“Em nossa origem, há passagens do contínuo ao descontínuo ou do descontínuo ao contínuo. Somos seres descontínuos, indivíduos que morrem isoladamente numa aventura ininteligível, mas temos a nostalgia da continuidade perdida. Não aceitamos muito bem a idéias que nos relaciona a uma dualidade de acaso, à individualidade perecível que somos. Ao mesmo tempo que temos o desejo angustiado da duração desse perecimento, temos a obsessão de uma continuidade primeira que nos une geralmente ao ser. A nostalgia de que falo nada tem a ver com o conhecimento dos dados fundamentais a que aludi. Alguém pode sofrer por não estar no mundo como uma onda perdida na multiplicidade das ondas, que ignora os desdobramentos e as fusões dos seres mais simples.”
Georges Bataille, L’Erotisme
EXPLICAÇÃO – Cecília Meireles
O pensamento é triste; o amor insuficiente;
e eu quero sempre mais do que vem nos milagres.
Deixo que a terra me sustente
guardo o resto para mais tarde.
Deus não fala comigo – e eu sei que me conhece.
A antigos ventos dei as lágrimas que tinha.
A estrela sobe, a estrela desce ...
-espero a minha própria vinda.
(Navego pela memória
sem margens.
Alguém conta a minha história
E alguém mata os personagens.)
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Falar em ÚLTIMO DIA, hoje é o último dia deste blog. Nasceu em janeiro passado, aqui fez amigos e amigas, e foi feliz. Tentou dar seu recado, depois notou que não há mais recado a dar. Não sabe como retribuir a maior recompensa que lhe foi proporcionada, das visitas de conhecidos e desconhecidos, a maioria de gente que acabou ficando “amigos para siempre”. Então, simplesmente agradece, de coração, sua única linguagem.
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“ADEUS,
que é tempo de marear! [...]
Perdi meu lenço e meu passaporte,
- senhas inúteis de ir e chegar.
Quem lembra a fala da ausência
num mundo sem correspondência?
Viajante da sorte na barca da sorte,
Sem vida nem morte...
Adeus,
que é tempo de marear!"
Cecília Meireles.
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Yone] Funda é a valeta/ veloz é o vento/ macio gato negro / vê o meu sentimento/ Forte é o leão/ calado o peixe / vem agora do silêncio / e nunca mais me deixes/ abç já saudoso, Yone
22/01/2005 13:22
[JP] O futuro não existe/Mas o presente sim/A sua presença sim/é um fato que não se omite/E a fruta estranha/é vegetal não extinto/Mesmo sumindo/Há sempre onde se encontrar...
27/01/2005 13:20
[JP] Eu poderia escrever até chegar ao número limite de comentários... Ótima tarde de sábado, Tekka, Beijos
29/01/2005 15:13
[MARtinha][www.jardimnadasecreto.com.br] É... A esperança é a última que morre. Bom fim de semana. Baci e ciao bella.
"Até hoje, os únicos exemplos de desastres simbolicamente capazes de aniquilar a humanidade eram o dilúvio, com razão chamado de universal, ou o apocalipse. Hoje, pela primeira vez, o que não passava de virtualidade, começa a ganhar realidade histórica" - Rubens Ricúpero/ FOLHA 9.1.2005
"Ler a natureza. Ler o mundo. [...] Um índio na floresta sabe ler árvores, pássaros e bichos que o cercam. [...] Não sabemos sequer decodficar as mensagens que nosso corpo envia [...] não entendemos sequer o que o vento nos diz. E, no entanto, já dizia Bob Dylan, as respostas a certas questões estão obviamente no sopro do vento." - Affonso Romano de Santana/ CORREIO DF 9.1.05
"...não há campanha ecológica nem providência humana de nenhum tipo capaz de controlar a força imprevisível da natureza." - Ferreira Gullar/ FOLHA de SP - 9.1.2005
Último Dia/ Paulinho Moska
Ahãh....
Meu amor O que você faria se só te restasse um dia? Se o mundo fosse acabar Me diz, o que você faria? ia manter sua agenda de almoço, hora, apatia? Ou esperar os seus amigos Na sua sala vazia?
Meu amor O que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar Me diz, o que você faria?
Corria prum shopping center Ou para uma academia? Pra se esquecer que não dá tempo Pro tempo que já se perdia?
Meu amor O que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar Me diz, o que você faria?
[Repete Introdução]
Andava pelado na chuva? Corria no meio da rua? Entrava de roupa no mar? Trepava sem camisinha?
Meu amor O que você faria, hein? O que você faria? Abria a porta do hospício? Trancava a da delegacia? Dinamitava o meu carro? Parava o tráfego e ria?
Meu amor O que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar Me diz, o que você faria?
Meu amor O que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar Me diz o que você faria Me diz o que você faria
Um bravo mar, ondas imensas se aproximam, é preciso correr, as ondas são uma ameaça, precisamos fugir mas antes temos de salvar alguém ou precisamos levar o que é essencial, fugimos mas a onda se aproxima cada vez mais, a sensação de perigo, de medo, acabam por nos acordar, e felizmente tudo não passou de um sonho. Porém, o sentimento da grande onda nos acompanha desde a infância. Qual de nós nunca sonhou com ondas gigantes, mares bravios, tempestades oceânicas? Muitas vezes tive esse sonhos, e ainda hoje me acordam no meio da noite, suada e com o coração batendo forte.
Talvez porque eu tenha nascido na frente do mar, na praia de Iracema, de ondas fortes que nos dias de ressaca batem contra pedras negras amontoadas em uma barragem. Sei que a força descomunal do mar nessa praia cearense decorre da velha construção de um porto, que desequilibrou as vontades marítimas. Sim, as ondas são temperamentais, verdes dançarinas com seus açoites de espuma. Para se acalmar essa entidade feminina, tantas pessoas deitam flores, barquinhos, velas, champanhes, perfumes ou fitas brancas em suas águas, na última noite de cada ano... e fazem pedidos. A bela Iracema com seus cabelos escuros e vestido salpicado de estrelas, anáguas de rendas, o mar, musa do romantismo, “a quebrar o espaço e o tempo, a quebrar num relance o círculo estreito, do finito e dos céus...”, diria Gonçalves Dias.
Será aquele mar cearense a causa dos meus pesadelos? De noite no quarto eu ouvia o rumor das ondas e perdia o sono. Diria qualquer sacerdote ou profeta ou poeta ou quem de sonhos entenda que as ondas grandes com as quais sonhamos são as forças da natureza que existem dentro de nós, e se erguem de dentro de nós e temos medo de que nos dominem. Diriam os incrédulos: ora, isto não é nada. As interpretações podem ser infinitas. Mas hoje, neste novo ano, nossos singelos pesadelos adquiriram a força de uma grande e surpreendente onda real, a onda verdadeira, o tsunami que destruiu aldeias, praias, templos, que matou, arrasou e fez todo mundo ficar apreensivo ou perplexo ou absorto ou revoltado ou tudo isso junto. O sonho ganhou a força de uma realidade. Talvez não fosse apenas um símbolo, o nosso medo infantil; talvez fosse uma lembrança antiga. Afinal, viemos do mar e de mar somos feitos.
Passei, portanto, um fim de ano triste, apesar das alegrias. Passamos de sonho para sonho, de ondas para ondas, de ano para ano novo, de esperança para nova esperança. O poeta Carlos Drummond de Andrade dizia admirar o sábio que criara a divisão do tempo em capítulos, como se inventasse a esperança. Passamos um apagador no que se foi e tudo irá se renovar e resolver no ano novo. Fizemos nossos planos e promessas na última noite: vou sonhar... E quando olharmos o mar, doravante, ainda que não saibamos mais por quê, seremos tomados por um imenso mistério.
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Artur! você estava profetizando????
Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
como ousas?
"como ousas profanar o silencioso repouso do Nada para criares esse mundo de angustias e dores?" a. shopenhauer
O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) confirmou nesta sexta-feira (7) o primeiro caso de tráfico infantil na Indonésia, depois do maremoto que aconteceu em 26 de dezembro, e deixou ao menos 100 mil pessoas mortas no país. Vários países do sul da Ásia e da costa leste da África foram atingidos pelo maremoto. Ao menos 153 mil pessoas morreram em toda a região.
"Os pesquisadores do Centro de Geodesia Espacial, que elabora em tempo real os dados mundiais telemétricos enviados por laser aos satélites, constataram que as informações registradas mostram uma modificação do eixo de rotação da Terra", afirma um comunicado da AEI.
Os cientistas italianos calculam que a modificação foi de cerca de 2 milésimos de segundo, o que corresponde a 5 cm ou 6 cm em linha reta. __________
Blogs flagram realidade do desastre na Ásia
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Uma menina taiwanesa de seis anos sobreviveu ao maremoto que atingiu a Tailândia no domingo (26), e mais oito países no sul da Ásia, ao ficar presa em um coqueiro, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira por jornais de Taiwan. _________
Jefri, um bebê de apenas um mês, foi encontrado vivo no telhado de uma casa na ilha de Nias, na Indonésia, devastada pelo maremoto de domingo (26), informou nesta sexta-feira o jornal "Indo Post". "Já estava azul e quase rígido pelo frio", afirmou um integrante da equipe de resgate da Cruz Vermelha,
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Tilly, uma menina inglesa de 10 anos, salvou a vida de cerca de 100 pessoas na ilha de Phuket, na Tailândia, graças a seu professor de geografia, que havia lhe explicado como prever um tsunami, noticia a imprensa britânica neste sábado. Ela foi batizada de o "Anjo da Praia" pelo "The Sun", jornal que publicou a história. ________
Desafiar as águas violentas do mar, vencê-las pela força do nado ou pelo engenho da navegação é tema primordial da imaginação humana. Um oceano de narrativas, em todos os tempos, trata desse desejo de ser mais forte, mais violento que o mar, de domar pela astúcia a tempestuosa água salgada. Nessa contenda, ao mar foram atribuídos dons demasiado humanos como o da força bruta, o da cólera, o da crueldade, o da traição (mar traiçoeiro).
O historiador grego Heródoto, que viveu no século 5° antes de Cristo, dá notícia dessa relação humanizada do homem com o mar. Ele conta, no 7° livro de suas "Histórias", o episódio da revolta do lendário rei persa Xerxes contra o mar, que ousou destruir uma ponte que havia ordenado erguer entre as cidades de Sesto e Abido, separadas pelo Helesponto (nome que os antigos davam ao estreito de Dardanelos, que separa a Ásia Menor da Europa e fica hoje em território turco). ________
Se estamos falando do desejo de dominar tendo o mar bravio como adversário, então o Fausto de Goethe não pode ficar de fora. No segundo livro de Fausto, o herói quer manifestar seu poder sobre o mar, quer, com o simples olhar, empurrar sua margem para longe: "Repelir da margem o mar imperioso, estreitar os limites da dura extensão e empurrá-la para bem longe sobre si mesma... Eis meu desejo".
Mas as bravatas, como vimos mais uma vez, e de forma categórica, no último domingo de 2004, não têm servido para evitar que a fúria das águas prevaleça sobre os homens sempre que for de sua vontade. A morte em massa, os corpos aos montes que o mar devolveu às praias como se fossem sargaços, afoga qualquer narrativa, humilha qualquer Fausto que diga: "Por mais violenta que seja, a onda se curva diante de qualquer colina". E põe fim à poesia.
INDICAÇÃO
O roteiro deste artigo e as traduções nele presentes foram baseados na sublime obra de Gaston Bachelard (1884-1962) "A Água e os Sonhos" (ed. Martins Fontes; Antonio de Padua Danesi, tradutor). Para quem quiser aprofundar-se no tema, proponho a leitura do capítulo 3, "O complexo de Caronte. O complexo de Ofélia" e do 8, "A água violenta".
Vinicius Mota, 31, é editor de Mundo da Folha de S.Paulo, onde trabalha há seis anos. No jornal, foi também editor de Opinião (coordenador dos editoriais) e secretário-assistente de Redação. Escreve para a Folha Online aos domingos.
Enfim o Amor é um momo, uma invenção, uma teima, um melindre, uma carranca, uma raiva, uma fineza. Uma meiguice, um afago um arrufo, e uma guerra, hoje volta, amanhã torna, hoje solda, amanhã quebra. Uma vara de esquivanças, de ciúmes vara e meia, um sim, que quer dizer não, não, que por sim se interpreta. Um queixar de mentirinha, um folgar muito deveras, um embasbacar na vista, Um falar por entre dentes, dormir a olhos alerta, que estes dizem mais dormindo, do que a língua diz discreta. Uns temores de mal pago, uns receios de uma ofensa um dizer choro contigo, choramingar nas ausências.
Ano Novo tem isso, um link permanente com a vida, a alegria, o sonho, o amor, os sentimentos e as emoções mais queridas. Não é atoa que em cada fim de ano volta o show desse inesgotável Roberto Carlos a falar de emoções vividas e por viver. Que toda mensagem traz marolas de doçura, palavras raiadas de ternura, um leve eriçar de adrenalinas que nos fazem sorrir para tudo e todos. Luz de paz nos sorrisos e tantos desejos juntos, tantas palavras de afeto podem iluminar a entrada de 2005 e ir passando de porta em porta a cada dia novo que aparecer. E pode acontecer que a gente não se esqueça do réveillon, do que nos fez sorrir e de como foi bom abraçar e beijar pessoas queridas, querer bem, ouvir vozes, ler mensagens, agitar o corpo.
E pode ser que afinal se queira fazer desse novo pedaço de tempo uma viagem nova, ver lugares diferentes desses repetidos, andar em caminhos abertos fora das trilhas já tão pisadas de sempre. O dia-a-dia vai endurecendo uma casquinha em volta das coisas que se fazem; os atos habituais, obrigatórios, repetidos, automatizados, vão tomando um lugar mais extenso e, antes que a gente se aperceba disso, engolem boa parte de nossa vida, escondem a espontaneidade, o prazer das pequenas coisas Velejar por outros mares, mesmo sem iate nem lancha. Mesmo sem sair de casa, do escritório, do carro que não foi trocado, do metrô, do ônibus nosso, quem sabe, de cada dia. Viajar descobrindo o novo, o diferente. Viajar procurando entender o que sempre consideramos desimportante ou indigno de atenção. Viajar pondo à prova nossas convicções inabaláveis, nossas certezas absolutas; questionando nossas "questões de honra". Olhar com olhos de ver as pequenas belezas que voam em asas de borboleta, em cantos fugidios de pássaros nos galhos das árvores da calçada em frente; no riso, na voz, na fragilidade das crianças; em cores e aromas que deixamos passar e podem ser uma fonte de prazer sensível. Velejar nas asas da arte, do livro que ainda não lemos, do quadro que não olhamos com atenção, da música à qual negamos a terminação mais sensível do ouvido. Velejar longe, ir ao encontro de uma liberdade que não tem limites e parece perdida porque a vida cegamente se repete, forma uma nuvem espessa, um calo – mas que se encontra logo que se fura a casca da rotina. E só aí vai o Ano ser mesmo Novo.
como o próprio R.C. diz: 'além do horizonte deve ter' ... ou Walt: 'I've been there' ... não é preciso passaporte, nem a ticket to ride - pode ser uma viagem 'em volta do próprio quarto', ou do próprio umbigo, ou zanzar nas ruas da própria cidade ou em torno de alguém, ou nas ruas do passado, ou até nas nuvens... além do horizonte deve ter ... mas não preciso ser argonauta - posso viajar nas casquinhas das nozes que sobraram, voltar à infância, quem sabe visitar as vítimas da tsunami ... tocar uma face agonizante, dar água a lábios que vão morrer -ah, I'VE BEEN THERE! beijo e admiração da Tekka