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MARGOT, A FADA ...

http://www.multistudio.com.br/blog/
As noites de MARGOT, a Fada de Avalon, duram 30 horas, como certo Banco. Essencialmente noturna, sai em seu cavalo alado a visitar blogs e homepages, criar novos templates, enchê-los de cor e som. Exímia nas artes de magia, é capaz de transformar o mais descorado site em lindos jardins, castelos, terras de sonho. Age na penumbra, sem ninguém perceber. Tem alma e coração de cristal.
Ela mora no Reino das FADAS - País de localização variável, que só pode ser visitado por quem tem um bom motivo para isso. Seu acesso se faz por várias trilhas que atravessam uma floresta espessa. Perto da beira da floresta há um chalé, e seus quatro cantos são feitos de grandes árvores cujos galhos se entrelaçam acima do telhado. Esses carvalhos protegem o chalé e seus habitantes do freixo maligna que aterroriza mortalmente as pessoas. A mulher que mora no chalé tem sangue de fada e no jardim vêem-se fadas-flores cujo corpo externo as flores propriamente ditas -morre quando as fadas vão embora.
Além de vários tipos de fadas, a floresta abriga criaturas mais sinistras, como gnomos. Eles vivem em um reino subterrâneo, onde não crescem árvores e plantas, e falam uma língua incompreensível para os seres humanos. Divertem-se empilhando-se uns sobre os outros ou enroscando-se juntos, como serpentes. As árvores do reino das Fadas estão cheias de frutos e nozes estranhas, todas comestíveis. A fada tem forma e voz de mulher e protege os viajantes dos gnomos. O amieiro é capaz de mudar de aparência a fim de atrair as pessoas para sua gruta e entregá-las ao freixo. Os animais não são perigosos e sua fala é compreendida pelos seres humanos. Depois de um dia de caminhada pela floresta, o viajante chega a um morro rochoso e escarpado. No seu sopé há uma pequena caverna, com um baixo-relevo que representa a história de Pigmalião. Com mais um dia de caminhada chega-se a uma fazenda que já faz parte do reino das Fadas. Nas imediações, há vários locais interessantes para visitar. A Casa do Ogro é uma cabana baixa e comprida, apoiada em um grande cipreste, no meio de uma clareira. Se abrir a porta de um determinado armário, o viajante encontrará sua própria sombra, que o seguirá por toda parte.
O palácio de mármore branco do reino das Fadas fica às margens de um rio. A noite ele bruxuleia ao luar, que não é refletido por suas janelas. No pátio há uma fonte de pórfiro. Os visitantes se surpreenderão ao ver que os quartos, preparados por mãos invisíveis, são réplicas exatas de seus próprios quartos. Em uma sala de teto azul há uma piscina, tão grande quanto um mar subterrâneo, com grutas magníficas e corais de todos as matizes. A biblioteca contém livros que absorvem de tal modo o leitor que ele se transforma no viajante de um livro de viagens, o herói de um romance ou de uma peça de teatro.
Por fim, o viajante não pode deixar de visitar o chalé da península, aonde se chega através de vários túneis. Enquanto há fogo na lareira, é sempre dia no chalé. Dentro dele há quatro portas: a porta da infância, a porta dos suspiros, a porta do desânimo e a porta da eternidade. É possível retornar por qualquer uma delas, bastando encontrar a marca # no bosque.
O dinheiro é inútil no reino das Fadas e oferecê-lo às fadas é uma ofensa grave. O tempo parece mais longo do que em outros lugares: o viajante terá a impressão de que uma jornada de 21 dias dura 21 anos.
(George Macdonald, Phantastes, Londres, 1858)

[MARtinha] Grande homenagem a uma pessoa generosa, coração enorme, amiga, que não mede esforços para ajudar seu semelhante, um grande SER HUMANO e com letras maiúsculas que existe neste universo virtual: Margot Asas de Anjo. Baci e ciao bella.
02/06/2004 11:52
Escrito por tekka às 17h47
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EXERCÍCIO PRA GOSTAR DE GENTE -
Crônica de Conceição Freitas, do CORREIO
Correndo o risco de ser cabotina, pecado que não mata nem tira pedaço, declaro que sou muito bem tratada por aqueles que me lêem. Por respeito à palavra escrita e aos que se desplugam por alguns instantes para ler algo que lhes chama a atenção (gostem ou não), proíbo-me de usar de brutalidade, mesmo nos momentos de extrema indignação. Quem escreve pede abrigo ao planeta da civilidade. Esteja movido pela razão ou pelo sentimento, pela ira ou pela comoção, ria ou se desespere, tenha vontade de beijar ou de esganar, há um compromisso com a palavra - essa sagrada entidade que dá aos homens a possibilidade de se reconhecer humano. [... ] aproveito a rispidez alheia para dela fazer uma limonada. Ou, pelo menos, espremer o limão, pôr água e açúcar e provar pra ver se deu certo.
Há uma brincadeira de criança na qual a gente tem de escolher a fruta - pêra, uva ou maçã. Gente é que nem fruta. Pode ser delicada como uma mação, instigante como uma uva, limão de tão azeda, ácida como um abacaxi, amarga tal qual um jiló, macia que nem banana, revigorante como uma laranja, doce que nem sapoti. Gente também pode ser uma salada de fruta, banana com os filhos, limão com os colegas de trabalho, jiló quando discorda das idéias de alguém.
Gente também é de cor. Tem Gente azul de tão tranquila, vermelha de tão ardente, preta de tão soturna, roxa de tão bizarra. Tenho medo de Gente cor de gelo, que não discorda de nada, não se entusiasma com nada, segue impassível qualquer que seja a hora do dia, o dia da semana ou o mês do ano. Tem Gente verde por fora e vermelho por dentro, parece tranquila, mas é pura explosão. Há as Gentes que mudam de cor de acordo com o freguês - diante dos poderosos, fica branco-puxa-saco; dos anônimos, bege-indiferente. Há Gente arco-íris, são aquelas que quando abrem a boca reúnem um monte de outras Gentes para ouvir suas histórias de encantamento. Gente preto-no-branco, que diz o que pensa - uma cor cada vez mais rara no mundo das conveniências.
Gosto de gente amarelo-cheguei, laranja-estou-aqui. Tenho medo de Gente furta-cor. Há tantas variações de Gente quantas Gentes há no mundo. E não adianta chorar, Gente não se deixa prender em caixas de lapis de cor. Cada um que se aprochegue à Gente que mais lhe faz bem.
CRÔNICA da CIDADE - CORREIO BRAZILIENSE - 30/5/2004
Por que escrever blogs ou diários?
Segundo Ana Cristina César, "você escreve um diário extamente porque não tem um confidente. Então você vai escrever um diário para suprir este interlocutor que está faltando.O impulso básico de escrever é mobilizar alguém, mas você não sabe direito quem é esse alguém" ...
do blog da Dani e da Stella:
Corrente>>>> Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de você; 2. Abra o livro na página 23; 3. Ache a quinta frase; 4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.
e a letra de STRANGE FRUIT PRA YONE ACOMPANHAR
Strange Fruit
Southern trees bearin' strange fruit, Blood on the leaves and blood at the root, Black bodies swinging in the southern breeze, Strange fruit hanging from the poplar trees.
Pastoral scene of the gallant south, The bulging eyes and the twisted mouth, Scent of magnolias, sweet and fresh, Then the sudden smell of burning flesh.
Here is the fruit for the crows to pluck, For the rain to gather, for the wind to suck, For the sun to rot, for the leaves to drop, Here is a strange and bitter crop.
a letra fala do linchamento de negros no "gallant south", onde o perfume das magnólias se mistura com o cheiro de carne negra queimada - é considerada a primeira canção de protesto, tendo sido proibida nas rádios por muito tempo. Billie Holiday deu-lhe uma interpretação espantosa e tornou-a sua assinatura musical. Foi gravada também por Nina Simone (que alterou um pouco a letra), Abbey Lincoln, Carmen McRae, Sting, UB40, Shirley Verrett, Tori Amos, Cassandra Wilson.
ouça uma versão de Billie em http://cas.bellarmine.edu/tietjen/SoundClips/strange_fruit.htm
mais informação em: http://www.teachervision.fen.com/lesson-plans/lesson-4839.html -
http://www.billieholidaycircle.freeserve.co.uk/
[Stella][stella.klugt@uol.com.br][www.stellapsicanalise.blog.uol.com.br] Querida Tekka, Realmente dá nojo! Mas é tão interessante ver os economistas se desdobrarem para encontrar uma maneira de arrecadar mais dinheiro , como cobrando mais dos aposentados , e outras opções , mesmo com todos os malabarismos , todos pagando mais , recebendo menos , etc , não chega a 1/2 bilhão . O roubo deles leva o pais a falência , nosso futuro é sermos limpadores de latrinas dos outros países do mundo! Nojo! Stella
02/06/2004 01:23
Escrito por tekka às 18h39
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CONTO MÍNIMO: PÂNICO

Ela chegou alvoroçada da consulta. Os olhos brilhavam – finalmente conseguira um nome para seu mal: "síndrome do pânico" – Me perguntou: você sabe o que é isso? Confessei que já ouvira falar, mas me faltavam detalhes. Ela foi eloqüente: é disso que eu sofro! Meus ataques de falta de ar, o coração disparado, achar que vou morrer – cada crise é um tormento, cada vez eu morro, sei que é de medo, mas eu morro. Também, pra que essa vida besta, meu Deus? Vivo só para o trabalho que nem é reconhecido. Sou uma artista, pinto azulejos, e ainda ajudo na igreja – minha vida é só isso. Não saio mais sozinha, muitas vezes já parei gente na rua, pedindo "me socorra, estou morrendo". Teve um que até fez o nome-do-pai, cruz-credo. Eu estava pálida, suando muito, parecia mesmo que ia morrer dessa vez. Deitei-me na grama, alguém chegou, pedi "me abane, moça, estou ficando sem ar". Ela, em vez de ficar comigo, saiu em disparada, gritando: ambulância, gente, tem uma pessoa morrendo aqui. A ambulância veio, fui parar na Santa Casa, muita gente na minha frente, me deram uma injeção e me disseram fica calma, já vai passar. Respire fundo, relaxe e respire fundo – logo as duas coisas mais difíceis pra mim: relaxar e respirar. Faço força o dia inteiro para respirar. Fico com inveja vendo todo mundo passando, respirando sem fazer força, mas eu não, tenho que controlar cada respiração, senão o ar não entra. Tem hora que fico meio zonza, começo a puxar o ar com mais força, preciso fazer barulho para sentir o ar entrando – sim, faço yoga, a professora me ensinou a fazer de conta que sou uma flauta de bambu, que a respiração vem naturalmente. Quando estou na aula vem sim, mas quando estou indo para casa o ar acaba. No shopping, então, é fatal: se olho uma vitrine que tem alguma coisa que eu gosto, começo a ficar sem ar. Disfarço, peço um pouco d’ água. Outro dia foi no correio – estava despachando uma encomenda e o moço demorou muito pesando a caixa, colando a etiqueta, fui amolecendo, dei um grito e pedi para ir ao banheiro. Me deitei no chão frio, alguém vinha vindo, mas não consegui me levantar. Está precisando de médico ou padre? perguntou meio desconfiada – trouxe um copo d’ água, me lembrei de um verso: "os que vão morrer precisam de tão pouco, uma flor, um copo d’ água"... me arrepiei toda – então era isso? Eu que ia morrer só precisava de um pouco d’ água. Lembrei-me da flauta de bambu, fui respirando mais devagar, fazendo barulho com a boca. Fui voltando, sentei devagar, o moço me avisou que eram sete reais. Paguei, peguei o recibo e saí, todo mundo me olhando desconfiado. Ainda tinha outras coisas pra fazer, mas voltei logo pra casa – sempre dá certo, quando chego em casa melhoro logo. Quando estou longe, pego um táxi, aí melhoro rápido. Outro dia, mesmo estando em casa, cheguei na janela e de repente estava gritando: acode gente, tou morrendo. Pegava no pulso, não conseguia contar – alguém chamou a UTI móvel, o médico me perguntou se eu estava ansiosa, vai tomar um diazepam, fica boa logo – notei seu risinho. Quando isso começou, eu fazia terapia com um psiquiatra – ele quase não falava nada, esperava eu "elaborar" meus pensamentos, de vez em quando falava em "figura materna", ou "você se lembra de ter sido abandonada na infância?" – eu dizia que não, naquelas horas não me lembrava de nada, ele dizia não tem importância, seu inconsciente vai lembrar. Me passava uma receita branca e uma azul, mandava voltar na próxima semana, não me esquecesse de relaxar e respirar fundo. Sugeriu aulas de natação, mas eu ficava apavorada só de me imaginar relaxando, e respirando, e nadando – era demais pra mim. Na outra semana ele me falava em instinto de morte, em negação de eros, que é vida, você está desistindo de viver? Volte na próxima semana, não fez nenhum progresso ele me dizia. Mas agora eu sei! Hoje fiquei sabendo: é pânico, síndrome do pânico. Então é isso, isso tem nome, então deve ter cura – eu perguntei: o sr. tem certeza que não vou morrer disso? Tenho, ele respondeu, tanto que estou marcando sua volta para segunda feira no mesmo horário. Tem certeza mesmo? Tenho, repetiu ele. Então eu disse sim, eu volto segunda feira, eu disse sim, eu volto sim.
ESTAMOS OUVINDO "STRANGE FRUIT" na voz de Nina Simone, graças à varinha mágica da Fada MARGOT ... a versão clássica é de Billie Holiday - quem encontrar vai-se arrepiar ...
Escrito por tekka às 02h22
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VAMPIROS ...
Vampiros em Brasília não são nada DOCES ... sugam pra valer: no momento a "mordida" está em 2 bilhões, só no caso dos BANCOS DE SANGUE ... mas se fosse só isso! funcionários graduados podem "fazer pesquisa" em casa, com seus (da nação) laptops e suprimentos, a semana de trabalho parlamentar é conhecida como TQQ (terça, quarta e quinta), viagens à China e outros países sempre voltam por Paris (é claro!), aposentados de 10.000 reais podem faturar + 10.000 por mês, voltando à ativa mas com "animus" de aposentado - afinal, ninguém é de ferro... na "iniciativa privada", escolas-vampiras faturam mais que petróleo, a indústria-vampira do livro escolar é avassaladora, um livro de 1° gráu custa 49,00 cada, as mochilas vão em "carrinhos" pra transportar o "peso do saber" ou "bagagem cultural", planos de saúde se locupletam ... VAMPIROS, taí uma boa idéia para animal-símbolo da pátria... em matéria de sangue, sou mais o TARANTINO - o sangue lá é explícito ... KILL BILL, KILL BILL, KILL BILL!!!!
amigo meu lembra que, a continuar o VAMPIRISMO, o famoso verso "criança, não verás país nenhum como este" será substituido pelo dito de Inácio de Loyola Brandão: NÃO VERÁS PAÍS NENHUM ...
hoje (29/5) a PF localizou lanchas, mansões, apartamentos e carros importados dos 11 VAMPIROS da SAÚDE ... vejam os olhos de vampiro do Jader Barbalho: puro-sangue! "desvio" de 25 milhões ... Câmara Legislativa de Brasília custa, sem fazer NADA pelo "povo", R$ 227 milhões por ano, o que daria para construir 227 escolas novas, bem equipadas ... KILL BILL!!!!!!!
''Kill Bill'' foi acusado, por alguns críticos nos Estados Unidos, de ser ''o filme mais violento jamais feito em Hollywood''. Exagero. A obra é tão cartunesca e exagerada que chega a ser engraçada, uma grande comédia. Em certo momento, Uma enfrenta a gangue dos 88 Loucos, numa seqüência para deixar Neo e os inúmeros Agentes Smith virtuais de ''Matrix Reloaded'' constrangidos. Cada braço decepado, cada abdômen perfurado, cada cabeça arrancada gera rios de sangue, esguichos que inundam as roupas, numa reação tão intensa quanto obviamente falsa. Para Tarantino é tudo uma grande piada, mas contada de forma tão apaixonada e divertida que é quase impossível não se deixar levar.
Ainda mais que temos na frente de tudo isso uma atriz vivendo um momento único em sua carreira, numa atuação arrebatadora e impecável. Thurman, que por esse desempenho foi indicada ao Globo de Ouro e ao BAFTA (o Oscar inglês) como Melhor Performance Feminina do ano, alterna momentos de drama, graça e intenso furor de modo primoroso, fazendo-a merecedora de todo elogio possível. Como disse a própria, ''Kill Bill'' é mais do que um mero filme - é uma experiência. E que venha o ''Volume 2'' o quanto antes!
Escrito por tekka às 02h07
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NOVA SULAMITA

(ou de como Paulo Mendes Campos "atualizou" os Cãnticos de Salomão)
-Vem, amada minha, vamos lutar de amor no cosmo,
vamos morar no céu de ninguém.
Levantemo-nos de manhã para ir ao céu. Vamos ver se deu flor na Lua.
-Eu te tomarei e te levarei à casa de minha mãe.
Eu te darei a beber a Dietilamida do Ácido Lisérgico.
-Quem é esta que sobe aos anéis de Saturno,
armada até os dentes?
Eu te despertarei no Mar da Tranqüilidade. Tu me conduzirás
ao Mar das Tormentas.
-Faze comigo a tua viagem sideral. Põe-me a mim
como uma guerrilha sobre o teu coração. Porque o amor
é valente como a guerra.
-O zelo do amor é inflexível como o computador eletrônico,
e minha guerra está adiante de mim. Ó tu, a que habitas
no espaço, faze-me ouvir a tua voz. Eu te farei
um chemisier ligeiramente évasé com todas as gradações
do verde-água. Um pareô de prata te comprarei,
com uns rolotês de ouro cruzando por ilhoses de platina. Eu te
vestirei depois de napa reluzente.
-Eu me vestirei da cabeça aos pés com uma écharpe
de musseline. Para ficar visível ao meu amado. Eu busquei
no azul aquele a quem ama a minha alma. Busquei-o
e não o achei. Levantei-me e rodeei a galáxia. Busquei no
vácuo sideral aquele a quem a minha alma ama. Os guardas,
que rondam a Via-Láctea, me encontraram e eu
lhes disse: - Viste aquele a quem ama a minha alma? A
milhares de quilômetros, que me tinha apartado deles,
achei eu a quem ama a minha alma. Dei-lhe uma
rajada de fogo. E não mais o largarei, até o introduzir
no apartamento de minha mãe, e o levar à câmara
daquela que me gerou. Eu sou a chama, e eis que o meu amado
vem saltando sobre os astros, atravessando
o campo fecundado de estrelas.
- No vale das crateras lunares te amarei. Oh! como és bela,
amiga minha! Os teus olhos são como o napalm,
que se fecham com o zíper de teus cílios lilases. Teus cabelos
são como as labaredas dos conversores Bessemer. Teus
lábios são como uma fita de polímeros escarlates. Como é o
vermelho do hidrogênio inflamado assim é o nácar
de tuas faces. Teu pescoço é como
a torre de Cabo Kennedy. Teus peitos são como os
caças a jato, velozes e terríveis. És toda formosa,
amiga minha, em ti não há pespontos. Vem do espaço,
amiga minha, vem do espaço; coroada serás de agapantos
nos altos do universo. Tu feriste meu coração,
irmã minha, esposa, tu feriste meu coração com o
raio laser da vida, e com teus cabelos lavrados. Em ti
o plástico e a cor encontram sua moradia. És toda luz,
feita de fótons. És como um campo magnético. Minha amada
é ás vezes invisível e sensível como o ultravioleta. Minha
amada é às vezes como o infravermelho. És formosa
e secreta como uma industria de material bélico,
e as tuas produções são uma fonte de água pesada.
-Levanta-te, teleguiado, e vem tu, destrói
o meu jardim. Que verás na Sulamita senão os coros
de música no espaço dos exércitos?
- O teu umbigo é como o atol de Bikini, onde
os corais ainda são inocentes. Teu ventre é um campo
minado, cercado de açucenas. Teus olhos são como a piscina
do reator nuclear, e o teu nariz é como radar olhando
para o deserto. A tua cabeça é como o Monte Carmelo,
camuflado em ondas de ouro. Quão terrível és,
ó caríssima, nas delícias! O cheiro de tua boca
é o de nardo puríssimo; por ele o Rei Salomão daria
um terço de suas concubinas. A tua estatura é semelhante
a uma torre de lançamentos espaciais. Eu disse:
subirei à torre. E serei lançado no espaço. Vem, amada,
vamos para o céu de ninguém.
Escrito por tekka às 01h11
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NIVER DA ANTONIETTA
Antonietta faz niver hoje - é uma grande amiga - minha e do blog - então vai aqui um grande abraço de PARABÉNS!!!

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade
É o mar misturado
ao Sol.
Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.
Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então ...
_ Jamais a esperança
Sem movimento
Ciência e paciência
O suplício é lento.
[ .... ]
Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
(Rimbaud, o "poeta maldito", que escreveu sobre o corpo, o instinto, a explosão dos sentidos, e é considerado o precursor do surrealismo)
Escrito por tekka às 00h48
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Lugar imaginário da BETA >>>>>>

Beta nasceu e foi criada em DICIONÓPOLIS, ou cidade das PALAVRAS. Cidade rival de DIGITÓPOLIS, nos contrafortes da Confusão, acariciada pelas brisas do mar do Saber. Dessa cidade fortificada vêm todas as palavras do mundo. Elas são cultivadas em pomares e uma vez por semana realiza-se uma feira em que as pessoas compram as palavras de que precisam e trocam as que não usaram. Há também letras isoladas, para aqueles que desejam fabricar suas próprias palavras, os visitantes devem conhecer o gosto das letras antes de comprá-las: o A é muito gostoso, mas o Z é seco e tem sabor de serragem. a X é como ar viciado, o 1 é gelado e refrescante, o C, crocante, e o P, cheio de pevides. Um connaisseur francês preferiu descrever as letras de acordo com as cores: o A era preto, o E, branco, o I era vermelho, o O verde, e o U era azul.
Dicionópolis é uma monarquia constitucional. O rei Azaz, o Completo, criou um gabinete de ministros que garantem que todas as palavras vendidas existem e têm sentido: o duque da Definição, o ministro do Significado, o conde da Essência, o conde da Conotação e o subsecretário do Entendimento. A certa altura, o rei Azaz delegou a sua tia-avó Vagamente Macabra a responsabilidade de decretar quais palavras deveriam ser usadas e quando. Baseada no principio de que a "brevidade é a alma do saber", miss Macabra se tornou cada vez mais avara, guardando mais e mais palavras para si mesma. As vendas caíram no mercado das palavras e, por fim, cessaram quando ela pôs um cartaz que dizia "o silêncio é ouro". O próprio rei jogou-a numa masmorra.
O palácio real se parece fisicamente com um livro enorme de pé, com uma porta no lugar usualmente ocupado pelo nome da editora. Dentro, as paredes e tetos estão cobertos de espelhos. Ali se realizam banquetes em que os convidados devem fazer discursos, listando itens de alimentos que imediatamente aparecem na forma de palavras. Depois, os convidados literalmente comem suas palavras. Em ocasiões especiais, idéias semiprontas são fornecidas pela Meia Padaria. Embora gostosas, elas nem sempre caem bem, e sabe-se de gente que levou anos engolindo algumas delas.
Conforme as leis de Dicionópolis, as pessoas não podem semear confusão, medir as palavras, roubar tempo ou perder a cabeça. Todos os visitantes devem ter uma razão, explicação ou desculpa para o que fazem, mas, não tendo outra saída, "por que não?" é um bom motivo. Ao utilizar o shandrydan (carroça de madeira) que atravessa a cidade, aconselha-se o turista a ficar em silêncio: o shandrydan anda sem falar.
(Norton luster, The phantom tollbooth, Londres, 1962)
mara mais mirtes mais marta e maria
foram brincar à beira-mar um dia:
mara achou uma concha a ressoar
tão bem que se esqueceu de seu pesar;
mirtes ajudou uma estrela encalhada
com seus cinco pontais feitos de nada;
marta saiu fugindo como louca
de um bicho a lançar bolhas pela boca;
maria trouxe um seixo que continha
o mundo e a vastidão de estar sozinha;
eu ou tu que se perca, hás-de encontrar
sempre a ti mesma à beira-azul do mar
(tradução de Paulo Mendes Campos)
A DOR QUE MAIS DÓI É A DOR DO OLVIDO ...
Resposta a R.: 1) sim, a imaginação é um processo de luta contra todas as impotências da idade tecnológica, aparece na origem de todas as formas de criatividade - sendo, portanto, estruturante e coesora das criatividades - de desejos que contradizem as leis da realidade conhecida, que os tornam, ainda que irrealizáveis, representáveis e comunicáveis, sustentando a justificação do desejo de transgredir o possível e provocando, pela comunicação dos imaginários, satisfação e estimulação.
2) sim, a solidão se faz atraente nas horas de dor ou decepção - por lhe faltar a atenção de um olhar, a ternura de uma voz, a doçura de uma carícia, o calor de um gesto, o desejante sem rosto amado que lhe devolva o seu, perdido, torna-se no próprio corpo massa de carne, ao anonimato entregue, no devir parado, levado de volta ao diálogo narcísico com seu próprio corpo.
(as observações acima são de Françoise Dolto, em SOLIDÃO - espero ter atendido ao que você precisa - abraços, tekka)
Escrito por tekka às 02h27
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BETA pouco brincou de boneca: quebrou-a, expondo seu ventre de molas. Cedo descobriu brinquedo melhor - AS PALAVRAS. No princípio, o verbo, depois o substantivo, os adjetivos, conjunções e preposições, particípios, pronomes. Logo seguiram-se as figuras de linguagem - apaixonou-se de pronto pela metáfora.
Soprava sílabas como bolhas de sabão: cri-sá-li-das, cri-sân-te-mos, cris-par, lu-zir, a-noi-te-cer, fe-li-na, hi-bis-co, gér-be-ra.
Caiu no abismo poético de Manoel de Barros, voltou marcada de inerências para sempre. Guarda sua coleção de palavras em caixinhas, conforme o valor simbólico: tem as de 1,99 (palavras de ocasião), as de médio preço (usadas no dia-a-dia). Em caixinhas pretas, guarda as que nunca pronuncia ou só diz na boca de um buraco. As de altíssimo valor, ficam em caixas especiais:
Na prateleira de cima, há uma caixinha nacarada, com lacre: "matéria de poesia", onde ela guarda as palavras de Manoel de Barros. Há várias outras caixinhas singulares, dedicadas a: uma certa V.W., uma AnaC., uma Clarice, um certo Raduam.
Algumas palavras ela só diz à meia-luz ou ao pôr-do-sol, ou deixa-as rolando no céu-da-boca: ve-lu-do, vio-le-ta, ve-lu-do-sas vozes.
Aprecia brincadeiras de aliterações, como: revolvia-se na relva, relutante entre rosas rasteiras e rododendros. Descobre sujeitos ocultos, manda bem nos verbos. Alguns advérbios ela os bebe lentamente com chá ou absinto.
Certas palavras a deixam pálida de espanto: madrepérola, aurora, ânfora, luar, esplêndido, metamorfose, esmeraldas.
Treme de febre à simples menção de: firmamento, oceano, solidão, negrume, penumbra, vagalumes - são palavras que misturam "azul, ouro e carvão" ...
É dada a epigramas e cantigas. A poesia lhe cai bem.
AS PALAVRAS AÉREAS / Cecília Meireles
Ai, palavras, ai, palavras
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota ...
###
A PALAVRA SEDA / J. C. de Melo Neto
A atmosfera que te envolve
atinge tais atmosferas
que transforma muitas coisas
que te concernem, ou cercam.
E como as coisas, palavras
impossíveis de poema:
exemplo, a palavra ouro,
e até este poema, seda
É certo que tua pessoa
não faz dormir, mas desperta;
nem é sedante, palavra
derivada da de seda ...
Escrito por tekka às 02h14
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GAEL DE MOTOCICLETA ...

"A fraqueza do projeto está no modo como encara a figura de Guevara. É visível a tentativa de despir o símbolo revolucionário e revelar um sujeito de carne e osso. Mas é tarefa, no fim das contas, falha. A atuação convincente de Gael García Bernal mais esconde o fato de que Diários está mais interessado em celebrar os valores que gravitam em torno de Guevara - e nisso, sai-se bem - do que em investigar o personagem de forma mais complexa e, certamente, controversa" - Tiago Faria do Correio Braziliense, Cinema, de 7/5/2004
Filme sobre Che Guevara reacende debate sobre o mito
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u44051.shtml
Vem e vai, ele reaparece. Nos últimos anos, não há encontro antiglobalização em que não apareça. Boa parte dos que vestem a camiseta não o fazem porque sabem que, por trás do olhar perdido, Che sonhava com o "pan-americanismo". Ou por conhecerem sua rota americana. Ou, ainda, seu fracasso na África --contado em "Passagens da Guerra Revolucionária: Congo" (Record).
Parece que, além da "moda", o que move os jovens rumo à persistente figura de Che tem mais a ver com aspectos ligados à personalidade do que a seus ideais.
A maioria dos jovens entrevistados pelo Folhateen no México, por exemplo, disse "saber pouco" sobre como Che pensava. Apesar de se lembrar de conhecer sua existência "há muitíssimo tempo", quase nenhum buscou mais informação do que a ouvida quando criança.
A palavra que se destaca é "idealismo", seguida de "liberdade" pessoal ou política e de "luta anti-EUA". É sobre esse tripé que se apóia, pelo que se pôde constatar, a sobrevivência do mito.
Francesca Angiolillo no link acima
Pergunta a Gael: qual o significado de lembrar da história hoje, para um público com tanta informação sobre Guevara?
Gael: acredito que, com o tempo, houve distanciamento da hsitória real de Guevara. A própria figura dele, contestadora e revolucionária, ganhou outros significados. Às vezes, até mesmo comerciais. Por isso, é válido retomar essa história de idealismo dentro do contexto social do mundo de hoje. A trama também mostra o quanto se desconhece sobre a América Latina. O filme cria certa cumplicidade, especialmente com quem vive no continente. É um clima de descoberta mesmo.
sites: http://cinemacenter.ig.com.br/diarios-de-motocicleta.htm , http://br.starmedia.com/entretenimento/46.html e GALERIA DE 341 FOTOS DO GAEL em www.latinguia.com/search
breve, mais GAEL em "La Mala Educación", de Almodóvar
Michael Moore leva a Palma de Ouro em Cannes / da Folha Online
A Palma de Ouro do Festival de Cannes foi concedida neste sábado (22) ao diretor norte-americano Michael Moore, por seu filme "Fahrenheit 9/11", que traz críticas ácidas e diretas ao governo de George W. Bush.
Ontem, Moore havia recebido o prêmio da crítica internacional por seu filme.
Depois de boas recepções tanto da crítica quanto do público, o filme "Diários de Motocicleta", do diretor brasileiro Walter Salles, também foi cotado para a Palma de Ouro, mas não levou nada oficialmente.
O filme de Salles recebeu ontem o Prêmio François Chalais 2004, concedido pelo Ministério da Cultura francês e pelo Centro Nacional de Cinematografia da França, no Festival de Cannes.
Outros prêmios
O Prêmio de Melhor Diretor do Festival de Cannes foi concedido ao francês Tony Gatlif, pelo filme "Exílios", anunciou o júri.
O Grande Prêmio do Júri do de Cannes foi concedido ao filme sul-coreano "Old Boy", de Park Chan-wook.
O japonês Yagira Yuya ficou com o prêmio de Melhor Ator do Festival de Cannes, por seu papel em "Nobody Knows", do diretor Hirokasu Kore-eda.
A atriz chinesa Maggie Cheung conquistou o prêmio de Melhor Atriz por seu papel em "Clean", do francês Olivier Assayas.
O prêmio "Um Certo Olhar" foi atribuído ao único filme africano selecionado "Moolaadé", do senegalês Sembene Ousmane, e o Prêmio do Olhar Original foi para "Whisky", filme uruguaio de Juan Pablo Revella e Pablo Stoll.
O júri da mostra paralela concedeu um terceiro prêmio, intitulado Olhar para o Futuro, a "Terras e Cinzas", do afegão Atiq Rahimi.
"Um Certo Olhar" é uma seleção oficial fora de concurso do Festival de Cannes (e não paralela como a Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica).
Com informações da agência France Presse
Atenção, Flávio e seus Legionários!!!
IACI SZAJN <luadafloresta@yahoo.com.br> 05/17 5:03 pm >>>
Show de encerramento da exposição Renato Russo Manfredini Júnior
Com as bandas Liga tripa, Beto Só, Phonopop, Prot(o), 10zer04 e Plebe Rude
Data: 23 de maio (Domingo)
Horário: a partir das 16h
Local: Área externa do Centro Cultural Banco do Brasil * Brasília * DF
SCES Trecho 2 * Lote 22
ENTRADA FRANCA
Mais Informações: 9982-7665/ 9288-1036 e 273.8453
Escrito por tekka às 12h56
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A CARTA ...
Recebi email de uma pessoa amiga, perguntando se "surtei", e o por quê de carta "tão arrogante" ... dei-lhe a seguinte resposta:
Minha Prezada, sobre a CARTA, tenho a dizer-lhe o seguinte:
1 – foi escrita como exercício de terapia de grupo de "reparentalização", em que cada um adotava "novos pais" no grupo e se despedia dos antigos pais – a versão que aí está é a versão "light" do que escrevi...
2 – "a arrogância" é a mesma de todo jovem, que não quer viver "como nossos pais", ou quer matá-los dentro de si, no que representam de travamento da curiosidade e sede de viver
3 – se eu entregaria a carta "de verdade"? – acho que não – seria provocar um sofrimento que jamais seria compreendido – é como um segredo gritado dentro de um buraco e sobre o qual se joga terra – mas se deixa uma marca do lugar, para eventual volta ao local do crime...
4 – o que que realmente eu queria dizer? Talvez: "olha mãe, olha eu aqui, SEM AS MÃOS" ...ou... SEM AS SUAS MÃOS ...
5 – quando eu falei de "minha inteligência", isso não tinha razão valorativa, eu queria dizer que agradecia a possibilidade de tentar entender o mundo, as coisas, as pessoas. Ou: a capacidade de LER O MUNDO, de Paulo Freire, dentro dos limites naturais – não em sentido de vangloriar-me, sacou?
6 – se eu gostaria de receber tal carta de filho meu? – acho que não, não estou pronta para a verdade ...
7 – como eu vivo hoje, já que não os tenho mais?
- Minha vida é um "lugar-comum" ...
- sou mais eu, mesmo "gauche na vida" ... luto diuturnamente pra não surtar de vez
- NINGUÉM ASSISTIU AO ENTERRO DE MINHA ÚLTIMA QUIMERA ...
agradeço os pitacos amigos de Boo, Rose, Margot, Yone, Dani, PeterPan, Beta, Tati, Mel e Roberta Estevam
Peter: vc viu que Michael Jackson vai leiloar NEVERLAND?????
Escrito por tekka às 17h46
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MAIS DO MESMO / final
Flávio: a expo termina dia 23, então vou fazer a última "cobertura" do assunto:
Além do majestoso catálogo da exposição, produzido pelo Banco do Brasil e vendido aos mortais comuns a 40,00, há um livro de Angélica Castilho e Érica Selihude: DEPOIS DO FIM – vida, amor e morte nas canções da Legião Urbana, Editora Hama, 2002.
Renato tinha fortes sentimentos místicos em relação a Buda e Jesus Cristo; lia o Tão Te King, o Bhagavad Gita e o Novo Testamento. Ficou excitadíssimo quando encontrou num hotel um livro com a doutrina budista: "ta tudo aí, ta tudo aí!". O RUSSO tirou esse nome do filósofo inglês que ele idolatrava, Bertrand Russel. Seu alter-ego era o Eric Russel, que ele inventou juntamente com a 42nd. Street Band.
Entre os fãs-clubes, há uma Banda de Brasília, ROSA DO POVO, que dedica a música DIREITOS HUMANOS a Renato – o refrão: O AMOR É A MAIS ALTA RAZÃO.
O céu é muito mais que o campo aberto
E o ponto alto do seu olhar
Quando o sonho vence.
Quem ama tem sempre
Alguma coisa para lembrar e dizer
Do teu lar farei masmorra
E do amor o mais escuro sacrifício:
Só ilusão terás por pão
E tua água NÃO!!!! (R.R.)
Mas o amor é bem-aventurado
Disciplina é liberdade
E amizade uma bênção
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
E ter virtude, riqueza!
O LEMA DA Legião é URBANA LEGIO OMNIA VINCIT: A LEGIÃO URBANA E O AMOR TUDO VENCEM!!

blue thoughts para Dani
O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído
"...Devia ter me importado menos Com problemas pequenos Ter morrido de amor Queria ter aceitado a vida como ela é A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier..."
- Eu: **Daniela** passei por aqui às 08h45 [ (0) Comente] [ Gostou? Compartilhe... ]
já se sabe quem veio primeiro, O OVO ou A GALINHA?? A GALINHA! primeiro atiraram uma galinha preta na Prefeita, hoje foram os OVOS ... logo ...
Escrito por tekka às 11h55
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Carta aberta a Papai e Mamãe ...
(aos cuidados de Luiza)
Estou indo fazer 20 anos e, pensando bem, acho que não tenho o prazer de conhecê-los, e acho que também não me conhecem. Parece que foi ontem, não? Vocês ficaram orgulhosos com a minha chegada, e começaram a fazer planos para mim - como seriam minhas roupas, meu cabelo, meu jeito de sentar, meus estudos e, principalmente, "meu futuro". Pois gostaria de dizer-lhes que esse "futuro" já chegou e se transformou num belo "presente" - de onde não pretendo sair tão cedo.
Sinto que vocês, em algum momento, me dão a impressão de se sentirem explorados e, também, de não se sentirem amados o bastante. Se eu pudesse chegar a vocês, desarmada e leve, tentaria lhes pedir para verem em mim a pessoa que me tornei e não só a filha que às vezes deixei de ser.
Além do que aprendi em casa, fiquei conhecendo o mundo, com suas venturas e desventuras, e confesso que estou gostando. Gostaria de poder compartilhar com vocês um pouco das minhas descobertas, e lhes pedir que sejam leves consigo mesmos, não esperando de mim uma perfeição que nem sei se me interessa. Aprendi muito com a dedicação de vocês e sou grata pelos cuidados e, mais ainda, por me terem deixado andar com minhas próprias pernas. Com elas, irei fazendo meu caminho ao passar, e, nas encruzilhadas da vida, me deixando tomar pelo espanto do que ainda não conheço. Sei que sonham com minha estabilidade pessoal e profissional, mas sou uma obra em progresso e em processo, que nunca vai estar "acabada" e, portanto, nunca vai acabar.
Não sei nem posso dar-lhes amor incondicional - ou automático. A cada dia basta seu cuidado e seu fardo ou sua glória. Tenho hoje uma visão diferente da vida eternamente posta em sossego. Sou inquieta e deixo os outros assim - mas sei cuidar de mim, tenham certeza.
Há vários dons que herdei de vocês - minha integridade física, meus traços fisionômicos e meu corpo (que aprecio), minha inteligência e minha saúde. Não sou nem quero parecer ingrata, pois embora haja um tipo repulsivo de gratidão, a ingratidão é crime inafiançável. Assim dou-lhes os créditos nos letreiros, na trilha sonora, no script. Já na direção e atuação, estou procurando exercitar-me sozinha.
Não depositem expectativas exageradas em mim - deixem-me apenas viver, pois em mim há muitas auroras que ainda não amanheceram. Não nos deixemos envolver por culpas mútuas, mas sintamos o que nossa vidas se tornaram: VIDA, com letra maiúscula. Tampouco me desejem "felicidade" - prefiro buscá-la à minha maneira e, quando o acaso ou a intenção nos reunir, que nos sintamos à vontade, sem agressões mútuas nem cobrança absurdas pelo que não pudemos fazer. Já que estamos vivos, estamos sujeitos a erros e acertos. Podemos, até, tirar proveito desses erros. Vamos tentar? Meu aprendizado extracurricular inclui o aprendizado da alegria que eu possa extrair do meu deserto. Podem crer: neste momento, estou comprometida com a vida que vocês me deram e que aceito de bom grado. Até breve.
um beijo, tekka
p.s.: foi uma vida e tanto, não foi?
esta carta foi escrita há bastante tempo e nunca foi enviada aos destinatários ... então ...deixo-a aos cuidados de Luiza
Clarice Lispector
DÁ-ME A TUA MÃO Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.
o que é feito de pedaços precisa ser amado! Manoel de Barros
Escrito por tekka às 21h28
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CIDADE DAS MULHERES - para Mel

Andei visitando o país imaginário de minha amiga Mel, de http://algumaspalavras.weblogger.terra.com.br e encontrei a ILHA DAS DAMAS, assim constituido:
GRANDE MÃE ou ilha das DAMAS. República de mulheres localizada no oceano Pacifico. Essa ilha montanhosa que tem de cinco a seis quilômetros de comprimento estende-se como uma ferradura em torno de um grande golfo que constitui seu único porto. O restante da costa é escarpada. Uma fina coluna de fumaça exala constantemente de um dos dois picos vulcânicos da ilha, de quase mil metros de altura. Abaixo das montanhas estende-se um vale fértil, em terraços, regado por fontes límpidas. Ali se cultivam café, tabaco, pimenta, canela e cana-de-açúcar; abundam aves e animais de caça, bem como peixes.
A ilha foi descoberta num dia 2 de fevereiro, no começo do século XX, quando os botes salvavidas do paquete Cormorant, que naufragou entre Hong Kong e San Francisco, ali encalharam.
Os únicos passageiros que se salvaram foram mulheres e meninas, com a exceção de um menino de catorze anos chamado Phaon. Para combater a histeria e a desespero de suas companheiras de naufrágio, a mulher mais velha se nomeou presidente.
A vida na ilha se organizou sem dificuldades, pois os botes estavam equipados com ferramentas e viveres. As mulheres construíram uma Cidade das Damas, composta de tendas de bambu dispostas em circulo. Havia uma tenda de leitura e, graças a uma Bíblia salva do desastre, uma tenda-igreja, a Nossa Senhora das Damas. No primeiro ano inaugurou-se uma casa de reuniões, cuja sala de jantar foi mobiliada no estilo Van der Velde graças a uma mulher que fora membro da colônia de artistas de Darmstadt. O material de escrita, que também fora salvo, permitiu que as mulheres mantivessem uma crônica de seu progresso na ilha. As mulheres estavam muito felizes, rejeitando a vida que ate então haviam levado no mundo patriarcal.
Cerca de um ano após o naufrágio uma das mulheres deu a luz um filho que ela considerou encarnação de Krishna e filho do deus Mukalinda, que lhe apareceu num sonho místico. Outras procriações sobrenaturais resultaram no nascimento mensal de mais crianças na ilha. Uma vez que ninguém estava muito disposto a tentar descobrir a paternidade natural dessas crianças, desenvolveu-se um culto ao linda pelos acasalamentos místicos e ergueu-se um templo a Mukalinda. Mas o numero crescente de crianças incluía naturalmente alguns meninos, e as mulheres passaram a considerá-los uma ameaça à sobrevivência do culto e de sua sociedade matriarcal. Decidiram então exilar os meninos com mais de cinco anos num canto distante da ilha, que chamaram de "Terra dos Homens".
Enquanto as mulheres continuavam devotas a seu culto, os meninos, sob a liderança de Phaon, dirigiram sua atenção para objetivos mais concretos. Nos dez anos seguintes desenvolveram várias artes, em particular aquelas relacionadas com a utilização da madeira. Chegaram até a construir uma pequena frota de barcos. Sua destreza levou ao aparecimento de um deus na Terra dos Homens: a Mão Sagrada.
RESPOSTAS: Rose! para a maioria das pessoas, a "questão" feminina é um supérfluo, uma frescura, mas vc que lida com situações-limite, sabe que a coisa é bem diferente e não resolvida NO MUNDO TODO...grata, tekka
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Paty: vc faz jús ao seu nick...EAGLE-EYE...o olho que tudo VÊ!!grata, tekka
Escrito por tekka às 03h58
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nem sempre o final é o desejado ... e...
Depois de algum tempo, a inexplicável queda no número de nascimentos em Grande Mãe levou à irrupção de uma espécie de psicose. As jovens se precipitaram para os templos e os incendiaram. Um grupo de rapazes impediu que elas causassem mais danos e içaram a nova bandeira da ilha, agora com a inscrição "Homem".
(Gerhardt Hauptmann, Die Insel der grossen Mutter oder das Wunder Von Ile dês Dames. Eine Geschichte aus dem utopischen Archipelagus, Berlim, 1924)
Mas as Mulheres não desistiram de ter o seu próprio reino e se mudaram para BABILARY, ilha situada no mar da China Oriental, a sudoeste do Japão, capital Ramaja. A ilha caiu sob o domínio das Mulheres na batalha de Camaraca - elas, além de guerreiras e piratas, são também músicas e poetas. Os homens restantes em seus haréns não recebem educação alguma e somente precisam se preocupar com a aparência - casando-se com algum deles, somente elas têm o direito de pedir divórcio. A religião babilária possui dois deuses: Ossok para as mulheres e Ossokia para os homens. Na língua nativa, Babilary significa " à glória das mulheres" ...
(Abade Pierre François Guyot Desfontaines, Le Nouveau Gulliver, Traduit d'un Manuscrit Anglois, para Monsieur L.D.F, Paris, 1730)
No século XV, Christine de Pizán escreveu O Livro da Cidade das Mulheres, que é uma alegoria baseada sobre o livro de Boccacio De mulieribus claris [On Famous Women], o primeiro livro da literatura ocidental a falar das mulheres famosas. Mas ele só lista mulheres da antiguidade, e as trata como espécimes anormais da feminilidade.
Com Pizan, pela primeira vez as Mulheres ganham uma forte defensora. Nunca mais as vozes em defesa da Mulher se calariam, mesmo na época em que foram sacrificadas como feiticeiras. Pizan aponta questões femininas que são importantes até hoje: falta de acesso à educação, a acusação de serem indutoras de estupro e de trazer o mal ao mundo. Aborda também a violência no casamento, o espancamento por parte de maridos bêbados e discute as fontes de opressão da mulher com Lady Razão. Ela usava a lógica e sua devoção cristã como base de seu feminismo.
Usando o vernáculo (uma revolução na época) ela discute com Lady Razão a motivação da misoginia dos homens, e levanta a questão da virtude das mulheres suas contemporâneas, para que a questão não ficasse relegada ao passado mitológico.
Na 2ª parte, Lady Retidão constrói a Cidade Das Mulheres, com ruas, lojas, e outros espaços públicos e privados. A Cidade fica pronta e Lady Justiça toma as providências para povoá-la com as melhores e mais dedicadas mulheres. Mas a história mostrou que esse elenco era constituido apenas de seres devotados, santas e mártires.
Ainda levou e (vai levar) muito tempo para que as Mulheres comuns ocupassem ou venham a ocupar seus lugares não apenas em cidades exclusivas mas em qualquer cidade, em qualquer lugar no mundo.
O lema de Christine era semelhante ao de Greta Garbo, o famoso "I want to be alone".

até que enfim consegui ver SYLVIA, o filme - decepção! quem não a conhece, fica sem entender; quem a conhece pelo menos um pouco fica desnorteado como a própria Gwyneth Paltrow, que parece estar pedindo HELP do diretor ou roteirista ... em compensação, sairam seus DIÁRIOS em português, pela Editora Globo ..
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| Sylvia - Paixão Além das Palavras | |
SOU VERTICAL / Sylvia Plath
Sou vertical
mas antes fosse horizontal -
não sou uma árvore fincada no chão
dele extraindo minerais e seiva materna,
para, em março, exibir basta folhagem.
Nem tenho a beleza de um canteiro
Maravilhando os passantes com minhas cores espetaculares,
Sem lembrar que em breve vou fenecer.
Uma árvore é imortal, comparada comigo,
e um pendão de flores, mesmo pequeno, é surpreendente.
Queria ter a longevidade dela e a ousadia dele.
Esta noite,
à luz infinitesimal das estrelas,
as árvores e flores esparzem seus frios olores.
Caminho entre elas, que sequer me notam
- às vezes penso que me pareço com elas, quando estou dormindo ...
É a hora em que os pensamentos se obliteram
- e eu fico tão bem, assim deitada -
O céu e eu conversamos sem cansar,
sei que terei serventia quando me deitar:
as árvores poderão tocar-me, enfim,
e as flores, estas se ocuparão de mim ...
trad. tekka |
Escrito por tekka às 03h51
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... 51: uma boa idéia ...

recado >>>> ah, insensatez, que você fez, coração tão descuidado ...
John Paul tá de casa nova!!!!!!!!!!!!
>>>>>>>>>>>>>>>>>>> http://johnpaulvc.blog.uol.com.br
visitem e leiam!!!!!!!!
Pelo menos um dos visitantes desse blog sabe quem é Themis. Na mitologia grega, ela é a deusa da Justiça, esposa do supremo Zeus. Vocês podem não conhecer ela pelo nome, mas pela sua representação dá pra reconhecer... Aquela da mulher com uma venda sobre os olhos, segurando uma balança na mão e uma espada na outra. Mas são esses simbolos da "Senhora Justiça" - a venda, a balança e a espada - que eu estou contestando. Vocês vão compreender um pouco mais sobre os seus significados e o porquê de eu desacreditar neles.
A balança: Ela representa o eqüilibrio entre as partes envolvidas no julgamento.
Razões para o descrédito: Se levarmos em conta que, de um lado, temos uma classe social pouco favorecida, e de outro, uma elite egoísta e cheia de dinheiro, é claro que o prato da balança onde estiverem vários níqueis vai favorecer os julgamentos à última. E a quantidade de leis que visam favorecer a uma minoria está crescendo descontroladamente. Que tal levar mais a sério o princípio da igualdade jurídica?
A espada: É a arma para a defesa do direito.
Razões para o descrédito: Afinal, que direito está sendo defendido? Direito de qual classe social? O poder legislador quer defender quais interesses? Não vemos a espada do Direito, mas sim as armas dos bandidos que matam e destroem o sonho de uma sociedade justa e comnprometida com os ideais de justiça e paz social. É o império da impunidade, tanto das altas como das baixas camadas sociais.
A venda: "A justiça é cega", dizem muitos. A venda, criação de artistas alemães do século XVI, representa a imparcialidade da Justiça. Serve de símbolo para não saber distinguir aqueles que estão sendo julgados perante um tribunal.
A justiça sem a venda: Parafraseando Damásio de Jesus, "Por não ser necessário ser cego para se fazer justiça, minha Justiça enxerga, e com bons olhos e despertos, é justa, prudente e imparcial. Ela vê a impunidade, o choro, a pobreza, o sofrimento, a tortura (...) que lhe batem à porta (...)"
Desesperança: "...uma justiça que reclama, chora, grita e sofre. Uma justiça que se emociona. E de seus olhos vertem lágrimas. Não por ser cega, mas pela angústia de não poder ser mais justa", do mesmo autor.
Como estudante de Direito, quero deixar bem claro que sou parte integrante de uma sociedade prejudicada pelas mazelas de um poder, de pensamento sedimentado em conceitos retrógados e individualistas. Reconheço, as responsabilidades devem ser divididas. De um lado, o poder judiciário, agindo na tutela dos interesses individuais e coletivos. Do outro, a sociedade, interessada na construção de um país que honre suas instituições. Façamos justiça, companheiros, e ousemos gritar: "Abra seus olhos, Themis!"
John: veja o livro que foi lançado estes dias: JUSTIÇA TARDA E FALHA, de Cícero Fernandes - o autor, que foi do Ministério Público, mostra que o exercício das carreiras jurídicas exige muito mais do que ensinam as faculdades ... Livraria Brasília Jurídica - (61) 224-4607
Escrito por tekka às 03h46
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X- RATED

Já nasci assim e me aperfeiçoei conscientemente. Nunca me deixei engabelar por essas baboseiras que nos impingem como fazendo parte da natureza humana. Não se pode estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo, meu Deus, quanta gente morreu e morre todos os dias por causa desse dogma babaca, que é tão arraigado que a pessoa, homem e, principalmente mulher, que está ou é apaixonada por dois ou três entra em conflitos cavernosíssimos, se remói de culpa, se acha um degenerado, não confessa o que sente nem às paredes, impõe-se falsíssimos dilemas, se tortura, é uma situação infernal e cancerígena, todo mundo lutando estupidamente para ser quixotes e dulcinéias. É o atraso, o atraso! Em tese, somos capazes de nos apaixonar por tantas pessoas quantas sejamos capazes de nos lembrar, o limite é este, não um ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco, ou dezessete, todos esses números são arbitrários, tirânicos e opressores. Tá lá no meu fichário apaixonativo, com o perfil do que eu acho atarente, que é bastante vasto. Entrou novo contato, perfil aprovado, eu posso me apaixonar por ele. Hoje eu estou altamente informática A superstição perniciosa generalizada é que é preciso deletar o anterior, para aceitar o novo. Que pobreza, que pobreza, que pobreza, que atraso! Se a memória aceita, se o perfil confere, se a senha foi dada, roda os dois programas ao mesmo tempo, roda os três, roda os vinte, porra! Minimiza um, roda embaixo o outro, exporta um arquivo pra lá, outro pra cá, a informática é muito educativa, para que os débeis mentais que tanto pontificam e nos abalam com suas besteiras compreendam que os processos mentais que consideram sublimes e prova da existência de Deus são meras linhazinhas de comando de rotina no DOS do cérebro, o buraco é abissalmentissimamente mais embaixo.
Claro que a paixão nova , no primeiro momento, mobiliza muito o apaixonado, que tende a ficar cego para os outros arquivos e aí, na maior parte das vezes, o entulho burro começa a aporrinhar, o camarada foi treinado para não achar aquilo certo, tem que deletar o arquivo em uso, não sei o quê. A analogia informática continua certeira, é como um programa novo, um brinquedo novo. Mas depois a gente abre o arquivo mais antigo, é bom, reaviva, estimula, meu Deus, por que erigimos empecilhos absurdos e destrutivos da beleza da Criação, os arquivos podem conviver na maior paz; clica, ele abre, tudo pronto para o deleite de todos e o cumprimento cioso quão alegre da sina! O limite é a memória! E quantos gugóis de bytes não temos na memória? Nunca vamos usar nem um zilionézimo, por mais que vivamos e abertos sejamos. Por conseguinte, minhas paixões não são doentes, convivem perfeitamente bem e é por isso que não morrem como as outras, só morrem quando eu deixo de regar, porque resolvi deixar de regar....
(o restante se encontra em A CASA DOS BUDAS DITOSOS, de João Ubaldo Ribeiro...)
Recado
onde quer que você ou eu estejamos
que seja AQUI
mas onde quer que AQUI seja
não deixemos que seja
em nenhum outro lugar ...
Escrito por tekka às 22h51
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a seriedade
"a seriedade é a qualidade dos que não têm nenhuma outra" - Lúcio Cardoso/Diários ... "o demo é o que nunca ri" (Guimarães Rosa)
Sei que para vencer na vida e infundir respeito, tem-se de ser sério. Todavia, não só me é difícil afetar seriedade como não a tenho em alta conta. Vou explicar-me melhor. Nas coisas sérias, agrada-me a seriedade por meia hora, ou mesmo uma, duas, três horas por dia. Às vezes, até um dia inteiro de seriedade.
No restante, agradam-me os ditos espirituosos, os gracejos, a ironia, os embustes (humbugging) inteligentes. Mas não são convenientes. Perturbam os negócios. Pois as mais das vezes tenho de avir-me com pessoas ignorantes e néscias. Elas são sempre sérias. Focinhos de uma seriedade bestial: como gracejar com elas se não compreendem coisa alguma? Seus focinhos sérios são o reflexo disso. Tudo é problema e dificuldade para a sua ignorância e bestialidade porque, como nos bois e nos carneiros (os animais têm fisionomias tão sérias!), a seriedade se difunde pelos seus traços fisionômicos.
O homem bem - humorado é em geral menosprezado, não merece maior consideração, não inspira muita confiança. Daí que eu me empenhe em mostrar aos outros uma aparência séria. Descobri que isso me facilita grandemente os negócios. Por dentro, porém, estou rindo e me divertindo à larga" -
Konstaninos Kaváfis / REFLEXÕES SOBRE POESIA E ÉTICA - trad. de J.Paulo Paes.

ORIENTALISMO / Millôr Fernandes
Você atinge o estágio de Sootraying, ou seja, sujeira total da casa, depois de seis dias inteiros de reflexão, sem ligar o aspirador nem lavar uma xícara.Logo estará no estágio de Shanmuchi Mudra, ou apatia total, devido à fraqueza do seu organismo. [...] Concomitantemente chegará ao Sirvana; constatação da absoluta inutilidade do telefone, da luz e do gás. Tem nada não - a comunicação Soorya, a súbita iluminação interior e o calor do fluxo Sutra substituirão os três. Também o não-pensar, a realização do outro e o sentimento de vácuo mental são conseguidos tomando o chá de folhas de Lótus, na posição Padsamana: a popular bananeira. Se o seu supermercado não tem folhas de Lótus, use mesmo chá-preto, que Buddha não era homem de se importar com tais Patrimandas. Aí você se põe de cabeça pra baixo e pernas pra cima, os braços em W e as pernas em K. Sua alfabetização Yoga-Hatha, não dando pra fazer essas letras, substitua-as pelo I e o L. Dessa posição, e com o uso do chá, você poderá contemplar melhor: 1) O mundo desesperado que o envolve e do qual você está se afastando gradualmente; 2) A lata de lixo transbordando e a pia atulhada de louças e talheres. 3) O próprio umbigo.
Escrito por tekka às 22h31
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RENATO RUSSO MANFREDINI Jr - para Flávio, o Legionário ...
matéria de Ricardo Lucas em BOCA DE CENA ou no site: www.obichopiro.com.br
A exposição em cartaz no CCBB traz à tona ao público de Brasília novos contatos com a memória de um dos maiores ídolos do Rock Nacional, buscando a pessoa por trás da “persona”. É uma oportunidade de o fã e o simples visitante explorar o labirinto entre a fama e a obra, descobrindo a cultura entre o fato notório e o detalhe desconhecido. Realizada no contexto das comemorações dos 44 anos de Brasília, berço do Legião Urbana, a exposição pretende vivificar o legado de grande importância que seguramente continua ampliando o horizonte de questionamentos dos jovens em sucessivas gerações.
O acervo, em exposição desde 06 de abril, trabalha com os dois universos do cantor e compositor: o universo profissional e o particular - extraídos da mídia e do acervo familiar. O visitante é convidado a traçar novas relações entre o conhecido e o desconhecido, assim renovando sua pré- concepção sobre o artista."Foi muito engrandecedor poder conhecer outros lados daquele foi e ainda é meu ídolo. Saio com uma imagem ainda mais positiva do Renato Russo" comenta Elaine Pereira, advogada.
Escrito por tekka às 19h20
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O primeiro piso é contemplado com uma linha do tempo que faz um recorte da trajetória e vida profissional do artista. De boletins e trabalhos de escola a matérias publicadas na imprensa. Faz um levantamento da carreira artística desde os anos 70, com o Aborto Elétrico, aos anos 90, quando já estava contaminado pelo vírus HIV, o que fez refletir em sua obra seu drama existencial, com alta carga de lirismo e espiritualidade, num momento introspectivo. Neste piso, ainda, podemos ver rascunhos de Renato no seu processo de elaboração de músicas como Há tempos e Geração Coca-Cola.
Já no subsolo, o espaço funciona como uma metáfora do labirinto onde os elementos em exposição vão-se tornando visíveis à medida que o visitante traça seu próprio percurso, proporcionando um sentido de circularidade que remete ao processo de elaboração das idéias, procurando manter viva uma própria característica do artista. Entramos, então, no espaço privado de Renato Russo, tentando recompor mito e realidade. O espaço foi organizado lembrando a disposição do apartamento do cantor no Rio de Janeiro, onde de cara já vemos na parede uma foto reproduzindo a rua onde ficava o apartamento bem como a porta branca do mesmo, que figura na capa de STONEWALL CELEBRATION. Nesse pavimento, muitos objetos pessoais: aparelho de barbear, tarot, slides, muitas fotos, desenhos, coleção de anjos, objetos místicos refletindo a grande espiritualidade do cantor e compositor. Há também um imenso repertório de cd’s, LP’s, k7’s e uma quantidade e variedade enorme de livros, mostrando uma carga bem eclética.
Uma gama muito grande de estilos literários que foram base para seu processo criativo – o que chamou a atenção dos músicos Carlos e Roney, que visitavam a exposição: “nos deu uma amplitude das influências que foram decisivas na produção da alta qualidade de suas letras”. Vale destacar a The 42nd. Street Band, banda imaginária criada por Renato aos 15 anos: há manuscritos que falam de cada componente, sua história, álbuns, as turnês, entrevistas – ele criou toda a vida da banda (vale a pena conferir a história).
É uma exposição com um acervo muito interessante e ao alcance de todos. Utilizando uma linguagem visual que torna dinâmico o processo da visita, sem necessidade de grandes explicações por parte da curadoria. O próprio visitante vai fazendo suas associações ao ver no acervo do cantor, por exemplo, Vivaldi e Menudo misturados a outros 2000 discos. E não podia faltar, claro, a trilha sonora ambiente, com Pais e Filhos, Sereníssima, Mais uma vez ...
Matéria de Ricardo Lucas Vianna, ator e aluno de Comunicação Social na UnB
– a íntegra pode ser vista no jornal BOCA DE CENA, página 4 - Ano I nº X – 01 a 15 de maio de 2004
na 4ª feira encerraremos o assunto EXPOSIÇÃO DE RENATO RUSSO MANFREDINI JR.
Escrito por tekka às 19h15
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TODA MÃE É UMA ... ILHA ...

foto de Silvio Tamberi
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ILHA
Ilha não é só um pedaço de terra cercado por água por tudo quanto é lado.
Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente.
Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha.
Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha.
Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha.
Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha.
Toda ilha é verde.
Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado.
Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara.
Oswaldo Montenegro

abraço de boa noite, de Mary Cassatt
"Mais uma vez a filha se calava diante daquela enormidade de mãe... apenas aquela palavra proscrita, insistente, se fazia então escrever finalmente no cimento fresco ou no cimento quente, nas paredes e janelas, nos umbrais e avarandados, na casa, no leito e na mesa onde nunca afinal comeriam juntas: mother, mère, madre, mamma, mummy, mutter, mamuska, mãe, minha mãe, mamãe minha, estás aqui, finalmente estás aqui com teu corpo de mulher na cena final da amartia, minha mãe, finalmente te vejo toda mesmo que aos pedaços, finalmente um gesto além da hybris que te nos consumiu um dia naquela história de meninos ao desamparo.
(Assim passou minha mãe: de um jeito breve como só as mães pássaras são capazes de passar. Minha mãe papagaio de seda a voar longe nos meus céus e eu de novo menina a saltar por prados e colinas, a colher flores para lançá-las ao longe, a chorar aos soluços para que nunca mais nunca mais aquele travo na garganta me fizesse sufocar)"
A FALTA, de Lúcia Castelo Branco, Record, 1997, RJ
Escrito por tekka às 12h57
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CIDADE DOS SONHOS - para SolStar ...

Sol costuma viver sonhando ... fui ao DICIONÁRIO DE LUGARES IMAGINÁRIOS procurar seu país e encontrei os seguintes:
BRINCADEIRA. País encantado onde tudo parece desmesurado aos olhos de seus habitantes minúsculos. Os trevos são árvores, poças d' água são oceanos em que as folhas navegam como se fossem navios. Além de alguns insetos, como mangangas, aranhas, moscas, formigas e libelulas, a terra de Brincadeira é habitada por pequenas criaturas amáveis, de olhos adoráveis, vestidas com armaduras verdes, pretas, púrpuras, douradas ou azuis. Alguns desses seres tem asas, mas poucos as usam e passam o dia observando os viajantes (que devem ser minúsculos) velejando nos mares de poças d'água.
Chega-se a terra de Brincadeira fechando os olhos e voando pelo ar. A viagem de volta é sempre surpreendente, em razão do contraste entre esse mundo em miniatura e o tamanho dos objetos do mundo cotidiano.
(Robert Louis Stevenson, "The Little Land", em A child's garden of verses, Londres, 1885)
SONHOS. Aqueles que são recebidos no reino dos Sonhos foram predestinados para essa honra por nascimento ou por um golpe do destino. Seus habitantes alcançaram um aperfeiçoamento excepcional dos órgãos do sentido que permite ter consciência de inter-relações de seus mundos individuais que, para o comum dos mortais, com algumas exceções, não existem. Essas assim chamadas inter-relações "inexistentes" são, na verdade, a essência das aspirações dos habitantes. Tudo está voltado para uma vida espiritualizada; os habitantes vivem somente de e para mudanças espirituais. A existência exterior, organizada segundo seus desejos por um trabalho em comum cuidadosamente coordenado, fornece apenas a matéria-prima que serve de base a suas verdadeiras vidas. Os habitantes do reino acreditam somente em sonhos, seus próprios sonhos. Essa tendência é fomentada e desenvolvida e quem interferir nessa crença é considerado alta traição.
A seleção dos convidados a fazer parte da comunidade baseia-se rigorosamente na capacidade de acreditar em sonhos. Uma vez convidado, o viajante deve viajar por caravana de Samarcanda até a fronteira, onde os funcionários da alfândega lhe darão uma certa quantia em dinheiro e uma passagem de trem para Perla. Atenção: é proibido entrar com qualquer objeto novo no país; aceitam-se apenas artigos de segunda mão. A estação fica ao lado da Alfândega e a viagem a Perla demora duas horas.
(Alfred Kubin, Die andere Seite: Ein phantastischer Roman, Berlim, 1908) >>>>>>>>>>>>> confere, SOL ?????
Homenagem de hoje...
Vai para Tekka ( http://strange-fruit.zip.net )... pra você...

só podia ser do Flávio, o Legionário!!!!!!!
só podia ser do Flávio , o Legionário!
"Nada mais vai me ferir. É que eu já me acostumei Com a estrada errada que segui E com a minha própria lei. Tenho o que ficou E tenho sorte até demais, Como sei que tens também" Renato Russo
Se te pareço ausente, não creias
Se te pareço ausente, não creias: hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços, hora a hora meu desejo revolve teus escombros, e escorrem dos meus olhos mais promessas. Não acredites nesse breve sono; não dês valor maior ao meu silêncio; e se leres recados numa folha branca, Não creias também: é preciso encostar teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredites se pensas que te falo: palavras são meu jeito mais secreto de calar.
Lya Luft
Escrito por tekka às 12h51
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DICAS
Filmes nacionais imperdíveis:
1,99 - Um supermercado que vende palavras (filme bem estilizado, sobre o fetiche da mercadoria, do marketing e do preço)
e DIÁRIOS DE MOTOCICLETA - sobre os diários (ou 'blogs') do Ché - trailer em http://www.1.uol.com.br/diversão/cinema
CD IMPERDÍVEL - Iaiá, na voz-instrumento de Monica Salmaso / Biscoito Fino. O do Caetano, com músicas americanas, não vale o que custa, melhor ouvi-las nas vozes originais, ou pelo menos com o Rod Stewart ... ou com a Zélia Duncan, cantando Dream a little dream of me ....Não percam também: Presente e As 4 Estações ao vivo, do Legião Urbana ...
BRINDE DA SEMANA: www.excessos.hpg.ig.com.br/poemas4.html, apresentando: Desdobrado das horas de Walt Whitman, Um anjo vem todas as noites e Se te pareço ausente, não creias, ambos de Lya Luft
AINDA ESTA SEMANA VOLTAREI À EXPOSIÇÃO RENATO MANFREDINI JR E SUA LEGIÃO URBANA >>>>>Flávio, me aguarde!
"o sentimento de nostalgia e saudade pegam em cheio os visitantes acima dos vinte e poucos anos na exposição Renato Russo Manfredini Jr., que reúne, no Centro Cultural Banco do Brasil, objetos pessoais e traça a trajetória de um dos maiores poetas da música brasileira. Mas também é uma boa e rara oportunidade para crianças e adolescentes nascidos em Brasília desvendarem período cultur |
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