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A MERCANTILIZAÇÃO DO CORPO

 

 "Nunca na história o corpo humano foi tão amplamente (embora não universalmente) secularizado, respeitado, liberado, aperfeiçoado e apreciado. O único termo de comparação, na cultura ocidental, poderia talvez ser a atitude para com o corpo na Grécia Antiga (limitada aos homens livres do gênero masculino); mas, na verdade, as condições, meios, os valores, e os resultados são pouco comparáveis. Como casuística e como análise positiva da valorização atual do corpo humano, refiro-me, com uma lista sumária, desordenada e incompleta, aos seguintes fenômenos:

a) o reconhecimento da inviolabilidade pessoal, que vai bem além da esfera original do habeas-corpus;

b) a superação do conceito (e da aceitação) da inferioridade biológica da mulher;

c) a liberação e o controle da sexualidade e da reprodução, fenômenos que foram particularmente importantes na afirmação do direitos das mulheres;

d) o prolongamento considerável da duração média da existência, até aproximá-la do provável limite da espécie, e a busca de uma melhor qualidade de vida;

e) a possibilidade de curar muitos males 'incuráveis', de prevenir muitas doenças 'fatais' e de salvar pessoas deficientes da morte prematura"

(nota: não podemos nos esquecer de que, a par desses avanços, o corpo é hoje objeto de comércio, de esbulhamento, de abuso, e que a escravidão continua, no trabalho insalubre, na escravidão por dívida nas fazendas, nos porões dos navios que transportam costureiras e outros artesãos chineses, sem qualquer amparo trabalhista, no avanço da prostituição infantil, motivando o 'turismo sexual', principalmente no nordeste do Brasil e na Argélia, na experimentação remunerada de fármacos, na venda de sangue ou gametas)

 "Aspectos reais do 'mercado humano', fora das lendas que circulam sobre crianças seqüestradas para a retirada de órgãos, emergem – por exemplo – do Escritório Europeu de Patentes, de fornecer patentes para a produção de embriões, até mesmo da espécie humana. A falta de informação constante e orgânica torna difícil caracterizar a conexão entre os fatos, a orientações e as decisões e por sua vez convergem para delinear uma tendência precisa.

Esse déficit de documentação e de analise e está provavelmente ligado ao fato que o papel assumido hoje pelo o mercado foi esquecido ou subestimado na elaboração e no debate bioéticos. São considerados assuntos dignos de reflexão bioética os homens e as mulheres, os gametas e embriões humanos, as espécies vivas e o seu ambiente, as ciências médicas e biológicas e as profissões ligada a elas, as instituições públicas, as leis civis e penais, os comportamentos e as orientações morais. O mercado é quase sempre mantido fora da discussão.

Mesmo assim, ele tem um impacto crescente nas relações entre a ciência e a vida material nos princípios e atitudes, leis e idéias. Discutido sobre o direito a saúde no estado moderno, por exemplo, previu a possibilidade de que no século 21 o mercado substitua o estado no controle da assistência sanitária. Talvez se possa evitar isso, mas na realidade já está acontecendo: na área da saúde o mercado prevalece sobre as instâncias morais e toma decisões que durante o século 20 foram assumidas por via democrática e com base no interesse comum.

As doenças do corpo humano tornam – se uma fonte de lucro e a sua imagem ( em particular a do corpo feminino) veículo para vender qualquer tipo de mercadoria. Ainda mais relevante no aspecto moral: as partes isoladas e componentes, as peças de "reposição" do corpo e suas funções, com a gestação, foram levadas ao mercado. Isso está relacionado à possibilidade, antes inexistente, de usar as parte separada do corpo humano para combater doenças, remediar a esterilidade, substituir os órgãos e os tecido deteriorados. O fato novo é que, junto à destinação benéfica desses 'materiais' deu – se paralelamente a sua transformação em mercadorias."

Berlinguer, Giovanni: Bioética cotidiana

Editora UNB, Brasília, 2004


OLIMPÍADA OU OLIMPÍADAS?? a DAD, do CORREIO BRAZILIENSE,  explica a leitor incomodado se  deveria ser "OLIMPÍADA - o conjunto de jogos olímpicos" - "houve tempo em que Olimpíada (no singular) designava o espetáculo esportivo criado pelos gregos. O plural indicava mais de uma competição. Os dicionários Houaiss e Caldas Aulete só registram essa forma. Mas o Aurélio abriu as porteiras. Abonou Olimpíadas com o significado de Olimpíada".

a propósito, veja o clip do link   http://www.infonegocio.com/xeron/bruno/olympics.html  >>>> enviado pela amiga SIMONE (grata, Si!)


minha vida é um   
Google
        aberto - falou, Paulão!


Melhores sites para criar rádios pessoais:

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www.uol.com.br/radiouol

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 site da hora (dalila.goes@correioweb.com.br)>>>> http://certasmusicas.digi.com.br,  com o melhor da música erudita, do jazz e blues.



Escrito por tekka às 01h10
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uma rosa é uma rosa

 

uma rosa é uma rosa é uma rosa, mas a ROSA é a ROSA!

dia 28/6  é aniversário da Rosa, minha amiga - ela nasceu em Minas, mas tem um pé na França - assim, a trilha sonora vai ser de músicas francesas, variando ao longo do dia, em homenagem a essa querida amiga!

a rosa não tem por quê

floresce porque floresce

não se ocupa consigo

não indaga se é amada

(Angelus Silesius)

 

Eu deixo aroma até nos meus espinhos / ao longe o vento vai falando em mim

(Cecília Meireles)

 

sabereis que ela mesma não se atreve

a fazer de seus dons grandes alardes

pois o vasto esplendor de seu veludo

e as jóias de seu múltiplo diadema

não lhe pertencem: a razão suprema

de assim brilhar formosamente em tudo

é prolongar na vida o sonho mudo

da roseira - de que é fortuito emblema.

Cecília Meireles

 



Escrito por tekka às 01h55
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onde vive a Rosa?

num lugar imaginário, chamado

Caverna do AMOR -  Em parte natural, em parte construída, situa-se numa região, montanhosa e remota da Cornualha, Inglaterra.

Trata-se de uma gruta redonda cortada na pedra branca e lisa, iluminada por três pequenas janelas no alto das paredes. O teto alto e arquea­do foi transformado numa cúpula bem-propor­cionada. Na pedra da abóbada, o visitante pode ver uma coroa adornada de ouro e pedras precio­sas. O chão da caverna é  verde co­mo a relva. Em seu centro, há uma cama eleva­da esculpida em cristal de rocha. Uma inscrição declara que a caverna é dedicada à deusa do amor. A porta é de bronze, presa por duas grandes bar­ras, uma de cedro, a outra de marfim, e só pode ser aberta por dentro.

 

Desconhece-se o nome do arquiteto que trans­formou a gruta natural, mas o significado do pro­jeto foi interpretado pelos historiadores. A caver­na é redonda para simbolizar a simplicidade do amor; não  há cantos e ângulos onde a traição e a esperteza possam se esconder. Sua largura signi­fica o poder do amor e sua altura, a aspiração do amor a virtude, e simbolizada pela pedra da abó­bada. As paredes brancas e o chão verde represen­tam a integridade e a constância respectivamen­te, enquanto a translucidez da cama de cristal expressa a transparência do amor. A porta não pode ser aberta de fora porque o verdadeiro amor sabe que a porta do amor não deve ser forçada.

 

Por fim, as três janelas simbolizam as virtudes do amor: bondade, humildade e geração.

Dois dos mais famosos visitantes da caverna foram Tristão e Isolda, que ali ficaram depois que foram expulsos da corte do reino de Cornualha pelo ciúme do esposo de Isolda.

 

(Gottfried von Strassburg, Tristão, sec. XIII)


 

 

Síntese da felicidade... De Rose para Rosa:


Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

 

 



Escrito por tekka às 01h43
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cancerianos ...

Os cancerianos nem sempre são o que parecem.
Por fora apresentam uma armadura intransponível e por dentro são bons e atenciosos. É interessante observar o uso que o canceriano faz desta armadura. Ao ser desafiado, ele imediatamente faz surgir um forte sistema psicológico de defesa. Às vezes, assume uma linha dura, manifestando um elemento quase agressivo, mas é uma agressão diretamente associada à autodefesa ou à defesa de sua família.
Quando se conhece mais intimamente o nativo de Câncer, descobre-se a criatura maravilhosa, suave e sensível que existe dentro da armadura. 
No amor os cancerianos são aparentemente rabugentos, mas no fundo são muito sensuais e românticos. Podem reagir exageradamente a pequenas ofensas e são capazes de ferir os outros. De uma maneira geral são bons e dedicados para com a pessoa amada.
A família é o seu bem maior. São excelentes pais e muito preocupados em soltar seus filhos para a vida, motivo esse que lhes causa um certo sofrimento e apreensão. São sentimentais e muito nostálgicos, têm excelente memória e uma imaginação fantástica. As crianças desse signo são iguais ao pais nesse sentido.
Os cancerianos são extremamente sensíveis e até irascíveis, mas a motivação psicológica que existe na personalidade, de cuidar e proteger, logo começa a encontrar formas de expressão, principalmente em relação aos membros mais jovens da família ou aos animais domésticos.
A parte sensível dos nativos de Câncer é o peito e o forte caráter materno do signo é enfatizado pela associação com o seio da mulher.
A preocupação em excesso que os cancerianos têm com as pessoas a quem amam e aos negócios é motivo de atenção com relação a sua saúde.
Os cancerianos devem ser estimulados pelas família e amigos a seguirem seus instintos e sua intuição, acalmando assim sua apreensão com relação a qualquer problema, no caso de estarem preocupados com algum, pois essas qualidades são poderosas e pode-se confiar nelas para ajudar a resolver os obstáculos e achar soluções.

Fonte: http://www.unisite.com.br/horoscopo/cancer.shtml

Uma homenagem aos nativos desse signo maravilhoso!!! (by Sofia Gaarder, que é canceriana também, juntamente com a Rosa e a Dani)

http://www.sofiagaarder.blog.uol.com.br


Nota sobre NAVEGAR É PRECISO: forma portuguesa de uma frase atribuída por Plutarco ao general e cônsul romano Pompeu que, ao voltar de uma expedição à África, foi apanhado por uma tempestade. Seus comandantes queriam retornar, quando Pompeu lhes disse a frase que ficaria famosa. As cidades alemãs do Báltico que se tornaram livres e formaram afamosa Liga Hanseática, adotaram a frase como divisa: "navigare necesse est, vivere non est necesse". Muitas pessoas, por desonhecimento, a atribuem a Fernando Pessoa, que apenas a citou, como antes dele já fizera o poeta italiano Gabrielle d'Annunzio, num de seus livros da série "Laudes". - Dicionário de Provérbios e Citações, de Raymundo de magalhães Jr.

O verbo em latim significa "é necessário" - entre nós, o "preciso" faz um interessante jogo de palavras: viver é IMPRECISO, não se sabe o que o destino nos reserva, enquanto navegar é PRECISO, exato, previsível ...


Rosa: Jussara manda este "horóscopo das flores" para você

 

VIOLETA
(de 24/6 a 11/7)

É a flor da modéstia. Quem nasce neste período, está sempre realizando grandes ações, sem esperar nada em troca. Carrega consigo sensibilidade, timidez e tenacidade. É aquela pessoa que encontra o equilíbrio entre os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria. O verdadeiro papel da Violeta é o da mediação. Os seres marcados por esse signo também gozam de tranqüilidade e paz espiritual.



Escrito por tekka às 21h41
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CHICO REI

 

 

 

(Ricardo Cravo Albin)

 

Conheço Chico não é de hoje, mas dos verdes 20 anos, apresentando que me foi pelo Franco Paulino. Nesses 40 anos, Chico só fez crescer. E se instalou pra sempre no afeto do Brasil.

A excelência lírica de Chico era tão inédita, ainda mais no cenário dos anos 70, que o público, e até mesmo a censura foram ludibriados, a princípio. Chico, provavelmente até mesmo por índole lírica, não se dedicaria ao verso propositalmente despido e ríspido da canção de protesto costumeira, mas criaria imagens militantes em que, por exemplo, o carnaval, a malandragem e até a sensualidade telúrica, brotando da terra, do mar, sabe-se lá de que entranhas, opunham-se (mesmo quando não a citava) à repressão política e à ditadura sobre o espírito. Enfim, ele cantou a alegria e a beleza, deixando para a ditadura a invenção da tristeza e do obscurantismo e isso o regime não perdoou.

Ocorria que, se havia generais que não gostavam do Chico, as filhas dos generais e o público o amavam. Chico foi um emblema da resistência, uma esperança, confiante e reafirmada, no Vai Passar, que não só alentava quem lutava contra o regime como não deixava os que estavam instalados no poder se convencerem de que haviam triunfado definitivamente. E, se com o fim da ditadura, muitos também quiseram prever o fim da popularidade de Chico Buarque, prevaleceu sua verve estética, ressaltou-se o cronista atento, o compositor que travestia em várias almas expressas na canção, valei o homem encantado pela palavra e por seu idioma, pelos muito rostos, raças e manhas de seu povo. E pela nossa musica.

Chico Buarque esteve sempre engajado das melhores causas populares e democráticas, coerente do início até hoje e essa sua coragem conquistou, dos que já se fascinavam por sua música, também a admiração. Não é à toa que a Estação Primeira de Mangueira ganhou o Carnaval de 1998 com o samba-enredo Chico Buarque da Mangueira. A emoção, a consagração das arquibancadas, foi nada mais do que o retrato do que Chico representa não apenas para a música, mas como patrimônio do novo brasileiro.

Pois foi Tom quem ajudou a aproximar Chico Buarque da Mangueira. Ajudou? Nem, tanto, porque Chico só podia mesmo ter sido mangueira desde criancinha. Filho de Sérgio B. Holanda, a quem eu vi beijar a mão do pioneiro Ismael Silva em pleno palco, Chico não poderia mesmo negar fogo – nem amor - ao plantel do samba como de Cartola, Saturnino, Nelson Cavaquinho, Zé com Fome e Carlos Cachaça.

 


 (Luis Pimentel)

 

Chico nos vinga. Faz as canções que gostaríamos de fazer, escreve os livros que gostaríamos de escrever (todos, não. Mas Fazenda Modelo e Budapeste me deixaram morrendo de inveja), tem o charme e os olhos que gostaríamos de ter, quando veste sua alma com as idiossincrasias femininas diz coisas que adoraríamos ouvir de algumas mulheres e, dizem alguns,  ainda joga futebol que bem gostaríamos de ver no nosso time.

É assim, há 40 anos. Desde o Pedro Pedreiro que esperava o trem que não vinha, em certo 1964 cujos trens traziam o que havia de pior, que Chico nos vingava com o domínio mais puro e perfeito da poesia que nos parecia perdida. Depois nos vingou com suas provocações sutis e inteligentíssimas ao regime militar que a todos nós oprimia. Não tínhamos voz nem talento para o enfrentamento; Chico tinha. Estávamos todos ali, com ele, por meio dele, também repetindo que o pior ia passas e que amanhã seria outro dia. E parece que Chico nos ouvia. Pois a cada dia compunha mais, duelava mais, nos representava mais e melhor, nos enchia de brios e de esperanças.

Chico Buarque de Holanda, o menino da Maninha, que lembrava da jaqueira e ajudou a varrer tanta erva daninha chega aos 60 anos nesta 19 de Junho, cultivando o sorriso que é quase grife – não se vê uma sombra de ódio nem revanchismo em seu olhar -  e o talento que impressiona a cada investida artística. Segue nos vingando. Tive a felicidade de entrevistá-lo durante quatro horas, juntamente com os demais editores e colaboradores da revista Bundas, no dia de seu aniversário de 56 anos, em 2000. Luiz Inácio Lula da Silva era apenas um contumaz perdedor de eleições, o Brasil vivia um interminável e cínico império tucano, e Chico já apontava para o que esperava (esperamos) que um governo socialmente comprometido deve fazer:

-Não é possível que não se possa dar escola, sapato no pé, comida, hospital, atendimento básico, que não se possa fazer no Brasil algo parecido com o que se faz em Cuba, que é um país tão pobre.

Vingou-nos  pela inteligência e também pela simplicidade. Diante da pergunta de um dos tietes-entrevistadores (não há quem não se sinta tiete ao seu lado), “como você se sente, sendo o Chico Buarque”?, a resposta desconcertante: - "Tenho mais em que pensar"

 

(matérias do PASQUIM_21 de 19.06.2004 - nº 116)

 


 



Escrito por tekka às 18h46
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ESQUINAS DE BRASILIA

olha só o que está rolando aqui:

Cláudia Jaguaribe: Caraminholas - videoinstalação / Kazuo Ohno: fotos - Galeria da Caixa / Jacques Lartigue: Caixa / Vik Muniz - Retratos de Revista e Walter Carvalho: Galeria ECCO / Cenas Insanas, incluindo O Rinoceronte de Ionesco, A velha história de Mário Quintana + A cigarra e a formiga de Millôr Fernandes, Teatro Oficina do Perdiz/ As Noivas de Nelson Rodrigues, com Carmen Moretzsohn e Dora Wainer, no Teatro da Caixa / Cláudia Ohana lê As 30 Melhores Cartas de Amor, no CCBB / no cinema fora do circuito, Encontro com o cinema de Silvio Back, e Mostra do Cinema Europeu, no Cine Brasília / TODA A MAGIA DO P & B: Coleção Pirelli_MASP, Fotofest, Douce France, Sudarium,  reportagens de Alexandre O'Neill, Retratos de Rodolpho Lindeman / exposição de EUGEN BAVCAR - "o que é preferível, o verbo ou a imagem?" na Galeria Guimarães Rosa, Ministério da Cultura - Eugen Bavcar é o  fotógrafo esloveno cego, que deu impressionante depoimento sobre sua arte no filme JANELA DA ALMA: www.zinecultural.com.br/. ../expo-bavcar.jpg
 etc etc etc ...

Reportagem sobre a fotografia: PRETO no BRANCO, caderno PENSAR - " a ausência de outras cores torna a imagem elegante e nos transporta a outra realidade, mágica e sem distorções" ...Nahima Maciel vê a foto p&b como "a mais fenomenal de todas as técnicas; é de qualidade absurda, peculiar"... "tenho a impressão que está buscando a aura perdida de Walter Benjamin - com a proliferação e massificação da imagem, a gente foi perdendo um pouco a eficiência". Reporta-se ao daguerreótipo, pelo qual "o homem pôde visualizar a representação fotográfica do mundo pela primeira vez: num espelho em preto-e-branco".

 


aniversário do Kiko: parabéns do Pablo, da Taiana, da Raíssa e do Juan & Cia...


 

 

   roda viva

Chico Buarque's Songteksten

Nederlands bijdrage aan de Brazilliaanse cultuur: Chico's achternaam. Met dank aan Prins Maurits.
Deze verzameling teksten werd uitgetikt door
Nivaldo Nunes de Medeiro Junior en Vanderlei Horita, waarvoor dank. Chico's discografie is te vinden bij Isabel Cruz. Ikzelf heb deze teksten alleen maar in een frame gezet, het achtergrondplaatje opgesnord, en vermaak me hier nu met cascading stylesheets. (282 fichiers, ça trompe énormement) Vooralsnog word ik knap gestoord van de verschillen in Netscape en Msie 4.0, waarbij de laatste beduidend soepeler is.

NOVELA BOA É NOVELA COM MUITOS DELITOS: TODOS os personagens da novela que acabou cometeram algum tipo de infração ao Código Penal - homicídio, tentativa de homicídio, assédio sexual, assédio moral, injúria, calúnia, difamação, falso testemunho, corrupção ativa, extorsão, violação de domicílio (várias vezes), apropriação indébita, roubo, dolo, plágio, espionagem comercial, violação de correspondência, sabotagem, falsificação de documentos, sequestro, tráfico de drogas, favorecimento sexual, TODOS, inclusive a "turma do bem" - Maria Clara, a protagonista do "lado bom",  cometeu crime de lesão corporal grave. Tudo  culminando com "omissão de socorro" à "vilã", sangrando aos borbotões, mas com tempo e fôlego para "confessar" os motivos do "crime principal". Segundo o psicólogo Luiz Eduardo Figueiredo, "a mídia prefere trabalhar com a diversidade da sobrevivência do que com os aspectos normais da realidade". A coisa funciona assim: ao aprender como se engana, você passa a se defender melhor de situações em que possa ser enganado, e continua enganando sempre".

Moral da história >>> que moral??? mas, WHO CARES??


(ver reportagem no CORREIO 25.6.04 - ontem)



Escrito por tekka às 13h05
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'Stamos em pleno mar ...

                        

 

dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar, eu quero ser o primeiro a saudar Yemanjá ...

 

 

Tem gente que tem arquiinimigos. Pois eu tenho um ARQUI_AMIGO virtual e virtuoso, dono de aBarca, que singra águas doces e salgadas, daqui ou dos 7 mares.  Descendendo de Dom Henriques, o Navegador, nasceu marinheiro-só. Estudou na Escola de Sagres. Logo se viu capitão-de-corveta, hoje leva vida de almirante. Tem vários veleiros, mas também encara canoas e barcaças, e ate "gaiolas" pra conferir o "Velho Chico".  De grande calado, sabe que viver é impreciso, então prefere  navegar. Seu primeiro brinquedo foi um astrolábio . Lê as cartas celestes como a palma da mão, sempre sabe em que pé o vento está. Seu olhar está sempre perdido no horizonte. A pele é curtida de sol e sal. Ajudou a renomear o Cabo das Tormentas para Cabo da Boa Esperança.  Já se mandou amarrar ao mastro, feito Ulisses, para não cair no canto das sereias.

Conhece Castro Alves de cor, de quem admira as metáforas e prosopopéias (antes que me esqueça, é exímio professor de Português).  Acha que as conchas ainda servem como dinheiro ou meio de troca. Visita bancos mas só de corais e gosta de ver tubarões "in loco", com seu traje de escafandrista. Dizem que já esteve no Yellow Submarine. Vive rodeado de areia branca, de areia branca, de areia branca ... Seu principal meio de comunicação com os amigos são garrafas ao mar; ultimamente tem usado Código Morse (alguns juram que vem usando emails).

Sua ópera predileta é O NAVIO FANTASMA; seus livros de cabeceira são MAR ABSOLUTO, de Cecília Meireles, e ESPUMAS FLUTUANTES. Seu talismã são estrelas-do-mar. Coleciona cavalos-marinhos. Só toma vinho do Porto, cidade que visita  frequentemente, para ver o "jardim à beira-mar plantado". Seus pratos prediletos são mariscos, crustáceos e badejo ao forno.

Quando quer atracar, inventa um cais ...

 seu endereço: www.arquimimo.pro.br

(...) porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma
dos homens. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas
profundezas são tranqüilos e escuros como os sofrimentos dos
homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: sua
eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar
eternidade....
 
Guimarães Rosa
 
 mais uma vez, obrigada, Mariléa!!! 

e obrigada à Tati_artes, que envia o link http://www.thousandimages.com/foto.asp?idautor=532&idfoto=24 , com o título NAVEGAR e outras fotos belíssimas ...
 

respostas e agradecimentos aos pitacos abaixo >>>>>>>



Escrito por tekka às 20h21
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O lugar imaginário do ARQUIMIMO  é a Ilha do DIA ANTERIOR,  assim chamada porque os visitantes não conseguem fixar um ponto no espaço a partir do qual o tempo possa ser medido, o que torna impossível inscrevê-la no presente. Quem pretenda visitá-la deve saber que não poderá desembarcar na própria ilha, tendo de contentar-se em observá-la de um barco plenamente aprovisionado, a Daphne, ancorado em sua baía. Ao olho não treinado, a ilha parece pálida, seu pico envolto num pedaço de lã, pois as ilhas oceânicas retêm a umidade dos ventos alísios e a condensam em lufadas nebulosas. Essas nuvens não se parecem com os arranjos harmoniosos da natureza, como neve ou cristal, mas com as volutas que os arquitetos impõem aos domos, capitéis e colunas.
O colorido das frutas e plantas - visível através de um telescópio ou de binóculos - tem significações opostas as do mundo ocidental. O branco  de certa fruta garante doçura intensa, enquanto frutas mais avermelhadas podem secretar poções letais. As árvores são estranhas e perigosas, como, por exemplo, uma de tronco esteliforme que tem pontas afiadas como lâminas. No centro da ilha, tentadora em suas nuanças delicadas, encontra-se a Árvore do Esquecimento. Seu fruto, se comido, concede ao viajante finalmente a paz.

Os pássaros também são diferentes dos encontrados na Europa. Seus cantos são parecidos com a música de uma orquestra complexa: assobios, gorgolejos, estalidos, resmungos, cacarejos, lamúrias, tiros de mosquete abafados, escalas cromáticas inteiras de bicadas. Embora encontrada na ilha, a Pomba de Chama, ave cor de laranja, e originária da ilha Salomão, porque no Cântico daquele grande rei falava-se de uma pomba que se ergue como a aurora, fúlgida como a sol, com as asas revestidas de prata e as penas com os reflexos do ouro. Mais comuns são as raposas voadoras, os porcos, cobras não venenosas e inumeráveis lagartos. Contudo, parece que nessa ilha cada forma de vida foi criada não por um arquiteto ou por um escultor, mas sim por um ourives: os pássaros são cristais coloridos, são pequenos os animais do bosque, achatados e quase transparentes são os peixes.

Nas águas da ilha há curiosas enguias de duas cabeças - uma delas, observaram os cientistas, tem, na verdade, uma cauda adornada para assustar inimigos e peixes-diabo com olhos amarelos, bocas túmidas e dentes como unhas. Nos corais vivem tartarugas, caranguejos e ostras de todas as formas, grandes como cestos, panelas e travessas.

O viajante deve estar consciente de que a ilha que vê talvez não seja a mesma que outros vêem, pois a paisagem parece espelhar a experiência do mundo de cada visitante.

(lugar imaginado por Umberto Ecco em "La isola del giorno primo", Milano, 1994, ou A ILHA DO DIA ANTERIOR, trad. de Marco Lucchesi, RJ, 1995))

 

 


Valei-me, Santo Isidoro,

diante das teclas por ti clamo e choro.

Valei-me, Santo Isidoro,

na casa da ignorância eu moro.

Valei-me, Santo Isidoro,

por teu socorro eu imploro.

O computador, Santo Isidoro,

ameaça: decifra-me ou te devoro.

(Moacyr Scliar)

________________

Mini_Continho

Naquela casa, os quatro meninos têm os nomes dos quatro evangelistas. Lucas é o mais encapetado. O pai chega do trabalho, falando alto: - Menino, você me paga! olha o cinto!

Lucas sai correndo, mostrando a língua e gritando:

_ Judas! Judas! Judas!


 

Todo mundo, desde que nasce, inicia consigo mesmo um romance sem fim (Oscar Wilde)



Escrito por tekka às 18h08
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DANI, a diáfana

 

Dani nasceu e vive na ILHA DOS BEM-AVENTURADOS. Situada no oceano Atlântico, com cerca de oitocentos quilômetros de comprimento, é habitada por um povo que se veste com lindas teias de aranha cor de púrpura. Apesar de não terem corpo, podem mover-se e falar como os seres mortais. Parecem-se com espíritos nus, cobertos com uma teia que lhes dá a forma de um corpo.

A ilha é comprida e plana, governada pelo cretense Radamantus. A capital é construída em ouro, com muros de esmeralda. Tem sete portas feitas de uma única peça de canela e as ruas que cruzam a cidade são de marfim. Há templos para todos os deuses, construídos de berilo, com altares feitos de ametista, usados para sacrifícios humanos; aconselha-se aos visitantes que se assustam facilmente com a visão de sangue a não assistir as cerimônias. Em torno da cidade correm vários rios: um de perfume delicado, de quinze metros de profundidade é facilmente navegável, sete de leite e oito de vinho; há também fontes que jorram água, mel e perfume. Os banhos da cidade são grandes edifícios de cristal, aquecidos com canela; os canos contem água e orvalho quente.

Os viajantes não encontraram na ilha dos Bem-Aventurados a escuridão da noite ou a luz do dia a que estão acostumados. A ilha está sempre no lusco-fusco, como se o sol ainda não tivesse nascido. É sempre primavera é o único vento que sopra é o zéfiro. O país é rico em todas as espécies de flores e todos os tipos de planta; as videiras dão uvas doze vezes por ano; macieiras, romãzeiras e outras dão frutos treze vezes por ano, porque no mês de Minossa frutificam duas vezes. O trigo produz pães assados, que crescem em suas pontas como cogumelos.

(Luciano de Samósata, História verídica séc. II)

A day in her life: ela passa os dias brincando com as borboletas, nos campos de morangos da Ilha. Chega-se à sua casa passando por Penny Lane e  pela Praça Eleanor Rigby;  em seguida vem uma longa estrada, cheia de curvas (também conhecida como the long and winding road), e no final há uma placa em tinta fosforescente, com certas palavras mágicas:

 

(pode-se, também, chegar lá simplesmente fechando os olhos e voando pelo ar ... o endereço é >>>  http://girllikethat.zip.net )

ah, sim, diáfana quer dizer transparente, delicada, sutil, feita da mesma matéria de que são feitas as asas das borboletas



Escrito por tekka às 18h59
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POEMAS

1) GILKA MACHADO para Petruskaya

 

Há certas almas

como as borboletas

cuja fragilidade de asas

não resiste ao mais leve contato,

que deixam ficar pedaços

pelos dedos que as tocam.

Em seu vôo de ideal,

deslumbram olhos,

atraem a vista:

perseguem-nas,

alcançam-nas,

detém-nas,

mas quase sempre,

por saciedade,

ou piedade,

libertam-nas outras vezes.

Elas, porém, não voam como dantes,

ficam vazias de si mesmas

cheias de desalento...

Almas e borboletas,

naõ fosse a tentação das cousas rasas

- o amor do néctar

-o néctar do amor,

e pairaríamos nos cimos

seduzindo do alto

admirando de longe!...

2) [André Luis Aquino][meucaminhar@yahoo.com.br][http://andre.aquino12.blog.uol.com.br]
Comentário 3. Esse poema nasceu nesse instante ao ler esse poemas que postastes e ele só estará aqui nesse comentário. Imundos, somos todos imundo, sacos sem fundos, mar sem água, estamos vazios, perdidos nesa podridão, impureza, diamantes brutos disfarçados de verdadeiros.A mentira disfarçada de verdade, um lobo espreitando as ovelhas, a águia que junto as nuvens vê a sua presa no chão.Somos pó de poeira e não de ouro, nós vivemos pesadelos mas querem nos fazer acreditar que são sonhos...


PeterPan: onde quer que estejas agora, meu coração está contigo // PROCURA-SE MENINO PERDIDO DE NEVERLAND ...

"Horizonte: lugar sagrado onde o céu se encontra com o mar. Sol e Lua se escondem para amar. Lugar onde se é  permitido sonhar." - PP


 vida, minha vida,

olha o que que eu fiz

toquei na ferida, nos nervos, nos fios,

nos olhos dos homens

de olhos sombrios

mas, vida, ali, eu sei que fui feliz

CHICO BUARQUE

No mistério do Sem-Fim,

equilibra-se um planeta.

E no planeta, um jardim,

e, no jardim, um canteiro:

no canteiro, uma violeta, e,

sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,

a asa de uma borboleta.

Cecília Meireles

(obrigada, Mariléa!)



Escrito por tekka às 18h43
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POEMA DOS DONS / Jorge Luis Borges / tradução de Paulo Mendes Campos

 

 

(antes de mais nada, veja este SHOW DE COMPUTAÇÃO GRÁFICA >>>> http://www.barb-coolwaters.us/moonriver/409m044.html)

(tks a Rose)


 POEMINHA PSICOTERÁPICO

o que disse o psicanalista

pra Branca de Neve?

-"não é nada, não é nada -

você tem apenas um forte repressão

a espelhos, pentes

e maçãs envenenadas"

MILLÔR FERNANDES


POEMA DOS DONS / J.L.B.

Graças quero dar ao divino

Labirinto de efeitos e causas

Pela diversidade das criaturas

Que formam este singular universo,

Pela razão, que não deixará de sonhar

Com um plano para o labirinto,

Pela face de Helena e a perseverança de Ulisses

Pelo amor, que nos deixa ver os outros

Como os vê a divindade,

Pelo firme diamante e água solta,

Pela álgebra, palácio de precisos cristais,

Pelas místicas moedas de Ângelo Silésio,

Por Schopenhaeur,

Que talvez decifrou o universo,

Pelo fulgor do fogo,

Que nenhum ser humano pode olhar sem assombro antigo,

Pelo mogno, o cedro, o sândalo,

Pelo pão e pelo sal,

Pelo mistério da rosa

Que prodigaliza cor e não a vê,

Por certas vésperas e dias de 1955,

Pelos duros tropeiros que na planície fustigam os animais e a alva,

Pela manhã em Montevidéu,

Pela arte da amizade,

Pelo último dia de Sócrates,

Pelas palavras que no crepúsculo disseram

De uma cruz a outra cruz,

Por aquele sonho do islã que abarcou

Mil e uma noites,

Por aquele outro sonho do inferno,

Da torre do fogo que purifica

E das esferas gloriosas,

Por Swendenborg,

Que conversava com os anjos nas ruas de Londres,

Pelos rios secretos e imemoriais

Que convergem em mim,

Pelo idioma que, há séculos, falei em Nortúmbria,

Pela espada e a harpa dos saxônios,

Pelo mar, que é um deserto resplandescente,

E uma cifra de coisas que não sabemos

 

 

 

 

E um epitáfio dos vikings,

Pela música verbal da Inglaterra,

Pela música verbal da Alemanha,

Pelo ouro que reluz nos versos,

Pelo inverno épico,

Polo nome de um livro que não li: Gesta Dei per Francos,

Por Verlaine, inocente como os pássaros,

Pelos prismas de cristal e o peso do bronze,

Pelas raias do tigre,

Pelas altas torres de San Francisco e da ilha de Manhattan,

Pela manhã no Texas,

Por aquele sevilhano que redigiu a Epístola Moral

E cujo nome, como ele houvera proferido, ignoramos,

Por Sêneca e Lucano de Córdoba,

Que antes do espanhol escreveram

Toda a literatura espanhola,

Pelo geométrico e bizarro xadrez,

Pela tartaruga de Zenão e o mapa de Joyce,

Pelo odor medicinal do eucalipto,

Pela linguagem, que pode simular a sabedoria,

Pelo esquecimento, que anula ou modifica o passado,

Pelo hábito,

Que nos repete e nos confirma como um espelho,

Pela manhã, que nos proporciona a ilusão de um começo,

Pela noite, sua treva e sua astronomia,

Pelo valor e a felicidade dos outros,

Pela pátria, sentida nos jasmins,

Ou numa velha espada,

Por Whitman e Francisco de Assis,

Que já escreveram o poema,

Pelo fato de que o poema é inesgotável

E se confunde com a soma das criaturas

E jamais chegará ao último verso

E varia segundo os homens,

Por Francisco Haslam, que pediu perdão aos filhos,

Por morrer tão devagar,

Pelos minutos que precedem o sono,

Pelo sono e pela morte,

Esses dois tesouros ocultos,

Pelos íntimos dons que não enumero,

Pela música, misteriosa forma do tempo.



Escrito por tekka às 03h19
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AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

o texto é dedicado ao André Luiz, de "meu caminhar", e a música a Gabi e Tatiana, fãs declaradas de The Doors

http://andre.aquino12.blog.uol.com.br/

A alusão que Aldous Huxley faz ao poeta William Blake nos títulos de seus dois ensaios sobre as drogas alucinógenas não deve nos enganar: As portas da percepção (1954) e Céu e Inferno (1956) são meditações escritas à luz radiosa da razão, relatos de experiências com a mescalina que não conduzem a uma adesão imediata aos paraísos artificiais, mas sim a uma idéia de alargamento da consciência que não elide seu elemento reflexivo.
 
Essa observação é fundamental por causa da história nada desprezível da recepção de Huxley em um âmbito que ultrapassa os limites da chamada "alta cultura" (na qual ele havia se consagrado como autor dos clássicos Contraponto e Admirável Mundo Novo). No final dos anos 60, o compositor, cantor e poeta Jim Morrison criou na Califórnia uma banda de rock chamada The Doors, cujo nome fora inspirado na leitura de As portas da percepção. Morrison morreria em Paris em 1971, provavelmente de overdose, mas sua curta e fulminante trajetória - marcada não apenas pelo sucesso musical e por escândalos comuns dentro do universo pop, como também por uma produção poética que chegou a ser comparada à de Rimbaud - acabaria estabelecendo uma ponte entre a poética visonária de Blake, o erotismo sacrifical dos concertos dos Doors e a obra de Huxley, que assim ganharia uma aura de guru da contracultura.
 
Essa identificação estava sintetizada num trecho do célebre poema em prosa "O matrimônio do céu e do inferno" - "if the doors of perception were cleansed every thing would appear as it is, infinite" ("se as portas da percepção estivessem limpas, tudo se mostraria ao homem tal como é, infinito", segundo tradução de José Arantes, publicada pela editora Iluminuras). E, no entanto, a imagem de Huxley como uma espécie de profeta aristocrático da era hippie não parece resisitir à leitura de As portas da percepção e Céu e Inferno. É bem verdade que ele mesmo alimentou a confusão ao colher os títulos dos ensaios nos aforismos de um poeta "maldito", que mimetizou suas alucinações tanto com as palavras quanto em telas que representam personagens bíblicas em cenários apocalípticos. E também é verdade que Morrison estava sendo fiel à letra de Huxley ao conferir a suas experiências com mescalina e ácido lisérgico uma caráter ritual inspirado no xamanismo: afinal, o escritor inglês escolhera a mescalina para seus experimentos justamente por causa da função sagrada que o peiote (raiz da qual é extraída a droga) desempenha nas religiões dos índios americanos.
O fato, porém, é que em nenhum momento Huxley parece buscar nos alucinógenos uma conversão mística ou uma ruptura absoluta com o mundo ordinário. Tampouco parece movido por um desacordo essencial em relação aos cárceres psicológicos e perceptivos da realidade empírica.


Escrito por tekka às 02h42
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Enquanto Blake era uma gnóstico para quem "o caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria", Huxley fez do excesso de sabedoria e de curiosidade um caminho para o palácio do êxtase: é a razão que, percebendo sua insuficiência perante a pluralidade do mundo, busca uma abertura para novas formas de percepção que sejam uma alternativa ao solipsismo (essa perversão do idealismo) e ao behaviorismo (perversão do empirismo). Nesse sentido, Aldous Huxley é um perfeito agnóstico (que não é ateu, nem teísta, nem panteísta, nem materialista, nem idealista, mas "livre-pensador"). Também não procurava visões de paisagens e metamorfoses de edificações, nem dramas nem parábolas - "O outro mundo ao qual a mescalina me conduzira não era o mundo das visões; ele existia naquilo que eu podia ver com meus olhos abertos. A grande transformação se dava no reino dos fatos objetivos - o que tinha acontecido a meu universo subjetivo era coisa que, relativamente, pouco importava".
 
"Parece extremamente improvável que a humanidade, de um modo  geral, algum dia seja capaz de passar sem paraísos artificiais. A maioria dos homens e mulheres leva uma vida tão sofredora em seus pontos baixos e tão monótona em suas eminências, tão pobre e limitada, que os desejos de fuga, os anseios para superar-se, ainda que por breves momentos, estão e têm estado sempre entre os principais apetites da alma".
 
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Quando nos sentimos como se fôssemos os únicos herdeiros do universo, quando 'o mar corre em nossa veias [...] e as estrelas são nossas jóias', quando todas as coisas  parecem infinitas e sagradas, que motivos poderemos ter para a cobiça ou a soberba, para a fome de poder ou para as formas mais doentias de prazer? (A. H.)
 
 
Entre os povos que desconheciam o vidro ou as pedras preciosas, o céu é adornado não com minerais, mas com flores. Na maioria dos Outros Mundos, descritos pelos escatologistas primitivos, crescem flores de um esplendor preternatural; e mesmo nos paraísos das religiões mais avançadas, refulgentes de pedrarias e de vidro, elas conservam seu lugar. Basta que nos lembremos do lótus das tradições brâmanes e budistas, das rosas e lírios do Ocidentes. Deus primeiro plantou um jardim. Essa afirmação encerra uma profunda verdade psicológica. A floricultura tem sua origem - ou uma de suas origens - no Outro Mundo dos antípodas da mente. Quando os fiéis oferecem flores diante do altar, estão devolvendo aos deuses coisas que eles sabem ou (caso não sejam visionários) sentem, vagamente, serem originárias do Céu. (A.H.)
 
A familiaridade traz consigo a indiferença. Já vemos cores puras e brilhantes em demasia nas lojas americanas, para que as achemos intrinsecamente arrebatadoras. E, neste ponto, cumpre-nos assinalar que, com sua assombrosa capacidade para nos proporcionar o máximos de suas melhores criações, a tecnologia moderna está tendendo a desvalorizar os produtores de êxtases tradicionais. A iluminação de uma cidade, por exemplo, era outrora um acontecimento raro, reservado para as vitórias e festas nacionais, a canonização de santos e a coroação de reis. Hoje ela se processa todas as noites e celebra as virtudes de marcas de cigarros, bebidas e pastas de dentes. [...] Desaparecu o refinamento do prazer incomum. O que, outrora, constituiu um extraordinário enlevo de visonário foi agora transformado em pedaço de linóleo desprezado. [...] O poder arrebatador de muitas obras de arte pode ser atribuído ao fato de que seus criadores pintaram cenas, pessoas e objetos que fazem recordar, a quem os examine, aquilo que ele, consciente ou inconscientemente, sabe a respeito do Outro Mundo dos antípodas de sua própria mente. (A.H,)
 
Trechos do prefácio e do livro de Aldous Huxley:  AS PORTAS DA PERCEPÇÃO, trad. de Oswaldo de Araújo Souza, prefácio de Manuel da Costa Pinto, 2ª edição brasileira, Editora Globo, SP, 2002
aqui em Brasília há uma banda-cover de The Doors que se chama AS POORTAS ...
 
 


Escrito por tekka às 02h34
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CCBB é show

 

Este fim de semana, vi duas exposições maravilhosas no CCBB, uma chamada >=4D Arte Computacional Interativa; a outra, Identidade e Conflito, de Alex Flemming, que faz cartografia em corpos humanos pintados e fotografados, ou superposição de palavras em imagens fotográficas e virtuais. Os textos que se seguem são  dos catálogos das exposições:    

Fernanda Mena
 

As cinco obras que compõem a Série Body-Builders (ou Série Bíblica) de Alex Flemming deixaram a Galeria Blickensdorff, de Berlim, em junho de 99. Trata-se da produção mais recente de Flemming, na qual corpos esculpidos de "body-builders" aparecem tatuados com mapas de guerra resultando numa obra de forte apelo erótico.

Junto a essas imagens o artista inscreve textos bíblicos que relatam batalhas de tempos imemoriais. Longe de pretender enfocar a relação entre religião e erotismo, Flemming discute o caráter imutável dos conflitos dentro da história da humanidade e os limites que a violência impõe ao homem.

Como é de costume na produção do artista, os textos utilizados na Série Body-Builders aparecem divididos em palavras, sílabas e letras espaçadas que levam a um deciframento e consequente interação entre arte e público. Nada mais condizente, então, com a atualidade deste trabalho que o uso da Internet como recurso para sua obra.

Alex Flemming reside na capital alemã desde 1990. No Brasil, seu último trabalho foi produzido para a Estação Sumaré do metrô de São Paulo, onde pode ser visto.




Escrito por tekka às 01h03
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arte computacional no CCBB

De um modo geral, entende-se por artes computacionais um conjunto bastante diversificado de procedimentos, atitudes e estratégias da arte e do artista com relação ao computador. Num primeiro sentido, o computador pode ser encarado como uma mera ferramenta para a geração e o tratamento das imagens (eventualmente também de sons e textos). Uma vez produzidas, modeladas (no caso das imagens tridimensionais), animadas e até sonorizadas, as imagens podem ser transferidas do computador para outro suporte (papel, tela, filme, disco, fita de vídeo) e exibidas nas formas tradicionais em museus, galerias de arte ou salas de projeção. Na verdade, são raros os casos em que o computador é utilizado estritamente como ferramenta, como se fosse um pincel ou uma paleta mais sofisticados. Muito freqüentemente, o trabalho do artista acaba sendo contaminado por alguns processos formadores próprios da informática, de modo que o resultado final não poderia jamais ser obtido de outra forma.

Numa segunda acepção, é o computador que cria a obra, a partir de um programa de criação previamente concebido pelo artista. Neste caso, é possível que a forma final de exibição seja também o circuito tradicional da arte, mas a diferença está no fato das decisões sobre o que fazer e como fazer serem tomadas pelo próprio computador. O artista, neste caso, apenas prevê um conjunto de possibilidades de comportamento do computador, em geral utilizando conceitos de inteligência artificial, ou então vai criando junto com o computador e incorporando as respostas deste. Como não poderia deixar de ser, a maioria dos realizadores deste grupo pertence a uma classe muito especial de artistas, aquela dotada também de competência científica e tecnológica, acumulando talentos ao mesmo tempo nas artes plásticas e nas ciências exatas. Várias das obras exibidas nesta meta-instalação – como as de Lygia Sabóia, Chico Marinho e Tania Fraga – utilizam imagens parcial ou totalmente geradas através do diálogo entre o artista e o computador.

Numa terceira acepção, o computador – mais exatamente o seu monitor e todas as interfaces que ele oferece ao interator – é o próprio suporte de exibição do trabalho. A presença física da máquina no espaço de exibição é requerida porque esse tipo de trabalho utiliza os recursos interativos do computador e incorpora criativamente a resposta do espectador (agora chamado interator). No Desertesejo, de Gilberto Prado, por exemplo, uma paisagem tridimensional simulando um deserto, gerada em tempo real pelo computador, pode ter os seus parâmetros alterados pelo interator, de modo a permitir imersão e navegação, seja no espaço físico da exposição, seja em qualquer outro lugar via Internet. A evolução inevitável desse tipo de trabalho é a incorporação de recursos de realidade virtual aos ambientes instalativos (Op-era, de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat, por exemplo, tem uma versão para caverna digital) e a utilização das redes telemáticas (Internet ou redes fechadas) como estrutura para a concepção de obras potenciais (que possibilitam um grande número de ocorrências diferenciadas) e capazes de incorporar a participação do interator. Nesta última categoria, pode-se citar o trabalho mais recente de Diana Domingues com a criação de serpentes tele-robóticas e/ou virtuais, que podem ser dirigidas remotamente, de qualquer parte do mundo, através da World Wide Web.

A web art (também chamada net art ou arte na rede) é um dos setores mais recentes dentro do sempre mutante campo das artes computacionais. Ela representa uma fusão da antiga arte-comunicação com a mais recente arte digital. Historicamente, a arte-comunicação utilizou recursos predominantemente não digitais (mail art, fax, telefone, slow scan TV etc.) ou semi-digitais (videotexto) para estabelecer contatos de comunicação, enquanto as artes digitais não lidavam ainda com o conceito de comunicação. A web art, num certo sentido, dá continuidade às idéias de comunicação e conectividade primeiramente explorados na arte-comunicação, mas agora dentro de um contexto nitidamente digital e valendo-se dessa gigantesca rede mundial de computadores chamada Internet.

Luiza Donati usa sensações corporais em uma veste astimulável; Lygia Sabóia programa algorítmos baseados em curvas planas; Tânia Fraga programa "flutuações impermanentes"; Susete Venturelli constrói poéticas isomórficas entre a voz humana e formas algorítmicas modeladas como fumaças; Daniela Kutschat e Rejane Cantoni criam máquinas táteis, convertendo sons em sensações; Bia Medeiros explora as linguagens videográficas e o conceito de telepresença, realizando performances; Gilberto Prado cria interface multiusuário, que opera os conceitos de extensão e ruptura temporal, solidão, re-invenção, encontro e partilha; Sílvio Zamboni cria arquiteturas híbridas; Margarita Schultz apresenta o trabalho de um grupo internacional de arte colaborativa; Maria Luiza Fragoso propõe viagem híbrida entre realidade validada e realidade algorítmica; Diana Domingues usa algorítmos genéticos para criar e incorporar serpentes.



Escrito por tekka às 00h39
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  • Artista: Cazuza
  • Música: Down Em Mim

Tom:

Eu não sei o que o meu corpo abriga

Nestas noites quentes de verão

E nem me importa que mil raios partam

Qualquer sentido vago de razão

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Outra vez vou te cantar, vou te gritar

Te rebocar do bar

E as paredes do meu quarto vão assistir comigo

A versão nova de uma velha história

E quando o sol vier socar minha cara

Com certeza você já foi embora

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Outra vez vou me esquecer

Pois nestas horas pega mal sofrer

Na privada eu vou dar com a minha cara

De panaca pintada no espelho

E me lembrar, sorrindo, que o banheiro

É a igreja de todos os bêbados

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Eu ando tão down

ocioso discutir se Cazuza foi "maior" que Renato Russo, e vice-versa >> ambos representaram ideais de protesto muito bem colocados. Cazuza, claro, identificado com a turma do Leblon, fazendo denúncia do modo de vida da burguesia, que ele mesmo viveu. Renato, mais deprê, identificado com Brasília, ambos oferecendo altos momentos da música dos anos 80 -  ainda ecoando até em quem não os conheceu...ambos poetas, cujos corpos abrigavam enorme sede de viver e, tragicamente, o germe da aids - a tuberculose dos poetas contemporâneos... vida louca,  vida breve...

pra que chorar
a vida é bela e cruel despida
tão desprevenida e exata

Cazuza



Escrito por tekka às 23h56
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MANIFESTO DO ORGASMO

 

 

 

 


"o orgasmo, que parece ser um ato individual a dois deve ser considerado
político: cada experiência significativa é orgástica - sendo esta qualquer experiência
que altera a vida de uma pessoa ou a história do mundo - a morte em vida e a
reestruturação de uma nova percepção. É a derrubada das barreiras repressivas, a
diferença entre "fazer amor' e copular; neste, cada qual é reduzido pelo outro a
objeto sexual. O orgasmo TEM que acontecer num contexto de não-propriedade, numa
alegria que supera o prazer e uma glória que supera o louvor. Por alegria
entendo um novo estado de vigilância que aflora a experiencia do orgasmo nesse
contexto - um estado não-mental. O lema deve ser: orgasmo o mais possível, ou:
"pão E orgasmo". É um momento eterno em que um excesso de vitalidade (corpo) gera
a "morte" (não-mente, em que não há predomínio da "cabeça" que subjuga os
"centros inferiores" do corpo).

A base é a renúncia à imagem do próprio eu (a
imagem do próprio corpo, principalmente do rosto) e a confiança de "regressar" com o outro.
A chamada sociedade permissiva, que indulgentemente permite expressões mais
livres da sexualidade e o protesto social liberal para os presos e doentes
mentais, nada mais é que um espetáculo mistificador, destinado a produzir uma
repressão mais profunda do êxtase, do sofrimento e prazer criativos, da loucura
e da livre aceitação do risco - em suma, a repressão da revolução em cada um e
para todos. TEMOS DE PERDER NOSSAS CABEÇAS PARA ENTRARMOS EM NOSSOS CORPOS".

(David Cooper - Gramática da Vida)

 


 A OBRIGAÇÃO DE APAIXONAR-SE É UMA DAS MAIORES CAUSAS DE ESTRESSE, COMO SE O CONTRÁRIO FOSSE UMA DERROTA, UMA EXCLUSÃO, JÁ QUE "TODO MUNDO ESTÁ APAIXONADO" ...  é beleza e tal, MAS NINGUÉM PENSA QUE É TAMBÉM UMA INDÚSTRIA: DE CORAÇÕES, FLORES, CHOCOLATES e OS INEXPLICÁVEIS BICHINHOS DE PELÚCIA, MAIS AQUELE AR DE ESPANTO: oh, você se lembrou de MIM?????????????

gosto e preciso de ti,
mas vou logo avisar:
não gosto porque preciso,
preciso, sim, por gostar!
 

 



Escrito por tekka às 01h13
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O AMOR É CEGO ....

 

Frases sobre o amor

  1. O amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro (Balzac)

  2. O amor tudo vence e cedamos nós ao amor (Virgílio)

  3. É identidade através do outro, jamais identificação, dependência, mimetismo (Artur da Távola)

  4. Onde o amor domina não há vez para o poder, e onde o poder predomina é porque há falta de amor. Um é a sombra do outro (C. G. Jung)

  5. Todos os amores são eternos; o que muda é a pessoa (Sófocles)

  6. O amor é como uma ampulheta cujo coração é preenchido na mesma medida em que o cérebro é esvaziado (Jules Renard)

  7. O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos. Porque já não posso andar só (Fernando Pessoa)

  8. Seria impossível amar alguém ou alguma coisa que se conheça completamente. O amor busca aquilo que se esconde em seu objeto (Paul Valéry)

  9. O amor é como um cachorrinho que prefere até mesmo o castigo de uma determinada mão às carícias de outra (Charles Caleb Colton)

  10. É tão difícil viver com a pessoa que amamos como amar a pessoa com quem vivemos (Jean Rostand)

  11. Escondes-te; eu te procuro, não te encontro e, talvez, te ame porque nunca te encontrei (Menotti del Picchia)

  12. Que o amor com amor se paga provo, que o amor com amor se apaga nego. Como um fogo com outro há de apagar-se? (Rocha Pita)

  13. Sou livre quando me sei dar sem exigir possuir (Juan Arias)
  14. Quem amando quer viver saiba que é viver morrendo sem nunca acabar de morrer (Caldas Barbosa)

  15. Tente ser racional no amor e você perderá a razão (provérbio francês)

  16. Se os casais não vivessem juntos, os casamentos felizes seriam mais freqüentes (F. Nietzsche)

  17. Achamos que todo enamorado é louco. Mas podemos imaginar um louco enamorado? (Roland Barthes)

  18. ....... quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece de verdade (João Guimarães Rosa)
  19. ....... amor é pássaro que põe ovos de ferro ... J.G.R. 

  20. Uma pessoa é transformada por aquilo que ela ama, ao ponto, algumas vezes, de perder totalmente sua identidade (Joseph Brodsky)

  21. Como ciumento sofro quatro vezes mais: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum (R. Barthes)

  22. O coração tem suas razões que a razão não conhece (Pascal)

  23. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura (João Guimarães Rosa)

  24. Não somos as mesmas pessoas este ano que no ano passado, nem são aqueles que amamos. É uma felicidade se nós ao mudarmos, continuarmos a amar uma pessoa mudada (W. S. Maughan)

  25. O amor é cego, a amizade fecha os olhos (Pascal)

  26. O amor é como a guerra: fácil de começar e difícil de terminar (N. Lenclo)

  27. Vejo o outro duplamente: ora o vejo como objeto, ora como sujeito; hesito entre a tirania e a oblação (R. Barthes)

  28. Amar é desejar o desejo do outro (Hegel)

  29. É terrível dizer, mas, no fundo, o amante não está querendo saber "quem é" em realidade seu parceiro. Estouvado em seu egoísmo, ele se contenta de saber que o outro lhe faz um bem incompreensível... Os amantes permanecem um para o outro, em última análise, um mistério. (Lou Andreas - Salomé)

  30. Só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal (Lou Andreas - Salomé)

  31. O amor imaturo diz: "Eu te amo porque preciso de ti". O amor maduro diz: "Eu preciso de ti porque te amo"(Erich Fromm)

  32. Todas as cartas de amor são ridículas/Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.../Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas" (Fernando Pessoa)
  33. Amor é a tentativa de duas pessoas de se tornarem uma, mas acaba com as duas virando zero..

Seleção de Laerte Moreira dos Santos


ANIVERSARIANTES DE JUNHO

dia 12 - Thiago_P, meu personal_info_trainer, fazendo 23 aninhos

dia 13 - meu amigo Antônio Rabelo, do STJ, cuja festa está rolando neste momento

dia 13 - June, uma pessoa bonita, que faz os outros se sentirem felizes ...

 

PARABÉNS!!!!! e este link: http://www.riversongs.com/Fla/surpriz.html

 

Birthday Gifts

 

Birthday Surprise Party

 

 



Escrito por tekka às 16h49
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 O DESEJO DAS BORBOLETAS / Jean_Claude Carrière em "Conversas sobre o invisível", Ed. Brasiliense.

Um dia as borboletas se reuniram, atormentadas pelo desejo de se unirem à vela. Uma primeira borboleta foi até o castelo distante e avistou lá dentro a luz de uma vela. Voltou e contou o que tinha visto. Mas a sábia borboleta que presidia a reunião disse que aquilo não lhes servia de muito. Uma segunda borboleta foi até lá e chegou mais perto da vela. Tocou a chama com as asas e a vela saiu vitoriosa. A borboleta voltou com as asas queimadas, e contou o ocorrido. Mas a borboleta sábia lhe disse: "a sua explicação não é mais clara que a anterior". Então uma terceira borboleta levantou-se, ébria de amor. Ergueu-se sobre as patas traseiras e se lançou violentamente contra a chama. Então a borboleta sábia, que tinha assistido a tudo de longe, disse às outras: "ela aprendeu o que queria saber, mas só ela compreende - é tudo" ...

está em : http://girllikethat.zip.net

 

 


vá à luta, mas não precisa ir beijando qualquer sapo ...

 

*****

Pergunta: essa transformação da libido em mercadoria é uma forma de controle do sexo mais eficiente que a repressão?

Jurandir Freire Costa: a inscrição do sexo no circuito da mercadoria é, com certeza, uma forma de articular o prazer sexual na lógica do mercado. Ou seja, não estamos mais, como antes, utilizando o sexo para vender mercadorias; o próprio sexo, hoje, é mercadoria. Traduzido em termos mais simples, isto quer dizer que o sexo não é mais algo da vida privada, da intimidade, do segredo pessoal não sujeito ao escrutínio público. O sexo, tal como se apresenta no comércio de excitação, se tornou um emblema, um brasão dos indivíduos considerados bem-sucedidos, economica e socialmente. Os cahamdos vencedores possuem, entre outros bens, uma vida sexual que serve de exemplo, que é vendida publicamente para ser imitada pelos que ainda não chegaram "lá". Se você observar com atenção, tudo que é dito sobre sexo concerne pessoas ricas, jovens, bonitas, inteligentes, famosas. No fundo, o sexo não vende um produto qualquer; ele vende tipos humanos, figurinos de indivíduos, que são os que mais se adaptam e ajudam a manter o mod de vida das sociedades ocidentais contemporãneas e das sociedades culturalmente colonizadas como a  brasileira.

 

cartão especial para hoje, do Millôr

 http://cartoes.uol.com.br/idx_monta.html?urls=1037|tema/millor/uol|humor|Millôr

 

DICAS DE PRESENTES IDEAIS de Sérgio Sá, do Correio Braziliense, caderno PENSAR

ele recomenda ... livros ... namoros são efêmeros, livros são para sempre, desde que se faça uma tremenda dedicatória ... há livros pra todos os gostos, conforme o temperamento DELA:

1) compulsiva: difícil de presentear, porque sabe de tudo que rola, às vezes só não tem um ou outro livro caro - duas opções: Noite do Oráculo da Cia das Letras, ou Caixa Modernista, da Edusp, que vale 150,00 e é difícil de encontrar / 2) desestressada, tipo "ai, que preguiça": Os cem melhores poemas brasileiros do século da Objetiva - poesia fácil de ler, sem perder a profundidade / 3) midiática: se ela é plugada na tevê,o romance Aritmética, de Fernanda Young - se ela curte blogs e afins, Hotel Hell de Joca Reiners Terron, ou Curva do Rio Sujo (Planeta) / 4) Existencialista: não tem pra onde correr. Clarice Lispector, sem erro - exceto a Hora da Estrela / 5) Fashion Victim - leitora de Veja ou das dicas femininas das revistas: ela vai ficar encantada com os 2 últimos lançamentos da Lya Luft, Perdas e Ganhos e Pensar é transgredir - Paulo Coelho, nem pensar: está out. 6) Prática: um livro de arte - volumoso, capa dura, vistoso - também dá uma força na decoração / 7) conversadeira: biografias, biografias, biografias.

 

 



Escrito por tekka às 12h56
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O TEMPO NÃO PÁRA ????...

 

 

"O Tempo Não Pára" se (des)equilibra na fala represadaPEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo

Ao prestar depoimento sobre "Cazuza - O Tempo Não Pára", todos os envolvidos são unânimes em dizer que gostaram muito do filme --mas todos se põem a fazer ressalvas contra ele. Não deve acontecer diferente com o espectador atento que for ao cinema reviver uma das histórias mais luminosas e ao mesmo tempo sombrias do Brasil recente.

Atravessa constantemente a experiência de assisti-lo a sensação de que o que se está vendo é bom, apesar de ser ruim --ou é ruim, apesar de ser bom. Assim foi a história, assim foram e são as músicas doces e amargas de Cazuza, assim é o filme.

Jogos de duplas em conflito vão se desencadeando, sem aparente resolução. A cinematografia se desenrola quadrada, careta, enquanto conta uma história libertária, rebelde. Um ator em estado de graça (Daniel Oliveira) opera caracterização ultradisciplinada, para encenar o êxtase, a agonia e o caos de seu personagem.

As cenas de amor familiar e os diálogos entre filho e pais se entrelaçam intensos e comoventes, mas concomitantes com a crueldade do retrato de um Cazuza que nunca tivesse amado um namorado, uma namorada.

A cena da descoberta da Aids desaba linda e delicada, num lapso em que o clima de novela da Globo cede à inventividade de cinema. O personagem, que desfilava roqueiro e viril antes da Aids, vira romântico e efeminado a partir dali --ficar doente é ficar efeminado, srs. diretores, sr. ator?

Vários dos embates em dupla aparecem mal resolvidos, mas é porque são mesmo --e não se trata de demonizar a discórdia mansa em que todo mundo que amou Cazuza parece hoje viver. Não se falava abertamente sobre nenhum desses assuntos até outro dia. Ao testar a fala represada, todo mundo se atrapalha, tropeça, gagueja, engatinha.

Eis que surge, daí, o que o novelão ainda moral de Sandra Werneck e Walter Carvalho pode oferecer de inédito ao Brasil, se resultar bem-sucedido.

Pela primeira vez Cazuza será reinterpretado, repensado. Só agora se começará a entender que a Aids foi o AI-5 da geração 80, deslocado da política para o sexo. Que no Brasil as mortes de Cazuza e Renato Russo emudeceram toda a expressão masculina (hetero, bi ou homossexual, tanto faz) de mais de uma geração. E que agora isso já passou.

Passou, inclusive graças à intermediação de Cássia Eller (1963-2001), que se angustiou com o sacrifício masculino dos 80 e simbolicamente tentou atenuá-lo, oferecendo-se, ela própria, a um martírio feminino masculinizado. E graças à intermediação de Frejat, que carrega até hoje a incrível história da banda que sobrevive mesmo tendo criado e perdido (e mantido) dois compositores, dois cantores solo, dois líderes.

A dissociação entre o feminino e o masculino oculta, atrás da desistência de Cássia e da superação de Frejat, a continuação do trauma do AI-80. Mas também já é superada. É de um tempo que não parou e já passou, embora não o sintamos ainda (porque estamos todos titubeantes e incrédulos diante de ventos novos de liberdade).

Nossos meninos e meninas ligarão a TV e verão, na novela das seis, um galã romântico de um tempo anacrônico (o início do século passado), apaixonado por uma linda cabocla, sofrendo de uma doença terrível (a tuberculose). Sairão para o cinema e encontrarão um galã romântico de um tempo anacrônico (os anos 80), dando beijos de língua em rapazes bonitos, sofrendo de uma doença terrível (a Aids).

Esses dois galãs terão sido representados pelo mesmo ator. Mas, se "Cazuza" e "Cabocla" puderem ser assistidos com olhos livres (e anti-românticos), não haverá contradição nem contraste em mais esse jogo de duplos.

Seria a hora da reconciliação entre duplas de inimigos que antes só queriam saber de se anular uns aos outros para garantir sobrevivência, feito Ruth e Raquel, Luana Camará e Priscila Capricci, Chico Buarque e Caetano Veloso. E as duplas se poriam a dançar quadrilha, numa festa junina regida com amor por maestro Cazuza.

Avaliação:

Cazuza - O Tempo Não Pára
Produção:
Brasil, 2004
Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho
Com: Daniel Oliveira, Marieta Severo

sucessos de Cazuza podem ser acompanhados na USINA DO SOM: http://veja.abril.com.br/idade/estacao/index.html#cazuza


 



Escrito por tekka às 02h05
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o que é ser feliz?????

O "dever de ser feliz", que se tornou um dogma na sociedade contemporãnea, pode não se constituir na motivação essencial de uma pessoa. Ao contrário, ela pode ser, como a infelicidade, apenas um evento indireto, fugaz, resultante de valores como amor, amizade, trabalho, arte, esses sim os verdadeiros eixos da amizade humana. As diversas visões sobre felicidade ao longo da história:
 
BUDISTAS - viver é sofrer´- estamos presos à lei de causa e efeito - para alcançar felicidade, é preciso renunciar ao ego e á ãnsia pelas coisas do mundo.
 
CÉTICOS - considerando que tudo é tudo e que nada é nada, e que a certeza é impossível, o mais sensato é superar os conflitos de opinião e suspender o juízo sobre as coisas.
 
CRISTÃOS - a felicidade está no passado ou futuro, nunca no presente - sem a fé, a razão não leva ao caminho da bem-aventurança.
 
EPICURISTAS - quer ser feliz? comece arquivando a angústia da morte, pq tudo é mate´ria e sensação, e quando se morre, não há mais matéria nem sensação, então pra que se preocupar?
 
ESTOICISTAS - para chegar á "ataraxia", estado máximo de sabedoria caracterizado pela ausência de perturbações, é só anular todas as paixões e fortalecer a vontade.
 
FREUDIANOS - o princípio do prazer nos impele a ser felizes, mas a sociedade bloqueia - então, vamos adequar nossos impulsos sexuais à vida civilizada e fingir que felicidade é possível.
 
HEDONISTAS - felicidade não requer esforço nem renúncia, muito pelo contrário - o fundamento da vida moral é o prazer.
 
LIBERAIS - a auto-realização humana se resolve na perfeita economia de mercado. cada um deve buscar a satisfação de todos os seus apetites e, desa forma, estará automaticamente, em busca da felicidade dos demais.
 
 EPICURO talvez tenha dado a melhor definição de FELICIDADE: é a SAÚDE DO ESPÍRITO, como se pode ver em sua CARTA SOBRE A FELICIDADE:
 

A carta sobre a felicidade

Ao lado de uma Carta a Heródoto, tratando da física atômica, e de uma Carta a Pítocles, a propósito dos fenômenos celestes, esta Carta a Meneceu, de Epicuro a outro de seus discípulos, é mais conhecida como Carta sobre a Felicidade, já que versa justamente sobre a conduta humana tendo em vista alcançar a tão almejada "saúde do espírito".

Inicia-se a carta por uma decidida exortação ao exercício da filosofia, considerada desde logo como uma disciplina cuja única meta é justamente tornar feliz o homem que a pratica, de tal modo que este deve cultivá-la durante todo o transcurso de sua existência, desde a mais tenra juventude até a idade mais avançada. Após esse exórdio, o filósofo passa a transmitir para o discípulo aqueles tópicos que considera essenciais para essa busca permanente da felicidade, a começar pela crença na existência dos deuses, considerados entes imortais e bem-aventurados.

No tópico seguinte, aparece a morte, apresentada como o mais aterrador dos males. Torna-se absolutamente necessário vencer esse medo da morte; ninguém deve temê-la, uma vez que não há nenhuma vantagem em viver eternamente: o que importa não é a duração, mas a qualidade da vida.

Desfilam, em seguida, as várias modalidades de desejo, acompanhadas da necessidade imperiosa de controlá-los, tendo em mira tanto a saúde do corpo quanto a tranqüilidade do espírito, o que, por outro lado, não deixa de ser também uma boa definição do próprio prazer, tal como Epicuro o concebe. O prazer, como bem principal e inato, não é algo que deva ser buscado a todo custo e indiscriminadamente, já que às vezes pode resultar em dor. Do mesmo modo, uma dor nem sempre deve ser evitada, já que pode resultar em prazer.

De qualquer maneira, recomenda-se uma conduta comedida em relação aos prazeres, valendo, para este caso, aquele mesmo princípio da qualidade em detrimento da quantidade.

Finalmente, o homem sábio, para Epicuro, jamais deve acreditar cegamente no destino e na sorte como se estes fossem fatalidades inexoráveis e sem esperança, parecendo despontar aqui aquela sua crença na vontade e na liberdade do homem.

Eis aí, em suma, os pontos essenciais sobre os quais Epicuro exorta Meneceu, garantindo-lhe que a prática correta de tais ensinamentos será capaz não só de leva-lo à mais completa felicidade, mas até mesmo a sentir-se como um deus imortal entre os homens mortais.


É NA MUDANÇA QUE AS COISAS REPOUSAM / Heráclito de Éfeso, há 3.000 anos
 

BEIJAÇO
 
 
 


Escrito por tekka às 01h35
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A LETRA P: BRINCADEIRA PARA JOHN_PAUL

 

 

PPPP - jogo de palavras, que consiste em compor longas frases, com palavras invariavelmente começadas pela mesma consoante. Tal jogo é também comum nos países de língua espanhola: Pedro Pascual Pérez Pereira, peluquero perfumista, pela por poco precio, porque piensa pasar pronto por Paris.

Guimarães Rosa escreveu um conto, cujas palavras, sem exceção, começam pela letra C.

Quem compõe a mais extensa, com sentido completo e perfeito é o vencedor – vejamos o anúncio do pintor português:

Presentemente passando pelo Porto, Pedro Paulo Pereira Pinto Peixoto, perito pintor profissional português, pronto para partir prestes para Paris, por pretender pelejar por premiação preponderante, promete pintar prontamente pinturas para paredes, perfeitamente parecidas, preferentemente painéis paisagísticos para peristilos palacianos, panoramas para pomposos palacetes, pessoas poderosas, príncipes perdulários, patrões, patriarcas, procuradores, promotores, prefeitos prolíxos, prosélitos prosadores, postulantes protocolares, prósperos proprietários, políticos progressistas, poetas preeminentes, prestidigitadores prodigiosos, pontífices, prelados paramentados, presbíteros, provectos professores politécnicos, psiquiatras, pedagogos, psicólogos, párocos, pastores protestantes, promotores públicos, pensadores profundos, produtores pródigos, progenitores prolíficos, pharmaceuticos práticos, pediatras, pregadores, pedindo previamente polpuda paga. Para pessoas pobres pede, porém, pouco preço por paisagens panteístas, palmeirais, parreirais, papoulas, papiros, povoados, palhoças, paliçadas, palanques, peitoris, pelicanos pretos, palmípedes penachados, patos, pavões, preás, patativas, peões preparando potros, palafreneiros puxando parelhas, pescadores pescando pargos, parteiras, pedras preciosas, pianistas, penitentes pagando pecados, procissões pentescostais, pelotiqueiros prestimanos, palhaços pândegos patinando, pontes pênseis, pôneis pançudos, pequineses peludos, perdigueiros pelados, porcas prenhes, polvos pavorosos, pardais pipilantes, perdizes petulantes, pavões, pianos plangentes, portas, portões, penitenciárias plebéias, pensões populares. Preliminarmente, porém, para prefixar preços, preestabelecendo programas prioritários para prevenir perturbações perniciosas, proclama previamente precisar pronta participação pecuniária por pessoa proponente. Para propostas pertinentes, podeis, portanto, procurar Pinto Peixoto, pintor português, Pousada Pantera Parda, Praça Pimentel Pestana, primeiro pavimento, parte posterior, portando por precaução, papéis passados pela Polícia positivando perfeita probidade pessoal. Por precaução, pagamento previamente postulado, prestações permitidas, precisa pechinchar. Penhorado pela preferência ...

E assim, com perfeita ordenação gramatical, tal composição permanece susceptível de ser prolongada paulatinamente por muitos períodos ainda...

(Raymundo de Magalhães Jr, DICIONÁRIO DE PROVÉRBIOS, LOCUÇÕES, CURIOSIDADES VERBAIS, FRASES FEITAS, ETIMOLOGIAS PITORESCAS E CITAÇÕES).

 

(Em Brasília, segundo VicenteL., "nosso Dia D é desesperador: desemprego, desencanto, dívidas, desvio de dinheiro, e A DROGA DOS DEPUTADOS DISTRITAIS" ....)

 


 comentários e agradecimentos nos próprios pitacos ...

 Bouncy 4 

 


palmas para o PABLO, PAOLA, PEDRO & POLYANNA - taí uma família cheia de PPPP...portanto, permitam-me presentear-lhes com palavras de poesia, perfumes penetrantes, pedindo aos passantes que participem deste painel de PARABÉNS!!!!!!!!!!

 Raining Hearts 



mineirinha amiga lembra que o mineiro é  perfectivo, peremptório, pachorrento, persistente, prudente, paciente, plástico, probo, precavido, pão-duro, perseverante, perspicaz, paroquial, processional, político, poético, paraopebano, palmirense, plenário, perrenguento, pelejador, pecuarista, plácido, prestimoso, pastoril.

enfim, como diz Guimarães Rosa: Só e no mais, sem ti, jamais nunca! Minas Gerais, inconfidente, brasileira, paulista, emboaba, lírica e sábia, lendária, épica, mágica, diamantina, aurífera, ferríferra, ferrosa, férrica, balneária, árcade, translógica, mítica, assombrada, barranqueira, formiga e cigarra, labriríntica, devota, cigana, magra, capioa, garimpeira, bovina, vacum, revoltosa, longe do mar, Minas sem mar, M