bilhões de pessoas está disponível apenas 0,007% do total de água da Terra.
Some-se a isto o despejo de lixo e esgoto sanitário nos rios, ou ainda as indústrias que jogam água quente nos rios - o que é fatal para os peixes. A pouca água que existe fica ainda mais comprometida. Isto exige a construção de estações de tratamento de esgoto e dessalinização, por exemplo. E exige conscientização para que se evite o desperdício e a poluição, principalmente nas grandes cidades.
Com o objetivo de chamar a atenção para a questão da escassez da água e, conseqüentemente, buscar soluções para o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 1992 o Dia Mundial da Água: 22 de março.
Por conta disso, a ONU também elaborou um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água", que trata desse líquido como a seiva do nosso planeta.
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CARLOS HEITOR CONY
Mar aberto
RIO DE JANEIRO - Cena de um filme de Jacques Tati com a qual me identifico: num balneário de classe média, um executivo gordo e careca está boiando no mar, de óculos escuros para se proteger da luminosidade meridional. Um mensageiro do hotel onde o executivo está hospedado chega até a praia trazendo a extensão de um telefone -naquele tempo não havia celulares. Grita pelo homem, avisando-o que é chamada urgente de Paris. O executivo estava boiando e cochilando. Ao ouvir o aviso, vira-se e começa nadar furiosamente, mas em sentido contrário ao da praia. Despertado abruptamente, sente que é de sua obrigação fazer qualquer coisa, tomar providências. E a primeira providência que toma é partir, seja lá para onde for. Não sou executivo de nada nem freqüento balneários de alta ou de média classe. Estou um pouco acima do peso, mas não chego a ser obeso. Escassos cabelos ainda me livram da categoria de careca, aquela que serve de referência topográfica quando se quer localizar um alvo: "Ali, logo depois daquele careca...à esquerda...". Mas gosto de ficar boiando, sem fazer nada, de olhos fechados, protegendo-me não da luminosidade meridional, mas da luminosidade tropical. Quando sou convocado a alguma tarefa, faço que nem o executivo do filme de Tati: parto. Tenho desculpa para a minha preguiça. Meu avô morreu na luta, o meu pai, pobre coitado, fatigou-se na labuta, por isso nasci cansado. (Esta última frase deveria vir entre aspas, é versinho de Orestes Barbosa para um samba de Noel Rosa). Explicada a fadiga, fica difícil explicar por que tomo sempre a direção errada. Sou chamado à praia, aos telefones da humana lida, do continente me convocam para qualquer coisa que me cobram ou que me julgam capaz de fazer. No sobressalto da missão a cumprir, com boa vontade atendo ao apelo. Mas instintivamente evito a terra firme e prefiro a distância do mar aberto.

Escrito por tekka às 12h36
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MENTES SIMPLES E COMPLEXAS
O ovo não é quadrado. O coração não é retrangular. O DNA são espirais que se procuram a si mesmas num interminável balé de curvas”
A mente simples é retilínea, plana. A mente complexa é curva, elíptica. A mente simples acredita que somando dois com dois vai chegar ao quatro. A mente complexa sabe que somando dois com três pode chegar a vários resultados, até mesmo, eventualmente, ao quatro. A mente simples afirma que a linha reta é a menor distância entre dois pontos. A mente complexa sabe que o universo é curvo e que, portanto, a curva pode também ser a menor distância entre dois pontos. A mente simples acredita que o que não é branco é preto. A mente complexa sabe que existe um espectro de cores e é com essa palheta que se chega ao arco-íris. A mente simples diz furiosa: olho por olho, dente por dente. A mente complexa pondera como Gandhi, e sabe que dizendo olho por olho acabaremos todos cegos e desdentados. Lembram-se de quando dividíamos o mundo em esquerda e direita? Hitler não era de direita nem Stalin de esquerda. Hitler e Stalin eram mentes perversamente simples. A mente simples não vê matizes. É o bem contra o mal, o certo contra o errado, o Ocidente versus Oriente. O terrorista tem uma mente terrivelmente simples. O pacifista, até o pacifista, pode ter uma mente desarmadamente simples. A arte não é uma coisa simples, embora alguns a simplifiquem em receitas, objetos de consumo e marketing. Bruneleschi e Alberti, que descobriram a perspectiva no Renascimento, não tinham uma mente simples. Goya não tinha uma mente simples. Clarice não tinha uma mente simples. Nem Guimarães Rosa. Bach era simplesmente complexo. A mente complexa é a que está sempre aberta para novas dimensões. Newton percebeu dimensões novas no universo. Einstein agregou a quarta dimensão. E agora Stephen Hawking nos anuncia que há pelo menos 21 dimensões ou realidades diferentes. Olhemos a biologia: o ovo não é quadrado. O coração não é retangular. O DNA são espirais que se procuram a si mesmas num interminável balé de curvas. Olhemos as galáxias. E os ventos. E os vulcões. E as tempestades. Não são simples, não marcham em linha reta. O amor, ah!, o amor, não é, nunca foi uma coisa simples. (affonso Romano de Santana - CORREIO BRAZILEINSE de 20/03/2005
Escrito por tekka às 20h38
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“Os olhos já não podem ver coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho.” (Tom Jobim)
“O amor é um crime que não se pode realizar sem cúmplice.” (Charles Baudelaire)
"A verdadeira revolução é guiada por um grande sentimento de amor." (Che Guevara)
"Quem domina suas paixões é escravo da razão." (Cyril Connolly)
“Amor é um sentimento absurdo e magnífico, entre o mal profundo e o bem supremo.” (Denis de Rougemont)
"O maior poder de sedução é o silêncio. Ponha suas intenções à vista, mas não fale."(Doryval Caimmy)
“Enamorar não é amar.Pode se enamorar e odiar.” (Dostoievski.)
"Nos ciúmes existe mais amor-próprio do que verdadeiro amor." (Duque de La Rochefoucauld)
“A ausência diminui as pequenas paixões e aumenta as grandes, da mesma forma como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras.” (Duque François de La Rochefoucault)
"No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir" (E.Rod)
“Não há segurança no amor. Sempre arriscamos a vida.” (Elizabeth Von Armins)
''Ah, minha amiga, pode acreditar em mim, nada existe de mais diabólico do que a certeza. Não há nela nenhum lugar para o amor. Tudo o que é firme e positivo é uma negação do amor" (trecho de CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA, de Lúcio Cardoso)
“Quem se apaixonou por si ao menos tem uma vantagem:não encontrará rival.” (G. Lichetenberg)
"Não há diferença entre um sábio e um tolo quando estão apaixonados" (George Bernard Shaw)
"O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio. O amor não possui e não se deixa possuir, pois o amor basta-se a si mesmo." (Gibran Kahlil Gibran)
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"... Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."
(Clarice Lispector)

Escrito por tekka às 13h05
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Admiração
Composição: Paulinho Moska
Admiração (Paulinho Moska) Sony Music
Meus olhos, famintos, não se cansam de te acariciar Procuram sempre um novo ângulo pra te admirar E sonham mergulhar na sua boca de vulcão Provar todo o calor que há na sua erupção
Escorregar nos rios claros das margens dos teus pêlos E encontrar o ouro escondido que brilha em seus cabelos Devorar a fruta que te emprestou o cheiro E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro
Esquecer o espaço, o tempo e o viver Perder a noção do que é ter a noção do perder Se um dia eu fui alegria ao te conhecer Agora canto porque sinto a dor de não te ter
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Fá_zinha avisa que dia 20 é o DIA MUNDIAL SEM CARNE
http://protecao.zip.net
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show!!! showwwwwww!!!!!!
http://fcmx.net/vec/v.php?i=003702
Escrito por tekka às 13h02
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você vai me seguir

fotomontagem de Bob Dylan
Chico Buarque: Você vai me seguir
D G6/7/9 F#m7 Fm6/5+ Você vai me seguir aonde quer que eu vá Em C6/9 G6/B A#º Você vai me servir, você vai se curvar D G6/7/9 F#m7 Fm6/5+ Você vai resistir, mas vai se acostumar Em C6/9 G6/B A#º Você vai me agredir, você vai me adorar Am4/7 D7 G7+ Gm7 C7/9 Você vai me sorrir, você vai se enfeitar F7+ F#m7 E vem me seduzir B7 E A7 Me possuir, me infernizar D Eº F#m7 Fm6/5+ Você vai me trair, você vem me beijar Em C6/9 G3b C#7/G# C#7 Você vai me cegar e eu vou consentir F#m7 B7 Em Gm7 C7/9 Você vai conseguir enfim me apunhalar F#m7 B7/9- E7 A7 Você vai me velar, chorar, vai me cobrir D9 D9/B D9/C D9/Bb D9/A e me ninar
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Diadorim do meu amor: põe o teu pezinho em cera branca que eu rastreio a flor de tuas passadas G.S:V.
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E ela me diz que invento esse delírio; e planta-se na jarra e nasce um lírio / Jorge de Lima
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Era o dono do negócio / sem saber que havia um sócio / na firma do nosso amor / Ataúlfo Alves
Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério?
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
[ Fernando Pessoa ]
Escrito por tekka às 17h31
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Georgia On My Mind
Georgia, Georgia, the whole day through Just an old sweet song Keeps Georgia on my mind Talkin' 'bout Georgia I'm in Georgia A song of you Comes as sweet and clear as moonlight through the pines Other arms reach out to me Other eyes smile tenderly Still in peaceful dreams I see The road leads back to you Georgia, sweet Georgia, no peace I find Just an old sweet song
Escrito por tekka às 23h26
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O Dia Nacional da Poesia, não por acaso, coincide com a comemoração do nascimento do grande escritor baiano Castro Alves. Poeta do Romantismo, foi autor de belíssimas obras, como o “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”. Sua arte era movida pelo amor e pela luta por liberdade e justiça.
O que é poesia
Poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.
Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”.
Declamando ou escrevendo, fazer poesia é expressar-se de forma a combinar palavras, mexer com o seu significado, utilizar a estrutura da mensagem. Isto é a função poética.
A poesia sempre se encontra dentro de um contexto cultural e histórico. Os vários estilos poéticos, as fases de cada autor, os acontecimentos da época e tantas outras interferências muitas vezes se misturam à obra e lhe dão novos significados. |

Escrito por tekka às 22h15
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semana da POESIA

AS ESTRELAS / Cruz e Souza
Lá nas celestes regiões distantes
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.
Quantos mistérios andarão errantes
Quantas almas em busca de Quimera
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.
Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.
Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!
ABSOLUTAS ESTRELAS!
g.s:v
Escrito por tekka às 22h13
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NEGRAS NAUS NA NOITE NEGRA
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veja:
foto de Leiluka
Pela desolação do isolamento
meu, escuto passar - negras, distantes -
abandonadas a seu cego rumo,
as naus de minha noite submarina.
Sob o peso de sua dor sem vozes.
afundadas em brumas de saudade
vão, com mastros de sombra, por um vento
de tormentas antigas destroçadas.
Em regiões do amor, inacessíveis
- porquanto o olvido destruiu seus portos -
ficou sua azul tripulação de estrelas.
Acaso encontrareis, ao regressardes,
a região da aurora que perdestes,
ó naus da minha noite submarina?
J. A. Escalona
1 - em todo e qualquer barco em movimento entra água, por mais vedado que ele esteja; a não ser que o barco fique amarradinho lá no cais, a vida vai fazer com que de uma maneira ou de outra haja respingos com os quais você vai ter que conviver.
2 - as coisas se tornam mais simples, ou pelo menos explicáveis, se você consegue, nos momentos de decisão, incorporar o olhar do outro, ou seja, tentar enxergar um pouco mais além do horizonte delimitado pelo seu egoísmo, por suas limitações, até mesmo por suas paixões.
Luiz Caversan é reporter especial da Folha. Escreve para a Folha Online aos sábados
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Escrito por tekka às 08h03
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OUVIR ESTRELAS

[ Olavo Bilac ]
"Ora direis ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto A via láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora! "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las: Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Olavo Bilac

ABSOLUTAS ESTRELAS! / g.s.v.
Escrito por tekka às 23h21
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8 de Março: DIA INTERNACIONAL DA MULHER

CONTO DE FRALDAS (*)
Ela veio de Minas com a mãe. 13 anos. Grávida. 6° mês. Teve que deixar a escola e a casa. O Coronel pediu que saíssem. Embuchada, era uma afronta à dignidade da família proprietária. A mãe me contou, com voz trêmula e olhos baixos, que fazia vista grossa. Eles iam expulsar nós, então eu deixava.
A criança podia ser do Coronel ou de algum dos filhos. A menina não dizia nada. Sina. Depois do almoço tinha um sono danado. A mãe cuidava da casa e tecia uns casaquinhos. Atreveu-se a pedir aumento ao Coronel para o enxoval. Ele deu 100,00 e disse que era para as passagens.
Chegando à cidade, foram para um abrigo provisório, enquanto a mãe se colocava como doméstica. Pelo menos teriam um quartinho. A menina trouxe uma boneca de pano, resto de uma “emília” ganha há muito tempo.
No Posto de Saúde onde fazia o pré-natal, recebia drágeas de sulfato ferroso e a recomendação de se alimentar bem e repousar. Um dia foi fazer ultrassom. Ficou sabendo que era uma menina, crescendo dentro dela como uma xifópaga.
Quando saiu da maternidade, com a mãe, a criança e a ‘emília’, eram, juntas, uma linhagem de meninas sem horizonte. A enfermeira tinha sido incisiva: nos primeiros seis meses, só leite materno.
Ela continuava calada, aprendendo a cuidar de sua nova boneca, a quem dera o nome de Lorrane. A mãe ajudava a cuidar do bebê – chorava muito, mamava a noite inteira.
Com quinze dias, foi à 1ª consulta – umbigo caiu? tá tendo bastante leite? tá se alimentando direito? Ela mal balançava a cabeça.
Anotei na ficha: mãe adolescente, recém-nascido normal. Duas crianças querendo crescer. Despedi-me dela, pensando inutilmente: mais uma que dá à luz, abortando as próprias esperanças.
Sem sentir, rabisquei: “deixai toda esperança...”. Assinei a ficha, datei, arquivei.
A próxima!
(*) dá licença, Tom Zé?

o blog tá de volta, em função da data de 8 de março
veja também:
www.focando.org
www.dopropiobolso.com.br
Escrito por tekka às 15h41
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8 de março
...
Que vai ser quando crescer?
vivem perguntando em redor.
Que é ser? é ter um corpo, um
jeito, um nome? tenho os três. E
sou? Tenho de mudar quando
crescer? Usar outro nome, corpo
e jeito? Ou a gente só principia a
ser quando cresce? É terrível ser?
Dói? É bom? É triste? Ser:
pronunciado tão depressa, e
cabe tantas coisas? Repito: ser,
ser, ser. Er. R. Que vou ser quando
crescer? Sou obrigado a? Posso
escolher? Não dá para entender.
Não vou ser. Não quero ser. Vou
crescer assim mesmo. Sem ser.
Esquecer. / C.D.A.
Escrito por tekka às 15h37
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8 de Março


Vale a pena lutar!
O Dia Internacional da Mulher foi criado em homenagem a 129 operárias que morreram queimadas numa ação da polícia para conter uma manifestação numa fábrica de tecidos. Essas mulheres estavam pedindo a diminuição da jornada de trabalho de 14 para 10 horas por dia e o direito à licença-maternidade. Isso aconteceu em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
É longo o caminho das mulheres em busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional. Longo, mesmo. E, isto, vocês podem perceber clicando em "As mulheres fazem a história".
Quando pensamos que, no fim do século dezenove, na Inglaterra, mulheres sozinhas, sem marido, eram consideradas um problema social, levamos um susto. Parece mentira, não? Mas não é.
Vista como um ser esquisito, o tal probleminha social, na verdade, não passava de uma preocupação política com o mercado de trabalho. O censo inglês da época contava muito mais mulheres solteiras do que homens, ocasionando um alarme entre os detentores do poder econômico.
Chegou-se a cogitar a emigração de mulheres para as colônias - onde sobrava homem -, para que elas pudessem exercer a sua função de fêmea, que seria, segundo concepção em voga, apenas o de completar e embelezar a vida do homem e não em se preocupar com carreira ou em ganhar seu sustento.
As feministas, por sua vez, tinham uma visão bem mais prática sobre a questão. Para elas, o excedente de mulheres disputando vagas no mercado de trabalho deveria ajudar a sociedade a refletir sobre as políticas sociais que lhes fechavam a porta para o ensino superior, para o voto e para as oportunidades profissionais e de desenvolvimento do seu potencial humano.

ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor ...
Gilka Machado
Escrito por tekka às 15h36
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a grande homenageada de hoje
FERREIRA GULLAR
A cura pelo afeto
Ainda aluna de medicina, NISE DA SILVEIRA se horrorizou ao ver o professor abrir com um bisturi o corpo de uma jia e deixar à mostra, pulsando, seu pequenino coração. Saiu da sala para vomitar. Esse fato define a mulher que iria revolucionar o tratamento da esquizofrenia e pôr em questão alguns dogmas estéticos em vigor mesmo entre artistas antiacadêmicos e críticos de arte. A mesma sensibilidade à flor da pele que a fez deixar, horrorizada, a aula de anatomia a levou a se opor ao tratamento da esquizofrenia em voga na época em que se formou: o choque elétrico, o choque insulínico, o choque de colabiosol e, pior do que tudo, a lobotomia, que consistia em secionar uma parte do cérebro do paciente. Tomou-se de revolta contra tais procedimentos, negando-se a aplicá-los nos doentes a ela confiados. Foi então que o diretor do hospital, seu amigo, disse-lhe que não poderia mantê-la no emprego, a não ser em outra atividade que não envolvesse o tratamento médico. - Mas qual?, perguntou ela. - Na terapia ocupacional, respondeu-lhe o diretor. A terapia ocupacional, naquela época, consistia em pôr os internados para lavar os banheiros, varrer os quartos e arrumar as camas. Nise aceitou a proposta e, em pouco tempo, em lugar de faxina, os pacientes trabalhavam em ateliês improvisados pintando, desenhando, fazendo modelagem com argila e encadernando livros. Desses ateliês saíram alguns dos artistas mais criativos da arte brasileira, cujas obras passaram a constituir o hoje famosíssimo Museu de Imagens do Inconsciente do Centro Psiquiátrico Nacional, situado no Engenho de Dentro, no Rio. É que sua visão da doença mental diferia da aceita por seus companheiros psiquiatras. Enquanto, para estes, a loucura era um processo progressivo de degenerescência cerebral, que só se poderia retardar com a intervenção direta no cérebro, ela via de outro modo, confiando que o trabalho criativo e a expressão artística contribuiriam para dar ordem e equilíbrio ao mundo subjetivo e afetivo tumultuado pela doença. Isto, no começo, foi pura intuição, que ganhou consistência teórica graças aos ensinamentos de Jung, sua teoria do inconsciente coletivo e das mandalas como formas arquetípicas da expressão. Por isso mesmo acredito que o elemento fundamental das realizações e das concepções de Nise da Silveira era o afeto, o afeto pelo outro. Foi por não suportar o sofrimento imposto aos pacientes pelos choques que ela buscou e inventou um outro caminho, no qual, em vez de ser vítima da truculência médica, o doente se tornou sujeito criador, personalidade livre capaz de criar um universo mágico em que os problemas insolúveis arrefeciam. No final dos anos 50, eu era chefe do copidesque do "Jornal do Brasil", quando certa noite recebi um telefonema da dra. Nise. Ela pedia apoio para uma iniciativa sua que estava sendo hostilizada por outros médicos do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro. É que, tendo observado a melhora no comportamento de um internado ao conquistar o afeto de um cão que aparecera no hospital, ela decidira levar outros cães para possibilitar esse relacionamento afetivo com outros internados. De fato, eles passaram a cuidar dos animais, a brincar com eles, tornando-se mais alegres e afáveis. Alguns médicos, porém, consideraram aquilo uma ofensa à psiquiatria e à sua condição de doutores, uma vez que substituía os métodos científicos de tratamento pelo convívio com cachorros. Alguns dos cães apareceram mortos, envenenados. A publicação da notícia serviu para que parassem de matar os animais. O trabalho dela sempre gerou polêmicas. A revelação, nos ateliês de terapia ocupacional, de alguns artistas de extraordinário talento, logo exaltados por Mário Pedrosa, nunca foi um assunto pacífico. Muitos críticos e artistas de renome negavam-se a admitir que doentes mentais fossem capazes de fazer arte. Na opinião deles, as pinturas e desenhos de Emygdio de Barros, Rafael ou Fernando Diniz não passavam de criações mórbidas, sem qualquer mérito artístico. De fato, mero preconceito fundado em razões ora ideológicas ora esteticistas, que os impedia de enxergar a beleza e a expressividade daquelas obras. Tal preconceito foi, até certo ponto, atenuado com o tempo, mas é verdade também que, mesmo hoje, quando se fala de arte brasileira, esses artistas não contam e, se contam, é como um caso à parte. Deve-se dizer, a bem da verdade, que não era propósito da dra. Nise, ao realizar aquele trabalho terapêutico, produzir artistas. Na sua concepção, a linguagem não-verbal das artes plásticas possibilitava aos doentes mentais expressar vivências conflituais complexas e, graças a isso, reorganizar seu mundo subjetivo, fornecendo ao mesmo tempo ao estudioso da esquizofrenia elementos reveladores daquilo que Antonin Artaud definira como "os inumeráveis estados do ser". Comemora-se neste ano o centenário de nascimento dessa mulher, que soube ser, durante toda a vida, brava, doce e generosa.
www.museudoinconsciente.com.br

Escrito por tekka às 14h42
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in memoriam
Dorothy Stang a luta do tamanho da Amazônia Missionária desenvolve há 35 anos projetos sustentáveis nas florestas de Anapu (PA)
 Dorothy Stang, ao centro |
O trabalho de missionários na Amazônia deixa muita gente desconfiada. Na verdade, como tudo na vida, tem aqueles que trabalham para o bem, como os que trabalham para o mal. No caso da missionária Dorothy Stang, que tem 35 dos seus 74 anos dedicados ao Brasil, é um trabalho que rompeu a barreira na Vila de Sucupira, município de Anapu, região da Transamazônica, 500 km a sudoeste de Belém, para encontrar os céus. Desde 1972, unida às mulheres e agricultores da comunidade Sucupira, a religiosa Stang desenvolve projetos sustentáveis para geração de emprego e renda com a construção de uma indústria de beneficiamento de frutas, duas mini-hidrelétrica de 500KW e projeto de reflorestamento em áreas degradadas.
Os benefícios dessa sustentabilidade alcançam mais de mil famílias abandonadas pelo governo no coração da floresta amazônica. "Como os custos dos projetos atingem R$ 300 mil, pedimos ajuda ao consulado japonês no Pará e tivemos apoio da Holanda e de um projeto da Califórnia e até de Brasília", diz ela. Para o maquinário da indústria de frutas faltam R$ 75 mil.
No projeto de reflorestamento, os agricultores em Anapu estão sendo beneficiados com o Subprograma de Projetos Demonstrativos da Amazônia (PD/A). A ação prevê o consórcio de espécies frutíferas e madeireiras com o plantio de espécies ameaçadas de extinção como castanheira, mogno, cedro, jatobá e andiroba. A indústria de frutas aproveitará espécies já plantadas e o reflorestamento criará novas áreas de plantio.
A transformação das frutas em polpa terá frigorífico com 25 toneladas para o beneficiamento de culturas como banana, açaí, cupuaçu, graviola, bacuri. A idéia no futuro é o beneficiamento de laticínios. “É uma luta para usar a floresta e explorar os recursos naturais para produzir e sobreviver, com dignidade e cidadania", desabafa Dorothy.
Escrito por tekka às 14h41
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mp3 e direitos autorais
A informação digital, hoje, se propaga em TEMPO REAL e em larga escala. A cultura fundamental do meio digital é a cópia. (Prof. Ronaldo Lemos, FGV, no 5° Fórum Mundial de Porto Alegre)
www.creativecommons.org funciona como uma ponte entre criadores digitais e os direitos autorais. É um instrumento jurídico para o autor dizer à sociedade que autoriza o uso de sua obra. Em www.creative.org/extras/copyremix CC mostra sinal verde (ou amarelo) sem qualquer restrição.
Embora controversa, já há parecer jurídico de que 'copiar música ou livro para uso próprio não constitui crime'.
Onde encontrar livros virtuais:
www.gutenberg.net
www.biblio.com.br
http://prossiga.ibict.br
www.obrasraras.usp.br
No Prossiga, pode-se ter acesso às Bibliotecas Virtuais Temáticas.
Escrito por tekka às 14h41
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