A JUSTIÇA de Ceschiatti, em frente ao Supremo, Brasilia/ foto by tekka
(ACIMA DELA SÓ O CÉU)
meu coração, não sei porque
bate feliz, quando te vê...
pois é, o GOLPE DE 64 faz 40 aninhos ... a construção da capital no interior do país contrariou a expectativa de enfraquecimento das pressões populares: a cidade virou palco de manifestações.
1964: Golpe militar - a UnB é invadida pela 1ª vez / 1968: série de protestos culminam com a invasão da UnB pela polícia, em junho e julho; em agosto, Honestino Guimarães é levado pela polícia, em dezembro ele parte para a clandestinidade, e em 1973 é preso no Rio e desaparece.
1979: Anistia - os exilados políticos voltam ao Brasil; em 1984, Campanha das Diretas Já.
HOJE: o GOLPE vai ser tema de reuniões em bares e cafés. A programação completa está no CORREIO BRAZILIENSE DE HOJE: 31 DE MARÇO DE 2004 -
Márcio Bonfim e Jorge Macarrão no Feitiço Mineiro vão apresentar o show É PROIBIDO PROIBIR, com músicas de Chico Buarque, Zé Ketti e Vandré/ No Teatro dos Bancários, a peça É PROIBIDO PROIBIR às 19h. Exposição 40 ANOS DE LUTA / Na TV Câmara, às 22h, CONTOS DA RESISTÊNCIA. Na TVE-Rede Brasil, vários documentários e programas ao vivo, e flashes durante todo o dia do show PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES/ Domingo às 11 h na Rádio Nacional, Memória Musical de Bia Reis: a trilha vai ser toda dedicada à memória musical dos estudantes de 64/
AS VOZES DO GOLPE: lançamento do livro em 4 volumes, por Carlos Heitor Cony, Luiz Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura e Moacyr Scliar. Companhia das Letras.
TODA A PROGRAMAÇÃO E COMENTÁRIOS ESTÃO NA EDIÇÃO DE HOJE DO CORREIO BRAZILIENSE. Caderno principal e Caderno C.
não percam: http://blogdojohnpaul.zip.net e seu blog escatológico sobre esse cinzento (de chumbo) episódio da VIDA BRASILEIRA...
Por onde passa o exército, chega a barbárie. Por onde passa o mascate, chega a cultura. O mascate leva, nas suas costas, os livros, as gravuras, os pigmentos para a pintura, papel e tinta, os remédios e as notícias do mundo e dos vizinhos. Nosso mascate se alonga além das fronteiras de Laranjeiras, da Cidade Velha e percorre todos os caminhos.
pra não dizer que não falei de FLORES: alô RAISSA - PARABÉNS PRA VOCÊ NESTA DATA QUERIDA!!!
seu selo no Calendário Maia é: Mão, tom Polar - seu Mantra é
MANTRA DO DIA: EU POLARIZO COM A FINALIDADE DE CONHECER - ESTABILIZANDOA CURA - SELO O ARMAZÉMDA REALIZAÇÃO, COM O TOM POLARDO DESAFIO- EU SOU GUIADO PELO PODER DA AUTOGERAÇÃO
CALENDÁRIO 13 LUAS DE 28 DIAS
LUA SOLAR
Caminhada do Céu - 25º Dia do Mês
Dia:
Plasma Radial:
Dia Semana:
Cubo do Códon:
25
KALI Chacra ESPLÊNICO
QUARTA-FEIRA
ESTABELEÇO O QUARTO
FLORES, FLORES, EU VEJO FLORES EM VOCÊ .....
outro exorcismo poético, enviado por SS., versos de NICOLAS BEHR, O POETA DE BRASÍLIA:
sem porteiras nos olhos
sem ódio
no coração, só sangue
sem armaduras
sem couraças, peito aberto
sem escudos, sem lanças
sem ego, só luz.
Existir deve ser assim ...
apresento meu fotoblog, que tem a JUSTIÇA como emblema >>>>>> http://relvaw.fotoblog.uol.com.br/
este filme evoca LA DOLCE VITA, de Fellini, inclusive com a famosa cena da imagem de Cristo transportada de helicóptero. Woody Allen nunca escondeu sua admiração por Fellini, e volta e meia apresenta uma cena do mestre italiano: um menino que faz mágicas, ele vestido com batina e colarinho eclesiático, como Anita Eckberg... A atual novela não diz, mas até o título é dele ... e as roupas de "Renato Mendes" são calcadas no figurino de Marcello Mastroiani ... Woody "copia" Fellini, a novela copia Fellini e Woody, e no recente Encontros e Desencontros, o filme que os personagens vêem na tela do quarto de hotel é ... LA DOLCE VITA ...um marco inesquecível do cinema.
Woody Allen
O judeu americano, ator, diretor, produtor, roteirista e músico, Woody Allen, nasceu Allan Stewart Konigsberg, no Brooklyn (subúrbio de Nova York) em 1 de Dezembro de 1935.
Versátil em suas funções e criações no cinema, Allen foi a grande revelação humorística da década de 70 e se consolidou como um dos mais criativos realizadores da cinematografia mundial.
O aparecimento do gênio Woody Allen foi gradual, trilha percorrida por uma experiência profissional eclética - desde matérias para a revista Playboy a participações como ator em filmes e peças de teatro. Talento jovem, começou a escrever aos 17 anos, passando por vários shows de humor da TV americana (como o Candid Camera) até ser descoberto em 1965 pelo produtor Charles Feldman para escrever e interpretar "O Que é Que Há Gatinha?" (What's New, Pussycat).
Tudo pela fama
Woody Allen critica o showbusiness em "Celebridades", que sai em vídeo e DVD
Luiz Carlos Merten Agência Estado
São Paulo - Numa das cenas mais divertidas de "Celebridades", o jornalista interpretado por Kenneth Branagh entrevista Melanie Griffith, que faz aquilo que é, uma estrela. Ela tenta convencê-lo de que é fiel ao marido, mas esclarece que o trato só funciona do pescoço para baixo. O que ela faz com a cabeça, onde se situa a boca, é assunto só dela. Ponha a imaginação para funcionar se quiser saber o que rola. Ou então, mais fácil, corra à locadora mais próxima. "Celebridades" já está disponível nos formatos vídeo e DVD. O lançamento simultâneo é da Europa. É um filme de Woody Allen, no qual ele não aparece, mas Branagh atua repetindo todos os tiques nervosos que tornaram o ator e diretor o rei do mais sofisticado humor judaico-nova-iorquino. E vale (re)ver "Celebridades" comparando com "Poucas e Boas". "Poucas e Boas" é melhor. Mistura ficção e documentário, uma linha sempre rica no cinema de Allen, bastando citar o exemplo de "Maridos e Esposas". E tem mais: o músico fictício que Sean Penn interpreta é o Zelig de Django Reinhardt, mas "Zelig", o filme, é melhor. Não é por acaso que é uma das obras emblemáticas dos anos 80 - e uma das obras-primas de Allen. Em "Celebridades", ele revela uma atitude ambivalente em relação ao culto das celebridades que se constitui numa das características dominantes da virada do milênio. Podia esperar-se mais virulência do autor no tratamento do assunto, considerando-se que Allen teve a vida exposta pela mídia durante o tumultuado processo de sua separação de Mia Farrow. Ele não revela o rancor que outro talvez manifestasse. É irônico e divertido, mas sua ambivalência incomoda um pouco. Allen critica a mídia e os próprios astros e estrelas, mas no fim diz que ninguém pode estar livre da obsessão do sucesso. O único personagem que não vira uma celebridade na história escreve um pedido de socorro no céu. Embora menor (menor até do que "Poucas e Boas", que também não chega a se inscrever entre suas grandes obras), Allen confirma aquilo que todo mundo sabe - é um grande diretor de atores e sua inteligência lhe permite criar cenas brilhantes, além de engraçadas. Vale a pequena divertir-se com a top model maluquete que Charlize Theron interpreta ou com o superstar que Leonardo DiCaprio constrói à imagem dele mesmo, DiCaprio. Melanie Griffith, Joe Mantegna, todos os atores estão muito bem. Mas um destaque especial vai para Judy Davis. A atriz de "Passagem para a índia", do mestre David Lean, é uma senhora atriz cujos recursos o próprio Allen já usou em "Maridos e Esposas" e "Desconstruindo Harry", nos quais, como aqui, ela nunca esteve menos do que maravilhosa.
DEB: até PICASSO homenageia seu BLUE ROOM! >>>>>> Escrito por tekka às 02h17
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Morte DE Veneza ...
VENEZA TEM AIDS
Oliviero Toscani, o fotógrafo da Benetton
Depois de uma semana passada entre vocês, tenho medo. E tenho medo também dos De Crescenzo e dos lugares-comuns sobres a "força misteriosa" da cidade, "cuja desordem protege mais que a ordem de Milão". Não quero fingir que a situação de Nápoles não seja, por exemplo, uma tragédia. Gostaria que De Crescenzo percebesse que é falsa a idéia de que a sua cidade é a única que "pode permitir que o mundo sobreviva". Basta com essa retórica sobre a vitalidade de Nápoles. Não se poderá falar de recuperação, enquanto os napolitanos continuarem a passar com o sinal vermelho; a estacionar na segunda e na terceira filas; a dirigir como selvagens; a atirar os sacos de lixo pela janela; a vender e comprar tudo de contrabando; a falsificar o impossível; a lesar os turistas; a falar gritando; [...] a destruir tudo, dos orelhões aos monumentos; a permitir que prospere o trabalho clandestino; a crer nos milagres; a alimentar a indústria da magia e do mau-olhado; a enganar sempre e em qualquer lugar; a não dar recibos e notas fiscais nas lojas e nos restaurantes; a corromper até aos níveis mais baixos; a jogar tudo no chão; a ser indulgentes com o fatalismo; a tolerar tudo aquilo que nenhuma outra cidade civilizada pode tolerar.
"Veneza está com Aids!", declara com sua habitual veemência Oliviero Toscani. Diz, reitera, e depois de ter pensado nisso, repete ainda sorrindo: "É exatamente isso. Está com Aids. Escreverei um livro sobre Veneza, e o título será esse. Esse será o argumento que desenvolverei."
"Não é uma afronta e não aludo a coisas como droga ou sexo. Refiro-me ao fato de que a mais bela cidade do mundo não possui anticorpos para se defender. É imunodeficiente. É um lugar sagrado que não tem defesas contra o assalto de gente inculta e vil e contra os meios modernos que a agridem, como os germes de tantas e varias doença que se chamam eletricidade, motores, máquinas, sujeiras, lanchas, TV e antenas, comerciais, lavadoras, sapatos de plástico, barulho, alto-falantes, quinquilharias e lojas, pizzarias, cervejarias, fast-food, serenatas e vozes que berram ‘O sole mio’, imundície, multidão etc. Veneza não tem defesas contra os interesses privados de todos os privados que a povoam e a usam. Interesses privados em atos oficiais! Todos a usam, a desfrutam de modo errado e ela morre. Está com Aids... em fase terminal."
O quadro, o canto e a escultura são nossa morada mais segura, refugio que escapa ao tempo. Como o recalcamento originário, que mostra em silencio, ela é atemporal e eterna; não traz nenhum saber, não demonstra nada e nós habitamos este lugar secreto. O criado, a obra, são assim nossa morada. Habitamos o quadro, o monumento, a fragrância, cujas proporções calculamos. (...) "Eu não procuro, acho", crio o que está lá, todavia perdido para sempre sem o meu ato. Crio no presente e o tempo é findo. O criado inova no terreno de uma ausência primeira, sempre já lá, consistência de uma origem inconsciente (...)
(Gérard Pommier, O desenlace de uma análise, J. Zahar, 1990)
MARÍLIA "DO" DIRCEU
Numa cidade de Minas tem uma menina chamada Marília e seu pai se chama Dirceu, que a registrou como Marília DE Dirceu, mas todo mundo só a chama de Marília DO Dirceu ...Esses mineiros!!!
Fazendas e assentamentos da região: Riacho Morto, São Domingos, Bananeira, Buritirama, Campininha, Gado Bravo, Taquaril, Barriguda, Palmeiras, Roncador, Maravilha, União, Serra Bonita, São Vicente, Pasmado, Vila Cordeiroa, São Pedro, Extrema....
FUNERÁRIAS LOCAIS: Pax Universal, Ponto Final, Última Lágrima ...
das "FRASES DA VAL": todos os cogumelos são comestíveis, alguns apenas uma vez. >>>> http://blogdaval.zip.net/
Estou cativa no país dos blogs. Não durmo, janto de olho no monitor. Minha fissura por jornais sofreu uma "transferência". Blogs, agora, são meu CADERNO C, minha revista de domingo, meu suplemento literário, minha zorra total. Encontro imagens lindas, líricas, sensuais, imagináticas, ou reles figurinhas carimbadas. Pesco letras-de-músicas-que-não-voltam-mais. Fico up-to-date. Mil torpedos sobre mi cabeza_marginal. Melhor: combateremos à sombra. Carências sem pudor alardeiam endereços. No comments? é a criança interior clamando.
Há homos, héteros e etecéteros. Porta-bandeiras. Cursos primários e altas filosofagens. Academia Blogueira de Letras, a famosa ABL. Ciências ocultas. Corações à flor da pele. Inconfidências mineiras. Carioquices. Porque me ufano. Let it be: venha como está. Never look back. Tribalistas, os blogs são de todo mundo e todo mundo é de ninguém...Sutilezas, escrachos, declarações, folhas corridas. Eu sou o bicho! Jesus me chicoteia. Itinerário da PAIXÃO. Lavo minhas mãos. No céu, no céu, no céu eu quero STAR. Legiões de legionários. Moicanos - primeiros e últimos. César tomba o polegar. Atira a primeira pedra. No meio do caminho tinha. Good vibes, only you, rapid_eye_movement. Never let me go. Neverland. Girls_like_that.
Não chore ainda não, que eu tenho uma canção. Teia infinita, cada vez aumenta mais. Web_logos. Nem a aranha arranha a Espanha. Folha da Manhã, Jornal da Tarde, Noite Ilustrada. Caras, bocas, ah, teus cabelos. Barcos, garrafas ao mar, espumas flutuantes. Espelhos. Narcisos em pencas. Biscoitos finos. Mãos beijadas, pés alados. Odes. Nem te conto! Vôos livres. Imersões. Inerências. Babados fortes. Oficinas do desejo. Oficinas de poemas. Cinco dimensões. Mapas das minas. Perdas. Ganhos. Magia. Memoriais de sonhos. Fantasias, delírios, ilusões, desilusões. Impressões. Revelações.
Risos sardônicos. Humour. Paroli, les môts, algumas palavras. Personas. Pessoas: gentem! Falta de sentido. Quem faz sentido é soldado. Sinto, sinto muito! Descaminhos. Mão na roda. Fome com vontade de comer. Muro das lamentações. Se arrependimento matasse! Ouço vozes. Paisagens. Céu aberto. Erro nosso. Fascinação. Falsos brilhantes. Mar-oceano, praias do tempo: há vagas. PERMITIDA A ENTRADA DE PESSOAS ESTRANHAS. Nada sobre minha mãe. Fale comigo!
Códigos e barras. Aqui não se rasga papel nem dinheiro. Gênesis. No princípio era o verbo. Agora é blog! Revelações. Confissões. Depois da festa. Sou mais você. BBB: Blogueiros Bons e Baratos. Artes. Manhas. Você tem fome de quê? Só bate na mesma tecla. Eu quero é mais, falow? O que escrevi, escrevi. Antes que me esqueça: amanhã tem mais, aproveita que tá acabando...
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS A QUEM COPIOU PRIMEIRO. A moeda corrente aqui se chama SONHO. O banco de imagens é do povo e blogueiros unidos jamais...
dedico esta croniquinha aos amigos blogueiros & associados & incentivadores - por ordem alfabética: Arquimimo, Annie Walker, Beta, Cláudio,Dani, Deb, Flávio, Fubá, JairoRei( poumacartinei), Laura, Maria Antonietta, Mel, Margot, Mimi, Rose, Rosamap, Sam, Sol_Star, Stella, Sara_Fazib, Tati_artes, Tina, Val.
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p.s. Para Fernando Pessoa, as cartas comerciais eram o último reduto da civilidade, pois começam com "Prezados Senhores", ou "Estimado Cliente", e terminam com uma das seguintes: atenciosamente, cordialmente, sinceramente, etc. Nos "posts" dos blogs, geralmente se termina com kisses, bjs, bjaum, bjim, etc ... então, os blogs é que passaram a reduto de civilidade ...
Para Carlos Drummond, O BEIJO AINDA É UM SINAL, PERDIDO EMBORA, DA AUSÊNCIA DE COMÉRCIO, BOIANDO EM TEMPOS SUJOS" ... então, muitos kisses, bjs, bjins e bjaums a todos os blogueiros que aqui estiveram dando UMA FORÇA!!!
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PARABÉNS, ANA TINA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A ladra
Eu avisei que te assaltaria. Tuas mãos ao alto. Teus olhos em mim. Tua boca em espanto num riso enviesado. Eu te avisei. Se tu vinhas, precisavas saber que não sairias incólume. Não peço. Não pergunto. Eu pego. Nem quero saber se os versos eram ou não eram para mim. Não leio a assinatura no cartão. Rasgo tuas desculpas. Jogo-te no canto. Ponho o dedo sobre teus lábios. Não fales. Não ouses. Nenhum gesto mais. Quero-te muito quieto enquanto invado e sacudo e reviro teus bolsos e pele. Roubo o que encontro. Farejo mais. Violento tua gentileza e teu respeito. Agora podes ir. Não te deixei marcas ou pistas para que me denuncies. E fico com tudo que encontrei sobre tua carne viva. Vai, eu disse. Era seqüestro relâmpago. Não há preço pelo teu resgate. Solto-te. Deixo-te. Já tenho na língua o teu gosto. Tirei tua temperatura. Se tinhas febre, agora é minha. Nos olhos, prendo o oceano azul do teu riso irônico. Não te machuquei. Foi um assalto à mão amada.
Ane Walker, em cabeça_marginal (v. link na coluna da direita)
Estamos sob o signo de ARIES, estação OUTONO, ano dedicado à ÁGUA - mas o blog hoje é dedicado ao aniversário de uma menina linda e feliz, chamada BOOH
Seu SELO e GUIA é O SOL, SEU TOM É CRISTAL, SEU MANTRA :
DEDICO-ME COM A FINALIDADE DE ILUMINAR - UNIVERALIZANDOA VIDA - SELO A MATRIZDO FOGO UNIVERSAL, COM O TOM CRISTALDA COOPERAÇÃO- EU SOU GUIADO PELO PODER DO LIVRE ARBÍTRIO
CALENDÁRIO 13 LUAS DE 28 DIAS
LUA SOLAR
12º Dia do Cubo da Mente Preceito Rinri: Dia 18 de cada lua - 12º preceito:
É deixando ir que se recebe. Chave para o livre arbítrio: agora você é o Humano. As coisas nem sempre seguem suavemente e há algumas coisas que nunca podem ser feitas de qualquer forma. Quando você se encontra numa situação extremamente desesperadora, ouse livrar-se de sua mente voraz. Se você decisivamente libertar-se dela sem qualquer apego prolongado, prognóstico ou arrependimento, desenvolve-se um resultado favorável nunca sonhado. Quando você decisivamente joga fora todos os desejos pessoais e pensamentos materiais, e alcança uma luz, um estado mental aberto, você será capaz de escapar do perigo.
Afirmação do Dia do Cubo - dia 18 - Livre-Arbítrio
Pelo meu contínuo poder consciente de livre-arbítrio do Humano, que a profecia libere a vitória das 13 Luas como o poder da humanidade para regenerar a biosfera. Que a paz prevaleça.
Tão sutilmente em tantos breves anos foram se trocando sobre os muros mais que desigualdades, semelhanças, que aos poucos dois são um, sem que no entanto deixem de ser plurais: talvez as asas de um só anjo, inseparáveis. Presenças, solidões que vão tecendo a vida, o filho que se faz, uma árvore plantada, o tempo gotejando do telhado. Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos que uma em outra pode se trocar, sem que alguém de fora o percebesse nunca.
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Língua de fogo
Tenho a arma de todos os dragões: Labareda-boca Dói-me a calma pela cicatriz. (E nem um pássaro empedrado doeria tanto) As águas Cicatrizam-me Histórias de abandono. Doem-me Também pelos cotovelos As paixões do arvoredo. É o bicho tristonho Movendo as pedras Do meu rio sem margens. Na fumaça que trago Recobrem-me saudades. Respiro fundamente a superfície De um atroz E absorto Nada.
É um engano isso de afirmarem que a gente pode reviver, tornar a sentir as sensações e os sentimentos passados. As memórias são fragílimas, degradantes e sintéticas, para que possam nos dar a realidade que passou, complexa e intraduzível. Na verdade, o que a gente faz é povoar a memória de assombrações exageradas. Estes sonhos de acordado, revestidos de palavras, se projetam da memória para os sentidos, e dos sentidos para o exterior, mentindo cada vez mais. São as assombrações. Essas assombrações, por completo diferentes de tudo quanto passou, a gente chama de "passado"...
DE CHIRICO
POR QUE OS SONHOS SE REPETEM?
Para a psicanálise, a repetição dos sonhos acontece quando a pessoa sofreu um trauma e ainda não o superou. A neurociência dá uma explicação semelhante, com outras palavras. Os sonhos repetidos seriam os fragmentos de memória que ainda não conseguiram ser trabalhados pelo cérebro. Uma vez que a massa cinzenta armazena esses fragmentos, eles deixam de incomodar.
Dica: ao deitar-se, deixe executando o "desfragmentador de disco" ....
DICAS da Dalila.Góes do www.correioweb.com.br: Dalila acha que a gente só frequenta blogs de amigos. Fora isso, só os muito especiais que, para ela, são:
Médico de profissão, Tchekhov nasceu em 1860 na cidade de Taganrog.Estreou na literatura em 1880, publicando ensaios em revistas e jornais para sustentar a família. Explorando ao máximo sua capacidade de observação científica para retratar a realidade, revelou em sua obra um homempatético, dividido entre o desejo e a incapacidade de realizá-lo. Seu estilo, marcado pela melancolia e o humor, rapidamente o transformou em um dos mais respeitados escritores da Rússia pré – revolucionária que produziu nomes como Nicolai Gógol, Fiódor Dostoiévski, Leon Tolstói e Maximo Górki.
Sua importância não foi menor no teatro para o qual escreveu peças como "Ivanov", “AGaivota”, "As Três Irmãs", "Tio Vania” e“O Jardim das Cerejeiras". O lirismo de sua obra dramática desencadearia uma revolução na história do teatro russo com a consagração do Teatro de Arte de Moscou, além de uma profunda mudança na arte do ator. Sua obra ganhou repercussão nos países ocidentais e figura até hoje entre os grandes nomes da literatura universal.
O grupo de estudos sobre Tchekhov do ACT pretende debruçar-se não só sobre a literatura dramática mas também sobre a vasta coleção decontos e novelas deixada pelo escritor. A proposta é que , ao final do processo, cada integrante do grupo desenvolva um projeto que tenha como base a obra do escritor russo.A leitura dramática e o debate aberto ao público é a primeira fase de experimentação sobre sua obra.
Irmandade centenária: AS TRÊS IRMÃS
Jéferson Assumção
Tchecov nos lembra em As Três Irmãs que o mundo é fugaz
Esquecidos, mas esquecidos para sempre, é este o destino de todos os seres humanos. Sem ilusão, sem pause ou review de máquinas fotográficas ou câmeras de vídeo, que só o que podem fazer é mascarar uma realidade tão dura quanto sempre foi. Há cem anos, o russo Anton Tchecov lembra disso em uma famosa e terrível peça de teatro chamada As Três Irmãs.
Desde aquela época retratada por Tchecov (fim do século XIX), nada no mundo mudou, apesar das aparências. Era fim de século, início de outro, um período que, queiramos ou não, parece-se muito com o que vivemos agora. Tchecov é um dos maiores escritores de todos os tempos. Soube, como poucos, combinar numa arte fina, elementos do dia-a-dia do povo russo a reflexões universais, mas mais que universais, atemporais, acerca da existência humana. Em resumo, fez o que Maxim Górki diz ser o segredo da literatura russa: uma combinação, no ponto certo, de romantismo e realismo.
O centenário de As Três Irmãs é uma dessas boas desculpas para se falar de Tchecov e lembrar histórias como O Beijo, Kaschtanka ou O Homem no Estojo. Das cenas de sua famosa história, pode-se ter uma idéia da arte desse médico russo que conheceu praticamente todo o território de seu país e contou, em centenas de histórias, não a história do espírito russo, mas o da humanidade.
O enredo é simples. As três irmãs Olga, Irina e Macha amargam uma existência provinciana, desejando voltar para Moscou, onde haviam passado uma feliz infância. Com pouquíssima ação e belos diálogos, os personagens discorrem sobre uma vida banal, à espera do sempre adiado dia de voltar à capital russa. É uma vida de marasmo, de inércia, abalada uma única vez pela chegada de um exército e seu comandante, chamado Verchinin. As irmãs são atraídas por aquele homem que vem de Moscou, como quem sopra-lhes um ar renovado. No entanto, tudo acaba com o destacamento partindo do lugarejo e as irmãs se dando conta de quão inevitável é seu pobre destino a que, vêem, estão condenadas.
A atualidade de As Três Irmãs está exatamente em seu clima de fim de século, de fim de um mundo para início de outro. Como em nossa época, a passagem do século XX ao XXI, há um novo tempo chegando. Mas Tchecov não se ilude. Nada permanece, ele sabe. Tudo vai para um nada, fica para trás, sempre para trás, em um inevitável não-existir-mais. É este o tema principal de sua história, em que Macha diz, entristecida, a Olga, lembrando a mãe das irmãs, morta há alguns anos: “Imaginem que estou começando a esquecer o rosto dela. E será assim que seremos esquecidos, nós, também, um dia”. Nós, do alto do nosso tempo, não podemos achar que estamos salvos em meio a tanta televisão, computadores e máquinas fotográficas.
Nosso mundo está indo, sim, como o das Três Irmãs, para um passado do qual jamais poderá ser resgatado, nem lembrado.
Elenco Principal: Renata Sorrah, Deborah Evelyn, Lorena da Silva, Ana Beatriz Nogueira e Fernando Alves Pinto
Diretor: Bia Lessa
Personagem de Renata Sorrah: A romântica Olga
Elenco e diretora da peça
História: A peça retrata as angústias e o ócio da elite russa pré-revolução, contando a história de Olga, Irina e Macha, amantes da vida urbana que de repente se vêem obrigadas a mudar para o campo e, a partir daí, como forma de sobrevivência passam a engolir as frustrações umas das outras. Bia Lessa naturalizou ao máximo o texto do russo Tchecov e conseguiu soluções cênicas belíssimas, bem aproveitadas por atores como Ana Beatriz Nogueira, impecável na pele da cunhada sarcástica.
SITES de FOTOGRAFIA são quase sempre muito bem transados:
PAPEL DE PÃO Sérgio Fonseca embrulha o mundo em seu papel de pão. Um post para deixar o seu comentário em qualquer idioma. http://www.papeldepao.blogger.com.br/
PERDIDO EM PARIS (PEP) Um blog para aqueles que não estão perdido mas sembre querem encontrar algum lugar. Raphael Puttini e sua visões diretamente do centro da Cidade Luz http://www.pep.blogger.com.br/
Amigos loucos e sérios
Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
"Sur l'onde calme et noire où dorment les étoiles,
La blanche Ophélie flotte comme un grand lys."
Arthur Rimbaud (1854-1891) Ophélie
Fiquei "devendo" a vocês a Ophelia que considero a mais emblemática e "instigante", como se diz ... pelo menos, a mais rara: é de Joseph Stella, que nasceu na Itália em 1877; viveu nos States até sua morte, em 1946. Foi médico antes de se tornar ilustrador. Deixou obras futuristas belíssimas, sendo a mais famosa a PONTE DE BROOKLIN - N. Y.
com os devidos agradecimentos à Maria Lúcia do www.dbb.com.br...
A mostra Arte da África, sob curadoria de Peter Junge, curador-chefe do departamento de África do Museu Etnológico de Berlim, reúne obras , dos séculos 15 ao 20, de 31 países da África subsaariana: África do Sul, Botsuana, Burkina Faso, Burundi, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Lesoto, Libéria, Malaui, Mali, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Quênia, República Centro-Africana, Ruanda, Serra Leoa, Somália, Suazilândia, Sudão, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia, Zimbábue, com ênfase no Congo, em Camarões e Angola.
A exposição Arte da África ocupa todos os espaços expositivos dos CCBB Brasília e São Paulo, com esculturas de madeira, de bronze, máscaras, tronos,insígnias e adereços da realeza, objetos de uso pessoal, figuras de ritual, figuras ancestrais e de poder, instrumentos musicais, entre outros.
O acervo foi distribuído nos seguintes eixos temáticos:
a escultura figurativa, subdividida em objetos vinculados ao poder político e objetos cuja função consiste sobretudo em equilibrar partes da visão de mundo e assegurar a estabilidade;
máscaras e instrumentos musicais, partes integrantes das artes performáticas;
objetos de uso que apresentam uma dimensão adicional, estética, em virtude da sua forma específica.
CCBB Brasília promove debate sobre África e globalização
A globalização é um fenômeno que deixa de lado os países menos favorecidos, como os que formam o continente africano? Há formas de se combater essa exclusão? Essas e outras questões serão discutidas durante o debate Globalização e Desafio de Governançana África, no CCBB Brasília. O evento acontece às 19h30 – senhas serão distribuídas uma hora antes do início da conferência. A entrada é franca.
Para falar sobre esse delicado tema, foi destacado o representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Carlos Lopes. P.h.D. em História pela Universidade de Paris e nascido na Guiné-Bissau, Lopes irá falar sobre os desafios que os novos governantes da África enfrentam, tanto no âmbito político quanto no econômico.
O encontro faz parte do ciclo de conferências organizadas paralelamente à exposição Arte da África, em cartaz no CCBB-DF até o dia 21 de março. As discussões têm como objetivo possibilitar uma aproximação entre o Brasil e a África por meio da cultura, história de seus povos e condições sociais.CCBB Brasília - SCES Trecho 2, conjunto 22, Brasília DF; tel: (61) 310-7087.
Última semana da exposição Arte da África, em Brasília
O público de Brasília tem até este domingo, 21 de março, para ver a exposição Arte da África. A mostra é sucesso de público na cidade e bateu recordes de visitação no Centro Cultural Banco do Brasil, onde está em cartaz desde o dia 20 de janeiro. Arte da África reúne 170 objetos – dentre máscaras, esculturas, utensílios domésticos e roupas produzidas no continente africano entre os séculos XV e XX – pertencentes ao acervo do Museu Etnológico de Berlim. A curadoria é do etnólogo Peter Junge, diretor do Departamento de África do museu.
A exposição pode ser vista das 10h às 21h, com entrada franca.
DICAS DE SITES IMPERDÍVEIS NA COLUNA DA DALILA.GÓES - todas as 2as. feiras no www.correioweb.com.br SITES no caderno C
veja: http://ntl.matrix.com.br/pfilho/summer.html - catálogo de hits,divididos por décadas - letras de músicas pela inicial do artista; embora o site seja brasileiro, há mais artistas internacionais - é a tal da globalização ...
uma surpresa: www.photomosaic.com/rt/1.htm, imagens da Mona Lisa, Cristo, do globo, tudinho feito em mosaico, como este Cristo aqui, feito com mosaicos dos "manuscritos do Mar Morto", fragmentos em papiro e couro. veja: fine arts ...
Uniformes geram altas fantasias sexuais. No momento, o que está rolando em novelas e na vida real são os BOMBEIROS. Figuras ao mesmo tempo fortes e protetoras, preparo físico perfeito, dedicação a toda prova. Quem quiser uma opinião interessante sobre o "caso LUMA", pode ver a do Rubem Fonseca em: www.literal.com.br.
LUMA à parte (que que nós temos a ver com isso?], há um ensaio da Susan Sontag sobre uniformes nazistas e sua correlação com o sadomasoquismo - aproveitando, vai também uma resenha crítica sobre o filme SADE ... e algumas "fotinhas"...
Há uma fantasia generalizada sobre uniformes. Eles sugerem comunidade, ordem, identidade ( através de postos, faixas, medalhas, coisas que declaram quem é portador e o que é que ele fez: seu valor é reconhecido) , competência, autoridade legítima e exercício legítimo da violência. Mas uniformes não são as mesma coisa que fotografias de uniformes, que são materiais eróticos: fotografias de uniformes da SS são as unidades de uma fantasia sexual particularmente poderosa e generalizada. Porque a SS? Porque a SS foi a encarnação ideal da afirmação pública do nazismo, da justeza da violência, do direito de ter poder total sobre os outros e de tratá-los como absolutamente inferiores.
Os uniformes da SS eram elegantes, bem cortados, com um toque ( porém não excessivo) de excentricidade. Compare com os relativamente tediosos e não muito bem cortados uniformes do exército americano: jaqueta, camisa, gravata, calças, meias, e sapatos com cadarço – roupas essencialmente civis, não importa o quanto estejam adornadas de medalhas e faixas. Os uniformes da SS eram justos, pesados, rijos, e incluíam luvas para confinar as mãos e botas que faziam as pernas e os pés parecerem pesados, encerrados, obrigando o portador a ficar ereto. Como explica a quarta capa de Insígnias da SS :
O uniforme é preto, uma cor carregada de insinuações importantes na Alemanha. Sobre ele, a SS trajava uma enorme variedade de condecorações, símbolos, faixas para distinguir o posto, desde as runas do colarinho até caveiras. A aparência era tanto dramática quanto ameaçadora.
Na literatura pornográfica, em filmes e engenhocas espalhadas pelo mundo inteiro, especialmente no Estados Unidos, Inglaterra, França, Japão, Escandinávia, Holanda, e Alemanha, a SS tornou-se um referencial de aventura sexual. Grande parte da fantasia sexual superexcitante foi colocada sob o signo do nazismo. Botas, couros, corrente, cruzes de Ferro em torsos fulgurantes, suásticas, juntamente com ganchos de carne e motocicleta pesadas, tornaram-se a secreta e mais lucrativa parafernália do erotismo. Nas sex-shops, nas saunas, nos bares barra pesada, nos bordéis, pessoas arrastam seus acessórios. Mas por que? Por que a Alemanha nazista que foi uma sociedade sexualmente repressiva, tornou-se erótica? Como poderia um regime que perseguia os homossexuais torna-se uma excitação gay?
Um chave repousa nas predileções dos próprios líderes nazi-fascista por metáforas sexuais. Como Nietzsche e Wagner, Hitler considerava a liderança como domínio sexual das massas "femininas", como estupro. ( A expressão das multidões em Triunfo da Vontade é de êxtase; o líder faz com que a multidão se aproxime.) Movimentos de esquerda tenderam a ser unissex e assexuais em seu imaginário. Movimentos de direita, não importa quão puritanas e repressivas sejam as realidades que eles anunciam, têm uma aparência erótica. Certamente o nazismo é mais sexy que o comunismo ( o que nada credita aos nazistas, mas pelo contrário, mostra algo da natureza e dos limites da imaginação sexual) .
É claro que a maioria das pessoas que se excitam com uniformes nazistas não estão querendo dizer que aprovam o que os nazistas fizeram, se de fato têm mais do que uma vaga idéia do que isso pode ter sido. Entretanto, há poderosas e crescentes correntes de sensibilidade sexual, aqueles que geralmente são conhecidas com o nome de sadomasoquismo, que fazem a brincadeira com o nazismo parecer erótica. Tais fantasias e práticas sadomasoquistas podem ser encontradas tanto entre hetero quanto entre homossexuais, apesar de ser entre os homossexuais masculinos que a erotização do nazismo é mais visível. Sadomasoquismo (S-M) , e não swing é o grande segredo sexual dos últimos anos.
Sadomasoquismo, é claro, não significa apenas pessoas machucando seus parceiros sexuais, o que sempre ocorreu – e geralmente significa homens batendo em mulheres. O eternamente bêbado camponês russo descarregando em cima da esposa está fazendo algo que ele sente vontade de fazer (porque está infeliz, oprimido, estupidificado; e porque as mulheres são vítimas acessíveis) . Mas o eterno inglês num bordel sendo chicoteado está recriando uma experiência. Ele está pagando uma prostituta para encenar uma peça de teatro com ele, para restabelecer ou reevocar o passado – experiências dos seus tempos de escola ou de creche que agora asseguram para ele uma enorme reserva de energia sexual. Hoje talvez seja o passado nazista que as pessoas invocam, na teatralização da sexualidade, porque são aquelas as imagens ( mais do que suas memórias) de que eles esperam que uma reserva de energia sexual possa ser drenada. O que os franceses chamam de "o vício inglês" poderia, entretanto, ser tido como uma espécie de afirmação artificiosa da individualidade; a pequena encenação referia-se, no final das contas, à própria história do sujeito. A coqueluche por insígnias fascistas indica algo bem diferente; uma resposta a uma liberdade opressiva de escolha no sexo (e em outras questões) , a um grau insuportável de individualidade; o ensaio da escravização, ao invés do seu restabelecimento.
Os rituais de denominação e escravização praticados cada vez mais, a arte que mais e mais é devotada a louvar tais temas são, talvez, somente uma extensão lógica da tendência de uma sociedade afluente a transformar todas as partes das vidas das pessoas num gosto, numa escolha; convidá-las a considerar suas próprias vidas como um estilo, uma atividade (algo para fazer, sem pensar sobre ele) . Mas, quando o sexo se torna um gosto, ele talvez já esteja a caminho de tornar-se uma forma autoconsciente de teatro, que é, afinal de contas, no que consiste o sadomasoquismo: uma forma de gratificação que é tanto violenta quanto indireta, extremamente mental.
O sadomasoquismo sempre foi o aspecto mais extremado da experiência sexual: quando o sexo torna-se mais puramente sexual, isto é, separado de pessoalidade, dos relacionamentos, do amor. Não deveria ser surpreendente que ele tenha se tornado íntimo com o simbolismo nazista nos últimos anos. Nunca a relação entre mestres e escravos foi tão conscientemente estetizada. Sade teve que inventar seu próprio teatro de punição e gozo a partir do zero, improvisando o cenário, a indumentária e os ritos blasfemos. Agora existe um cenário dominante à disposição de qualquer um. A cor é o preto, o material é o couro, a sedução é a beleza, a justificativa é a "sinceridade", o objetivo é o êxtase, a fantasia é a morte.
Vez ou outra o figura do Marquês de Sade volta inspirando autores, para citar alguns, Nietzsche, Antonin Artaud, Simone de Beauvoir e até Camille Paglia; no teatro tivemos Peter Weiss e outros. O cinema também não ficou atrás com Buñuel e Pasolini e, recentemente, com dois filmes, um do francês Benoît Jacquot, apresentada no Festival de Veneza e outro de Philip Kaufman, encontrável nas videolocadoras.
O filme "Contos Proibidos do Marquês de Sade" (Quills) não faz jus à proposta de liberdade individual ilimitada de Sade, inclusive à liberdade de submissão. Antes, trata-se de um manifesto moral, de conteúdo inconfundível, sobre liberdade de expressão, e sobre a impossibilidade de matar a arte, ou sequer aprisioná-la. Como qualquer conto moral ele tende ao alegórico, é quase didático, pouco se utilizando do simbolismo mais complexo, não exigindo uma participação intelectual mais efetiva do espectador.
Aqui, o Marquês de Sade, interpretado por Geoffrey Rush, alça-se ao status de gênio incompreendido e indomável, um herói complexo, por vezes detestável, por vezes apaixonante, mas sempre tendente ao mito, como requer qualquer superprodução. Outros "heróis/ antiheróis" vão aparecendo durante o filme, a lavadeira (Kate Winslet) que por vezes encarna a salvadora, a redentora, a virgem sacrificada; o abade (Joaquin Phoenix) dividido entre o mundo da arte e do amor e das imposições de uma fé aprisionante... personagens para todos os gostos e para que nenhum espectador saia sem sentir algum tipo de identificação.
É irresistível a comparação com "Saló ou Os 120 Dias de Sodoma" (1975), o filme derradeiro de Pier Paolo Pasolini, que transporta o mais famoso romance de Sade para o fascismo da Itália de 1944. O filme de Kaufman, apesar de atrair e, uma vez ou outra, ousar, como em uma cena de necrofilia, não deixa de nos guiar por um universo conhecido e aceitável; já "Saló" prima pela perturbação e pelo desconforto frente aos seus exageros barrocos, à escatologia, à humilhação submissa e à tortura dos jovens garotos e garotas, mais fiel, assim, ao espírito do Marquês.
Bom lembrar, entretanto, que Philip Kaufman é um cineasta norte- americano e que, apesar da sua atração pelo erotismo e pelos relacionamentos humanas, como se observa em seus maiores sucessos "A Insustentável Leveza do Ser" (1987) e "Henry e June" (1990), é um "homem de família", ao contrário de Pasolini. E é como um filme norte- americano (apesar do elenco europeu) que "Contos Proibidos do Marquês de Sade" deve ser visto: dentro de todas as limitações e responsabilidades próprias de uma grande produção, seu elenco, seu orçamento, pode-se dizer que é um ótimo filme.
A história se passa no período em que o Marquês de Sade esteve confinado no asilo de Charenton, os últimos 14 anos da sua vida. Mesmo aprisionado, a mando de Napoleão, Sade mantém-se livre, com a devida proteção do Abade, através de seus textos e do teatro, porém tudo será posto em xeque com a chegada de um médico, Royer-Collard (Michael Caine), que deseja destruir Sade e o que ele representa, por métodos de tortura.
Várias tramas e sub- tramas vão se desenvolvendo, todas para reafirmar a alegoria: o corpo de Sade (o mito do artista), com muito esforço, pode ser destruído, mas seus ideais continuarão vivos e se reproduzindo. Uma alegoria romântica, quase ingênua, mas boa de se ver.
esta imagem abre o filme AS HORAS - é de OFÉLIA, personagem de HAMLET, que enlouqueceu e se afogou no rio ...
OPHELIA é um dos personagens marcantes de Shakespeare em HAMLET. Filha de Polônio, irmã de Laertes - idade entre 16 a 19 anos. Caráter emotivo e muito sensível, ama Hamlet, mas é proibida de vê-lo por seu pai. Hamlet a rejeita e, ainda por cima, mata seu pai, Polônio. Ela enlouquece de desespero e se deixa afogar no rio...
Foi retratada em sua loucura por mais de 30 artistas de todas as épocas, principalmente da era pré-rafaelita. Sua trágica feminilidade, loucura e morte inspiraram esse artistas - entre os favoritos estão:
J. Everett Millais: representa Ophélia afogada no rio, em tons de verde e amarelo - a imagem abre o filme AS HORAS, prefigurando o suicídio de Virginia Woolf. O quadro se encontra na Tate Gallery, e pode ser vista em: www.tate.org.uk (collections) - gravuras podem ser vistas e adquiridas em www.abcgallery.com//M/Millais.htm
O modelo foi Elizabeth Siddal
John Waterhouse representou-a já no outro mundo...
Taylor tem uma visão surrealista
Eu não chamo a isto já felicidade: Ao campo me recolho, e reconheço, Que não há maior bem, que a soledade.
O instante poético é necessariamente complexo: emociona, prova, convida, consola - é espantoso e familiar. É essencialmente uma relação entre dois contrários.
Dr. Hugh Diamond fotografou uma paciente psiquiátrica a quem deu o nome de: 'Ophelia, a representação da loucura', como a provar que "a arte imita a vida".
Odilon Redon fez uma versão abstrata:
Representações iconográficas dos personagens de Shakespeare podem ser vistas em:
há várias músicas baseadas no tema de Ophélia: Ophelia 2.14, de Celestial Season; Desolate Row, Bob Dylan; Ophelia, Nathalie Merchant; Altheia, do Grateful Dead, e um poema famoso de RIMBAUD:
rimbaud
OPHÉLIE
(pour rosamap)
Sur l'onde calme et noire où dorment les étoiles La blanche Ophélia flotte comme un grand lys, Flotte très lentement, couchée en ses longs voiles ... - On entend dans les bois lointains des hallalis.
Voici plus de mille ans que la triste Ophélie Passe, fantôme blanc, sur le long fleuve noir; Voici plus de mille ans que sa douce folie Murmure sa romance à la brise du soir.
Le vent baise ses seins et déploie en corolle Ses grands voiles bercés mollement par les eaux; Les saules frissonnants pleurent sur son épaule, Sur son grand front rêveur s'inclinent les roseaux.
Les nénuphars froissés soupirent autour d'elle; Elle éveille parfois, dans un aune qui dort, Quelque nid, d'où s'échappe un petit frisson d'aile: - Un chant mystérieux tombe des astres d'or.
"As Horas" explora o mundo de Virginia Woolf
Por Todd McCarthy
SÃO PAULO (Reuters) - Inteligência e habilidade estratégica consideráveis foram usadas para produzir esta adaptação muito bem montada do romance "The Hours", que valeu o prêmio Pulitzer ao autor Michael Cunningham. "The Hours" foi o título original de "Mrs. Dalloway", e é esse grande romance que Virginia Woolf escreveu em 1925 que serve de ponto de referência e fonte de inspiração para esta história interligada de três mulheres que têm vínculos estreitos com o livro.
A primeira delas é a própria Virginia Woolf (Nicole Kidman), cujo suicídio, em 1941, é a cena inicial do filme e que, em seguida, é vista lutando contra seus demônios internos enquanto escrevia "Mrs. Dalloway", 18 anos antes.
A segunda é uma leitora dedicada de Woolf, Laura Brown (Julianne Moore), dona-de-casa frustrada que vive num subúrbio de Los Angeles em 1951 e flerta com a idéia de morrer do mesmo modo que a escritora.
A terceira é uma editora literária nova-iorquina de hoje, Clarissa Vaughan (Meryl Streep), cujo primeiro nome é igual ao de Mrs. Dalloway e que é obrigada a encarar a morte iminente de um amigo escritor.
Na página escrita, as interseções entre as três narrativas são apreendidas pelo leitor de maneira sutil; na tela, tornam-se consideravelmente mais enfáticas.
Outra coisa mais pronunciada no filme é o clima geral sombrio, em parte porque as manifestações de sofrimento e suicídio são mais perturbadoras quando representadas fisicamente, mas também porque muitos dos toques literários acertados do livro não encontraram equivalentes no filme.
Entre outras coisas, o filme é sobre mulheres cujo fracasso nos papéis mais importantes de suas vidas -- como esposa, mãe ou amiga -- as impele a sofrer crises emocionais tão profundas que elas precisam pesar até que ponto vale a pena continuar a viver.
Das três histórias, a que dá mais certo é a da própria Virginia Woolf, o que é surpreendente, na medida em que não é fácil mostrar uma escritora séria na tela e que os dilemas e sofrimentos dela são os mais difíceis de retratar e os com que o público menos de identifica.
Mas a cena inaugural do suicídio gera fascínio imediato, e Nicole Kidman, enfeiada (mas, paradoxalmente, ainda carismática) com o acréscimo de uma prótese nasal e figurino sem graça, sustenta o interesse, pintando um retrato introspectivo e pessimista, mas revelador, de uma narcisista emocional cheia de problemas e obsessões.
Operando sob o princípio de "retratar a vida inteira de uma mulher em um único dia", mas multiplicado por três, o filme propriamente dito começa com três cafés da manhã. Vemos Virginia Woolf recusando-se a comer, apesar das exortações de seu marido, Leonard; Laura Brown (Julianne Moore) tentando convencer seu filhinho, Richie, a fazer o mesmo, e Clarissa Vaughan (Meryl Streep) repreendendo seu antigo namorado Richard Brown (Ed Harris), hoje aidético, sobre seus hábitos alimentares e dizendo que fará uma festa para ele naquela noite para comemorar o prêmio literário que ele ganhou.
"As Horas" é especialmente notável em seus momentos calmos. Entre suas imagens mais memoráveis figuram as de Virginia Woolf em sua sala de trabalho, fumando enquanto escreve "Mrs. Dalloway" com caneta tinteiro, cercada por inúmeras páginas espalhadas pelo chão. Outra é a que mostra Laura fugindo para um hotel apenas para ficar sozinha para ler "Mrs. Dalloway" e refletir sobre sua vida.
O trabalho do diretor Stephen Daldry com atores é de especialista. Kidman, especialmente, brilha, dando sinais de profundidade e maturidade novas no retrato que faz de uma personagem potencialmente difícil.
O papel representado por Julianne Moore representa uma variação interessante sobre a dona-de-casa dos anos 1950 angustiada que fez em "Distante do Céu", e Meryl Streep não tem dificuldade alguma em expressar as prioridades e as decepções de uma mulher urbana aparentemente autoconfiante e que, entre as três, é a que mais se parece com a personagem Mrs. Dalloway.
Dia 14 de março é DIA DA POESIA - já vimos que, para Manoel de Barros, POESIA é o MEL DA PALAVRA, o RESTILO. Para Paulo Mendes Campos, poesia é "estranho contrabando, que seres fronteiriços vão passando"...Definições, há muitas, e um consenso: no altar da Poesia, São Guilherme Shakespeare é Deus Uno e Trino, onipresente e onipotente. Sobre ele não se dá pitaco - basta saber que existe, ou existiu. Cada altar tem seus padroeiros. No meu estão, lado a lado: Walt Whitman, Emily Dickinson, Cecília, Clarice, Paulo Mendes Campos, Manoel de Barros, Hilda Hilst, Manoel Bandeira, Ivan Junqueira, Elizabeth Bishop, Fernando Pessoa, Marli de Oliveira, Sylvia Plath. CARLOS DRUMMOND é "hors-concours" ...
Não há hierarquia entre eles: são Serafins e Querubins, Tronos e Dominações. Outros podem ser maiores, mas não me dão intimidade bastante para levar para a cama... a fim de comemorar o DIA DA POESIA, e já tendo passado a semana com Manoel de Barros, chamei Adélia Prado e Marli de Oliveira - das que provocam o coração disparado...
1) o poeta Manoel de Barros sempre deu entrevistas por escrito. O professor de literatura da UnB, Adalberto Muller, está reunindo esses "diálogos" em Manoel de Barros:conversas de poesia" para a editora Rocco - "é a biografia do poeta e não da pessoa, o fazendeiro". As entrevistas "não-faladas" de Manoel foram concedidas a jornais e revistas de literatura. "A entrevista para ele é um gênero literário, um laboratório de criação. as respostas são de poeta, invenções....algumas podem ser consideradas verdadeiros poems em prosa; outras, textos teóricos". Será incluída uma entrevista "real", dada a José Castello, do Estadão.
2) A editora Globo está reeditando a obra de Hilda Hilst, sob o comando de Alcir Pécora; o próximo lançamento será BALADAS, que reúne seus 3 primeiros livros de poesia
FONTE: Coluna L2: livros & leituras, de Sérgio de Sá, no CORREIO BRAZILEINSE de hoje, 13 de março de 2004 - caderno PENSAR, pagina 2 sergio.sa@terra.com.br
tá bem, antenadíssimo Thiago, a COLEÇÃO POIESIS da Nova Fronteira, inclui, além da Adélia Prado: 24 Sonetos de Shakespeare, Flor de Poemas da Cecília, Miradouro de Henriqueta Lisboa, Árvore do Mundo e O Chapéu das Estações de Carlos Nejar, Andares de Hermann Hesse, Antologia Poética de T.S. Eliot, e Anábase de Saint-John Perse.
...atendendo a seu pedido lá vai o SONETO XVIII de Shakespeare, na tradução impecável de Péricles Eugênio >>>
- A abelha, ao sugar o néctar, vai refinando, refinando, até sair o mel. Poesia é o mel da palavra. Não sei se o mel tem sentido. Não sei se uma fuga de Bach tem sentido. Não sei se uma rosa tem sentido. O que sei é que a fuga produz encantamentos. E que a poesia é feita para produzir encantamentos. Como os gorjeios dos pássaros. Houve um tempo em minha vida que fui morar em uma usina na beira do rio Cuiabá. A usina produzia cachaça. Tinha cachaça de terceira, de segunda, de primeira; e tinha o restilo. O restilo é a mais fina destilação da cana, a própria essência. Poesia é a mais pura destilação da palavra. Não sei se isso dá sentido à poesia.
- Poesia é devaneio com método?
- Quando um homem se aperfeiçoa para pássaro, ele está querendo ser poeta. Mas para ser poeta ele precisa adquirir o terceiro olho. Aprendi com Sófocles que há três olhos: o divinatório de Tirésias; o olho dos conhecimentos e, por fim, o olho da arte, que é o terceiro. Portanto, a arte, que é o terceiro olho, se faz com o sentido divinatório e os nossos conhecimentos. Não basta aperfeiçoar-se em pássaro para cantar. É preciso imprimir no canto uma arquitetura humana. O método. Poesia não é devaneio, ora pois. É trabalho com palavras.
- As coisas mais desimportantes são as mais importantes para o poeta?
- Palavras que moram nos fundos de uma cozinha – tipo lata, borra, cisco – são mais importantes para mim do que as palavras que moram nos sodalícios. Da mesma forma, os homens que descobriram as suas insignificâncias são mais importantes para mim do que os reis e os príncipes. Já disse que o íntimo e os pobres-diabos tem mais importância para mim do que os poderosos. O mais rico para mim não é o que descobre ouro, mas aquele que descobre as coisas que não prestam. Acho que a sucata tem mais valor para os artistas de hoje do que as jóias pendentes. Acho que o desejo de Clarice Lispector veio disso, quando gritou: "Quero escrever a sucata das palavras".
- O que mais importa nesta vida banal e breve?
- Não sei. Muitas vezes ouvi uma sentença popular que diz: o que se leva da vida é a vida que a gente leva. Pra que ficar remoendo? Acho que o importante é buscar o regozijo. No amor a dois ou no amor ao próximo. Fernando Pessoa, que sabia da vida com solidão e desespero, escreveu: "Há filosofia bastante em não pensar em nada". Mas isso é pra não dizer nada. Eu também não sei responder nada. Peço indulgências.
- Arte é uma desgraça divina?
- O artista pode até ser um desgraçado, mas a sua arte há de sempre ser uma graça. Pode ser que Rimbaud tenha sido um desgarrado, mas ele pôs vertigem nas palavras. Produziu encantamentos. Não acho que arte seja uma desgraça divina, portanto. Acho que arte é uma graça humana.
- Tudo é filosofia, mas nem tudo é poesia?
- Só pra não misturar: poesia mora nos sentidos. Filosofia mora na razão. Poesia não indaga: advinha. Aliás, o próprio Aristóteles disse que o conhecimento passa primeiro pelos sentidos. Os filósofos fazem as suas sentenças em cima do que os poetas divinaram. Ao poeta é dado transficar: O poeta canta. O filósofo medita. Pra meu gosto, melhor é cantar.
- O ser humano adora uma tragédia?
- Pode ser. De minha parte eu não adoro nada. Aliás, adorar só a Deus – como diz o samba. A tragédia pode dar gosto em arte; mas na vida ninguém gosta. Os gregos talvez gostassem de tragédia, mas era nos palcos.
- O padre Vieira diz que "eu preciso de tempo para ser breve".
- Vieira lisonjeava as palavras para obter favores régios delas. Esse paradoxo é um presente régio que o padre ganhou por ter passado a vida a lisonjear palavras. Acho que Vieira limpava sua prosa ao ponto de poesia. Essa frase é poética por todas as ressonâncias literais e semânticas. Todos nós precisamos de tempo para enxugar as frases. Dizer a eternidade em duas palavras é uma eternidade em duas palavras.
- A eternidade está no presente?
- Fui ao dicionário de Littré em busca de uma definição para a eternidade. Achei estas: eternidade pode ser a duração infinita do tempo. Pode ser sinônimo de sempre. Pode ser sinônimo de nunca mais. De para todas as horas. E de para nunca dos núncaras. Se a eternidade está presente, eu deixo de saber. As coisas abstratas não podem ser fotografadas. Eternidade é uma palavra muito encostada nos homens. Sou ínfimo para entendê-la.
- Está escrevendo mais um livro de poemas?
- É mais um livro, como sempre, um livro em que me invento. Um livro de Ensaios Fotográficos no qual tento fotografar imagens. Aproveitei a imagem de Shakespeare de "um menino montado no cavalo do vento" para fotografar o cavalo. Fotografei o vento de crinas soltas. Também vi uma cigarra atravessada pelo sol, como se fosse um punhal no corpo, e fotografei o punhal e a metáfora. Fotografei imagens poéticas.
De que maneira você topou com a poesia? Alguém te apresentou a poesia ou ela se apresentou sozinha?
Acho que nasci com a doença. Depois ela veio fazendo um trabalho escondido dentro de mim, que nem semente dentro do chão. Esse trabalho seria uma preparação para brotar. E esse trabalho só é feito dentro de alguém que já tenha nele a doença, não aceitará o gosto das palavras. Aceitará que elas tenham sabor, sexo, reentrâncias, canto, cores, formas, etc. quando cheguei aos 13 anos, brotei. Estava lendo Vieira. Vieira abandonava a doutrina para lisonjear as palavras. Eu aprendi a lisonjear as palavras com ele. Depois fui entornando pro lado da poesia e entornei. Vivia fazendo piruetas com as palavras. Acho que a história é essa. Não houve encontro súbito.
Que poetas te influenciaram? Com que poetas (vivos e mortos) você costuma conversar?
Houve um poeta que me desgovernou para o bem, que me ensinou a equivocar as palavras. Que me ensinou o imenso desregramento de todos os sentidos. Foi Rimbaud. Ele ainda me encorajou a sair dos gramaticais, e ver o cheiro das cores e ouvir as formas etc. Quanto a conversar com poetas, converso com todos. Mas só de livro pra livro, de poema para poema. Cada um me diz alguma coisa e eu respondo quieto. Gosto desse tipo de convivência. Mas conversar mesmo, papo de mesa ou sofá, só conversei com o Vinícius duas vezes.
POESIA É VOAR FORA DE CASA
Passeio nº 3
Raízes de sabiá e musgo
subindo pelas paredes
Não era normal
o que tinha de lagartixa na
palavra paredes.
IX
Para entrar em estado de árvore é preciso partir
de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato sair da voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.
O PANTANAL mato-grossense, maior planície alagada do planeta, foi reconhecido como Reserva da Biosfera Mundial pela UNESCO. É uma reserva com 25 milhões de hectares, a 3ª do mundo, perdendo apenas para a da Groenlândia e a da Mata Atlântica.
Prefiro as linhas tortas, como Deus. Em menino eu sonhava de ter uma perna mais curta (Só pra poder andar torto). Eu via o velho farmacêutico de tarde, a subir a ladeira do beco, torto e deserto... toc ploc toc ploc. Ele era um destaque.
Se eu tivesse uma perna mais curta, todo mundo haveria de olhar para mim: lá vai o menino torto subindo a ladeira do beco toc ploc toc ploc.
Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor.
Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças.
Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra.
Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado.
Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente esqueceu, morrendo tuberculosa.
Estes episódios marcaram para sempre e a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres. Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos.
Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas.
Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas.
Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.
Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.
E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres; as baixinhas, as gordas, as de óculos; um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torna-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais.
Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derrama-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.
É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher.
Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos.
Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.
Nem toda feiticeira é corcunda.
Nem toda brasileira é só bunda.
Rita Lee
(OBRIGADA, VINICIUS!!!)
QUE MÚSICA MARCOU SUA VIDA???
POR ENQUANTO - Renato Russo
Mudaram as estações e nada mudou Mas eu sei que alguma coisa aconteceu Está tudo assim tăo diferente Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber Que o pra sempre sempre acaba? Mas nada vai conseguir mudar o que ficou Quando penso em alguém Só penso em você E aí entăo estamos bem Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está E nem desistir, nem tentar Agora tanto faz Estamos indo de volta pra casa ...
Opero por semelhanças. Retiro semelhanças de pessoas com árvores de pessoas com rãs de pessoas com pedras etc etc.
Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas. Preciso de obter sabedoria vegetal. (Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.) E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.
A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou—eu não aceito. Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas."
Dr. Freud: O que quer uma mulher? A senhora aí, Dona Virginia Woolf?
R: em primeiro lugar, quero um teto todo meu; jantar todos os dias com vinho; ganhar minha grana com minha pena; vaguear pelo lugares veneráveis da Terra; sentar nos degraus do Partenon; ir para o meu escritório às 10 da manhã e voltar às 4 da tarde para escrever um pouco de poesia; ter sempre a visão de um céu aberto. Quero mais 100 anos para poder falar livremente e escrever um livro melhor. Isto: quero mais 100 anos, um teto todo meu, uma renda anual com meu trabalho, que me assegure independência, pois as mulheres têm tido menos liberdade intelectual que um filho de escravo ateniense ... (Um Teto Todo Seu, Virginia Woolf, 1929]
Dr. Freud: e as outras aí, como vão se vestir daqui pra frente?
R.: do jeito que a gente quiser
Dr. Freud: e pretendem ir pra onde?
R.: pra qualquer lugar que a gente queira
Dr. Freud: afinal, alguém pode me responder o que essa mulherada quer?
O livro A Beleza do Século nos informa como a aparência feminina foi se modificando, passando a incluir a beleza étnica de africanas, asiáticas e mestiças no panteão antes reservado às brancas européias. Assim como a beleza étnica é ressaltada na moda globalizada, as invenções radicais do corpo, seja pelo estranhamento surreal, seja pela radicalização punk, são todas eventualmente incorporadas ao consumo.
Os avatares diversos da beleza incluem essa domesticação do rebelde, do diferente, do estranho, do feio e do diverso. Quão libertária é essa diversidade domesticada? Quantas mártires se fazem em seu nome?
Exemplo: para ficar com aquele ar dourado de musa de Boticelli, as belas italianas do Renascimento descoloriam o cabelo com limão e açafrão.
São apresentados os contrastes da beleza feminina através dos tempo: a imagem publicitária longilínea, o rosto marcante das asiáticas, a rebedia estética das punks, as melindrosas dos anos 20, a maquiagem perfeita dos anos 60, as louras platinadas das telas de cinema, o psicodelismo dos anos 70 e o vale-tudo do século XXI
BELEZA DO SÉCULO / Org. Dorothy Schefer Faux, Ed. Cosac & Naify, comentado por Beatriz Jaguaribe, doutora em Literatura Comparada pela Universidade de Stanford, e autora de Fins de Século: cidade e cultura no Rio de Janeiro / Rocco.
Eis o acontecido: Madalena, com um gesto impróprio e desmedido, confia em Cristo e esta decisão anula todas as barreiras, todos os preconceitos, todas as distâncias. Ela, como Zaqueu e a Samaritana – se torna o metro de medida de uma humanidade nova e maior.
O mesmo modo de medir, totalmente incompatível com a mentalidade colocada dentro de formas, emerge no momento da Ressurreição. Desta vez, a protagonista é Maria de Magdala, a mulher que permaneceu aos pés da cruz com Nossa Senhora. No domingo vai bem cedo ao sepulcro e vê uma pessoa a quem confunde com jardineiro. Depois, ele se revela: "Mulher – nos conta João transcrevendo o diálogo entre o Senhor e sua discípula - porque choras? A quem procuras?". Ela, pensando que fosse o guarda do jardim, lhe disse: "Senhor, se tu o tiraste daqui, dize-me onde o colocaste e eu irei buscá-lo". Jesus lhe disse: "Maria". Ela, então, volta-se para ele, e lhe diz em hebraico: "Rabi", que significa Mestre. Jesus lhe diz: "Não me toques, pois ainda não fui ao Pai...".
os sites mais quentes da hora podem ser encontrados na coluna SITES da dalila.goes@correioweb.com.br todas as 2ªs feiras.
AGRADEÇO A CHRIS O ENVIO DO POEMA DE GILKA MACHADO
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de su presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada - meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
como a Sol já disse no blog >>>>>>> http://solstar04_u2.zip.net/index.html , somos um trio de AMIGAS da ROSE, uma confraria que a estima e admira (Sol, Deb e eu) . Eu também nunca a vi de perto, só conversamos na net, mas já somos antigas amigas...
suas qualidades transcendem esta telinha: generosa, solidária, altíssimo astral! sem contar que é uma figura linda. Aí tramamos este tríplice ataque de PARABÉNS, a ela que tem o apropriado nick de SUNSHINE...
PARABÉNS, ROSE. Obrigada por sua amizade que jamais falha. Sendo uma FLOR de pessoa, só podia chamar-se ... ROSE ....
Barroco: estilo em que predomina o exagero dos adornos, enfeites, figuras...
arte barroca
A arte barroca estendeu-se por todo o século XVII e pelas primeiras décadas do XVIII. Surgiu em Roma e depois espalhou-se aos poucos por toda a Europa e a América Latina, assumindo características diversas ao longo do tempo.
O barroco nasceu e se desenvolveu em princípios do século XVII na Roma dos papas. Mais que um estilo artístico, era um estilo de vida. É profundamente católico e foi usado como forma de expressão da mensagem religiosa da Contra-Reforma.
A palavra "barroco"
A exuberância da arte barroca foi considerada de mau gosto pelos neoclássicos do século XVIII. E foi, aproximadamente, a partir de 1750 que a palavra barroco passou a ter sentido pejorativo, designando uma arte extravagante.
O verdadeiro significado da palavra barroco, aliás, ainda não foi totalmente esclarecido. Era usada na ourivesaria para designar um certo tipo de pérola irregular. Mas era usada também para descrever as linhas curvas dos móveis e a dissolução dos contornos firmes na pintura.
De qualquer forma, o sentido pejorativo acabou se fixando e foi só por volta de 1850 que a arte barroca começou a ser revalorizada.
Barroco no Brasil
Na metade do século XVIII, o Barroco já tinha entrado em declínio na Europa. Mas em algumas regiões do Brasil, especialmente em Minas Gerais, ele teve um último desenvolvimento, estimulado pela riqueza gerada pela descoberta de ouro e pedras preciosas.
O artista mais original do barroco brasileiro foi Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814).
Arquiteto, entalhador e escultor, as obras do Aleijadinho constituem, até hoje, um dos pontos mais altos da arte brasileira. Na pintura, destaca-se Manuel da Costa Ataíde (1762-1837
O tema central de Romanceiro da Inconfidência é, como o próprio título indica, a Inconfidência ou Conjuração Mineira, episodio histórico ocorrido em 1789, que culminou com a morte de Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes) e com o degredo de outros tantos revoltosos. Dentro dessa centralização temática, teríamos a morte de Tiradentes como o núcleo. Entretanto, outros temas giram em torno dele. o aproveitamento histórico do episodio serviu para autora trazer à tona outros assuntos, tais como a traição, a covardia, a ambição desmedida (gerada principalmente pela febre do ouro), a inveja, o medo, a coragem, a ousadia, a loucura, a corrupção, e, por que não, o amor.
A traição e a covardia ficam por conta daqueles que, movidos por interesse econômico (Joaquim Silvério dos Reis) ou por medo das ações do governador de Minas, delataram os inconfidentes. Muitos desses delatores sequer viram ou ouviram alguma coisa que pudesse servir de prova contra os acusados.
A ousadia fica por conta do herói do poema, Tiradentes, que ousava sair pelos campos ou pelos quartéis pregando a liberdade e falando contra a ambição da Coroa Portuguesa que estava sempre a exigir mais dinheiro para seus gastos e deleites. Também, não podemos nos esquecer dos inconfidentes e dos heróis anônimos.
"...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..."
Tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a cidade de Ouro Preto reúne um dos conjuntos mais homogêneos e completos de arte barroca do mundo. Localizada a 93 km de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, foi fundada em 24 de junho de 1698, dia em que os bandeirantes paulistas avistaram o Pico do Itacolomi. Na paisagem montanhosa, reconheceram a sonhada região do Tripuí, onde encontraram o ouro preto, recoberto por uma camada de paládio e famoso por sua especial qualidade.
Imediatamente, milhares de pessoas abandonaram seus comércios na Bahia, plantações de cana-de-açúcar em Pernambuco ou a criação de gado nos sertões do Rio São Francisco para ir atrás do tão cobiçado ouro. Vieram também do Rio de Janeiro e do litoral Sul. Aldeias inteiras do norte de Portugal atravessaram o Atlântico, em busca do eldorado enfim descoberto no coração do Brasil.
Toda essa gente iria entrar em atrito frontal com os paulistas, pioneiros na conquista do território. Vários conflitos, como a Guerra dos Emboabas, marcaram os primeiros tempos em Minas Gerais. A localização estratégica de Ouro Preto contribuía para a exacerbação dessas contendas em seus arraiais.
Com vistas à organização do poder português, o governador Antônio de Albuquerque criou Vila Rica, em 8 de julho de 1711, reunindo sob a jurisdição municipal os diversos arraiais onde efervescia a febre do ouro preto. Em 1720, a Coroa instituiu a Capitania de Minas Gerais, desmembrada da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, e sua capital se estabeleceu em Vila Rica. Em 20 de março de 1823, o imperador Pedro I, homenageando a capital mineira, elevou Vila Rica à condição de cidade, com o título de Imperial Cidade de Ouro Preto.
Capital da província, durante o Império, Ouro Preto tornou-se capital do estado de Minas Gerais, com a República (1889). Logo o desejo de mudança, estimulado pelo novo regime, fez com que os mineiros construíssem a cidade de Belo Horizonte para sediar o governo estadual (1897). Ouro Preto pôde assim ser preservada como cidade monumento, título que recebeu do presidente Getúlio Vargas em 1933. Em 1938, a cidade foi integralmente tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1980, tornou-se o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na lista do Patrimônio da Humanidade estabelecida pela Unesco.
Durante o século XVIII, a abundância do ouro, facilmente encontrado no leito dos rios e córregos da região, ensejou o embelezamento da cidade desenhada sobre as colinas de duas montanhas colossais. Grandes artistas, como o entalhador português Francisco Xavier de Brito, vieram participar dessa intensa atividade. O arquiteto e mestre carapina Manuel Francisco Lisboa, autor de obras importantes em Vila Rica, teve um filho com sua escrava africana, e este veio a ser Antônio Francisco Lisboa, apelidado de Aleijadinho devido à moléstia que lhe deformou os membros, no final da vida. Aleijadinho é o maior artista brasileiro do período colonial e legou ao País uma herança inigualável pela genialidade de suas dimensões. Em Ouro Preto, onde nasceu e morreu (1738-1814), deve-se a ele o esplendor arquitetônico e artístico da Igreja de São Francisco de Assis, entre muitas obras que se particularizam no cenário urbano e na ornamentação dos templos. Construída entre 1765 e 1810, a igreja é uma obra-prima que reúne a genialidade de Aleijadinho e a do pintor Manoel da Costa Athayde, outro grande mestre do barroco mineiro.
No século XVIII, as irmandades religiosas multiplicaram as construções em Ouro Preto, e cada uma tentou fazer de sua igreja a mais rica e bonita da cidade. Com o ouro da região, esconderam, no interior das igrejas, verdadeiros tesouros em altares decorados com talhas douradas. Com a pedra-sabão, matéria prima local, substituíram o mármore europeu e encontraram soluções originais para a decoração de cada uma das igrejas. Por trás de fachadas simples levantaram colunas retorcidas e esculpiram anjos, seres mitológicos, santos e cenas bíblicas. As matrizes de Nossa Senhora do Pilar e de Nossa Senhora da Conceição, guardiãs do barroco da primeira fase (estilos nacional português e Dom João V), revelam a exuberância e prodigalidade da talha, em meio a duas dezenas de templos que narram a saga da criatividade dos mineradores.
Pintura, escultura, música, poesia, teatro são uma amostra da fertilíssima produção cultural de Ouro Preto no século dourado. Remate dessa expressão singular foi a conspiração pela independência do Brasil, articulada por advogados, sacerdotes, poetas, militares e mineradores de Vila Rica, entre 1788 e 1789, conhecida como Inconfidência Mineira. Influenciados pelas idéias iluministas da França e pela independência dos Estados Unidos, os inconfidentes de Ouro Preto sonharam uma República na América portuguesa e começaram a preparar a revolução. A denúncia de alguns companheiros fez com que as principais lideranças fossem presas. O alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, como era conhecido por ser dentista prático, foi enforcado, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792, enquanto 12 prisioneiros eram deportados para a África.
A natureza não cria obras de arte. Somos nós, com a peculiar capacidade de interpretação do cérebro humano, que vemos arte.
(Man Ray)
Filho de judeus, Emmanuel Radnitsky, mais conhecido como Man Ray, nasceu no estado da Filadélfia, nos Estados Unidos, em 1890. Seu pseudônimo, Man Ray, é formado por duas pequenas silabas que significam Homem (man) e raio (ray) de luz ou sol. Sua formação como técnico em arquitetura acabou levando-o a pintura. Em 1914 comprou sua primeira câmera para fotografar os seus quadros. Foi assim que desenvolveu uma obra fotográfica tão criativa e plástica quanto suas pinturas.
Aos 21 anos decide ir para Nova Iorque para estudar no Centro Ferrer. É lá que, em 1912, faz sua primeira exposição. Antes de se estabelecer em Paris, onde desembarcou em 1921, Man Ray já era uma figura de primeiro plano do Dadaísmo em Nova Iorque. Toda a sua obra tem profundas ligações com o movimento Dada e com o Surrealismo. Prova disso é que ele foi participação certa nas mais importantes exposições desses dois movimentos artísticos da primeira metade do século XX.
Quando chegou em Paris, associou-se ao grupo de surrealistas liderados por André Breton. Para financiar sua pintura, tornou-se retratista, virou um dos maiores nomes na fotografia de moda e passou a experimentar tudo o que podia na fotografia. Man Ray criou sempre com grande liberdade e desejo sem se prender a condicionalismo dos gêneros. “Nem uma pintura, nem uma fotografia”, dizia.
Man Ray foi um dos mais criativos fotógrafos de sua época. Foi um dos pioneiros da fotomontagem. Costumava dizer que a fotografia era como um aspecto preto e branco da pintura. A fotografia era para ele, assim como a pintura e a escultura, aspectos de uma mesma realidade artística. Para ele, a diferença era uma diferença de processo.
Por volta de 1921 desenvolveu uma técnica que consistia em colocar objetos sobre papel fotossensível e expô-los a luz. O resultado desse método, ao qual ele batizou de rayographs, lembra as colagens cubistas. “A fotografia não é uma arte em si. Poderá atingir altos valores: mas isso depende de quem a pratica. Há meia dúzia de criadores e esses, tanto o são com este processo ou com aquele. Em seguida vêm os imitadores. Mas repare, que não me insurjo contra eles. Sinto-me até muito lisonjeado quando me imitam. Tratam-se de pessoas que sabem apreciar. Pelo meu lado, procuro sempre a novidade. Mas não nos devemos indispor com aqueles que procuram sempre fazer a mesma coisa, defende Man Ray.
Eu não fotografo a natureza. Eu fotografo minhas visões. / Man Ray
este livro de Umberto Ecco, do qual foi feito o filme homônimo, trata de livros e bibliotecas na Idade Média - segue a sinopse - vale a pena ler o livro e ver o filme:
Sinopse Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.
A disputa pelo poder supremo na Igreja-Abadia mostra que ele só tem importância na medida em que o Abade mantém as chaves da Biblioteca em suas mãos. É por ter as chaves doutrinárias que o Papa pode "abrir e fechar o poço do abismo" (Apoc. IX,1), ou as portas do Reino dos céus. O labirinto do poder eclesiástico leva da Igreja à Biblioteca.
O que contava na Abadia, na verdade, não era o cargo de Abade e sim o de bibliotecário. Na Igreja, especialmente quando o Papa é fraco, o que tem importância é o controle da Doutrina da Fé. É lá, na Biblioteca, que está o mistério da Abadia. É lá que se formam os monges, isto é, os futuros Abades e Bibliotecários, os teólogos que influenciarão e aconselharão os Papas e orientarão os Concílios.
Porém, como diz o imbecilizado monge Alinardo de Grottaferrata, "muitos atos de soberba foram cometidos na Biblioteca especialmente depois que caiu em mãos dos estrangeiros", isto é, dos que não eram italianos. Por isso, diz ele, "Deus ainda está castigando "(R.349).
“Rosa, 1º) lat. rosa; 2º) abrev. de n. como Rosamunda.” (GUÉRIOS, 1981: 214)
Acerca do nome Rosa, quando pesquisamos em diversas fontes, encontramos sempre esta referência à flor da roseira e sua simbologia. Recorremos, então, ao dicionário de símbolos para, primeiramente, saber o que, genericamente, simboliza a flor e encontramos:
Embora cada flor possua, pelo menos secundariamente, um símbolo próprio, nem por isso a flor deixa de ser, de maneira geral, símbolo do princípio passivo. O cálice da flor, tal como a taça*, é receptáculo da atividade celeste... (CHEVALIER, J. & GHEERBRANT, 1989: 437)
Aqui sozinho, nesta calma e silêncio, toda a história da humanidade rola lentamente diante de mim. Respiro o ar inaugural do mundo, o perfume das rosas do Éden ainda rescendentes de originalidade. A primeira mulher colhe o primeiro botão. Vejo as pirâmides subindo: o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente; vejo Roma em ascensão, e ouço os gritos dos bárbaros chegando. Observo o matemático inca no orgasmo de criar a mais simples e fantástica invenção humana - o zero. Arquimedes me põe na banheira, em Siracusa, e percebo, emocionado, meu corpo sofrendo um impulso de baixo para cima igual ao peso do líquido por ele deslocado. Reabro feridas de traições, horrores do poder. Rios de sangue correm pela história, justos são devidamente condenados, injustos devidamente glorificados. Sinto as frustrações neuróticas de tantos seres ansiosos, e a tentativa de superá-las como o exercício de supostas santidades. Com emoção a que nenhum sexo se compara, começo, pouco a pouco, a decifrar o que pensaram seres como eu em dias assustadoramente remotos. Acompanho um homem - num desses raros instantes de competência que embelezam e justificam a humanidade - pintando e repintando o teto de uma capela; ouço o som divino que outro tira de um instrumento que ele próprio é incapaz de ouvir. Componho em minha mente o retrato de maravilhosas sedutoras, espiãs, cortesãs e barregãs, que possivelmente nem foram tão belas, nem seduziram tanto. Sento e sinto e vejo, em criação única, pessoal e intensa, porque ninguém materializou isso para mim. Estou só - eu com minha imaginação . E um livro.
Millôr Fernandes
ganhamos uma menção virtual no blog da Beta, um "token", um "selinho", uma senha, um symbolon:essa senha, entre os gregos, era portadora de amizade...
Mas, quem é BETA?
é misto de corpo, alma, palavra e matéria lunar. Sabendo que a vida é líquida, veio ao encontro das águas. Deu nome a uma estrela: Beta de Acquarius. Tem sido vista portando um vaso de alabastro. O seu destino é caminhar, alucinada e nua, buscando a quem ungir-lhe os pés com o nardo. Sabe que a criação não se esgotou no 6° dia (*).É propensa a lágrimas. É propensa a constelações. Visitantes de seus belos sites se contentam com o ar de sua graça.Ela se contenta em ser adorada...
CONSTELAÇÕES, CINTILAÇÕES, AS VIBRAÇÕES ...
Hoje acontece em Brasília o lançamento do livro COMEÇO, de Nathalie Quintane, da coleção Ás de Colete, da Cosac & Naify - ela diz ter cuidado ao usar a palavra "poeta", pois não faz versos, mas poesia - tout court. Segundo as notícias, ela faz parte de uma tendência da poesia francesa identificada como "alírica", não "antilírica". Tento utilizar todos os meios à disposição e não somente as palavras.
Em todos os livros, Nathalie, que é performática em seus eventos, parte do princípio de que cada página tem sua independência. O texto não é só a junção de letras e palavras, mas sua distribuição na folha de papel, o tamanho da fonte e os elementos inseridos, como imagens e fotografias. NÃO PARECE COISA DA BETA??
(*) a citação é tirada de Joel-Peter Witkin, autor de Humor & Fear, e Love and Redemption: fotos do corpo humano e suas deformaões e modificações.
neste livro, HAROLD BLOOM, de Yale, diz no prefácio: "não existe apenas um modo de ler bem, mas existe uma razão precípua por que ler. Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria? se tivermos sorte, encontraremos um professor que nos oriente, mas, em úlima análise, vemo-nos sós, seguindo nosso caminho sem mediadores. Ler bem é um dos grandes prazeres da solidão; ao menos, segundo a minha experiência, é o mais benéfico dos prazers. Ler nos conduz à alteridade, seja à nossa própria ou à de nossos amigos, presentes ou futuros. Literatura de ficção é alteridade e, portanto, alivia a solidão. Lemos não apenas porque, na vida real, jamis conheceremos tantas pessoas como através da leitura, mas, também, poruqe amizades são frágeis, propensas a diminuir em número, a desaparecer, a sucumbir em decorrência da distãncia, do tempo, das divergências, dos desafetos da vida.
no prólogo: "considero a leitura como hábito pessoal, e não como prática educativa. [...] devemos ler à luz interior celebrada por John Milton e considerada por Emerson um princípio de leitura: o estudioso é uma vela acesa pelo afeto e pelo gosto de toda a humanidade...
A melhor contribuição de Virginia Woolf é o lembrete: " temos sempre dentro de nós um demônio que sussura em nossos ouvidos - 'detesto, gosto' - e somos incapazes de silenciá-lo". Conclui Bloom: "não consuigo silenciar o demônio que trago dentro de mim, mas neste livro só darei ouvidos quando disser "gosto", pois não pretendo aqui suscitar polêmica, apenas ensinar a ler.
Claro que Bloom se atém à literatura estrangeira, mas principalmente à de língua inglesa: pela ordem: Turgenev, Tchekhov, Maupassant, Hemingway, Nabokov, Borges, Italo Calvino; em poesia: Blake, Tennyson, Browning, os dois maiores da poesia americana, Walt Whitman e Emily Dickinson, Emily Bronte, "a pedra de toque", Shakespeare, Milton, Wordsworth, Coleridge, Shelley e Keats - no romance: Cervantes, Sthendal, Jane Austen, Dickens, Dostoiéviski, Henri James, Proust, Thomas Mann; de teatro: Shakespeare, Ibsen, Oscar Wilde; voltando ao romance
: Melville, Faulkner, Nathanael West, Pynchon, McCarthy, Ellison, Toni Morrison.
Aqui no Brasil, de qual você diria: "gosto"? de Alencar, de Raul Pompeía, de Cruz e Souza, Bilac, Gonçalves Dias, os Andrade, Mário e Oswald? e da literatura mais contemporânea? Jorge Amado, João Ubaldo, Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Roberto Drummond, Affonso Romano de Santana, Dalton Trevisan, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Zélia Gattai, Vinícius, Érico Veríssimo, Luiz Fernando, Murilo Mendes, Cassiano Ricardo, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Hilda Hilst, Lya Luft, Pedro Nava, Haroldo e Augusto de Campos, Raduan Nassar, GuimarãesRosa, e tantos outros .. entre os quais, o Manuel de Barros:
"a poesia está guardada nas palavras
- é tudo o que eu sei.
Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não cultivo conexões com o real.
Para mim poderoso não é aquele
que descobre ouro.
Poderoso para mim é aquele que
descobre as insignificâncias: do mundo e as nossas.
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
O Cd está fazendo 20 aninhos - vc sabe por que ele tem capacidade para 74 minutos? é a duração da 9ª SINFONIA DE BEETHOVEN, patrimônio da humanidade...
Já conheço os passos dessa estrada sei que não vai dar em nada seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho e sei também que ali sozinho eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que no entanto volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos que num album de retratos eu teimo em colecionar.
Lá vou eu de novo, como um tolo procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara ainda volto a lhe escrever
Prá lhe dizer que isto é pecado eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração...
Para Baudelaire, "a fotografia não passa de um refúgio de todos os pintores frustrados", e para outros, é uma "invenção do diabo". Desde 1832, quando Hercules Florence gravou um imagem em papel, ela tem passado de " mera cópia do real para se tornar mais subjetiva, intimista, interpreativa, valorizando o discurso do próprio autor" (prof. Enio Leite da FocusFoto).
Muitos fotógrafos foram, desde então, considerados artistas, autores, tais como Nadar, Atget, Cartie-Bresson, Robert Capa, Man Ray e nosso Sebastião Salgado, para citar somente uns poucos.
Nossa época se caracteriza pela fotografia de fatos – fotojornalismo, mas tanto na net quanto em livros se encontram vários desses "intérpretes" da realidade, e que vieram do fotojornalismo, como Evandro Teixeira, Orlando Brito – deste, há fotos no MAM de São Paulo: a notável série sobre Ulysses Guimarães, e muitos contemporâneos da pesada. Inclusive editados em livros belíssimos, como os de Miguel Rio Branco, o próprio Orlando Brito, sem falar nos internacionais Cartier-Bresson, Man Ray, Mapplethorpe.
Segundo os historiadores, a câmara fotográfica foi inventada por Leonardo da Vinci no século XVI. A 1ª fotografia da história é de Nièpce, 1826 – a varanda de uma casa. A primeira fotografia aérea foi feita em Paris, a bordo de um balão, em 1858. Em 1888, George Eastman criou a primeira câmara portátil, que recebeu o nome de KODAK. Em 1929, Harod Edgerton inventou o flash eletrônico, possibilitando fotografias em baixa luz.
FOTOGRAFIA, em qualquer campo, é o domínio da luz e sombra. O objeto interage com o fotógrafo (observador) ou dele só toma conhecimento depois do fato acontecido. Com as atuais fotos digitais, o conceito de realidade em fotografia não é mais um cânone: tudo se manipula, em busca de efeitos de estranhamento ou beleza ou mal-estar.
eis aqui o Antigo Egito virtual, maravilhoso, para você se tornar um Cibernauta Faraó. Reconstruções em 3-D do Egito Antigo, com imagens de alta resolução, fazem parte do site Eternal Egypt. Há também um divertido tour pela tumba de Tutankamon, Giza, o Templo de Luxor - com mapas interativos e toda a história do Egito. Você vai poder explorar um museu egípcio, sala por sala, e através dos artefatos e gravuras. Para curtir bem esta viagem, entre em: www.eternalegypt.com, e divirta-se. Hoje não tem pra mais ninguém nem mais nada.
Agradecimento a ROSE pela magnífica colaboração. ENTER THE WEBSITE ---->>>>> www.eternalegypt.com!
"Foi pensando em Casagemas que passei a pintar em azul", disse Picasso. O suicídio do amigo o incita a empreender essa investigação da miséria e do desespero humanos que é tanto a denúncia da sociedade burguesa da época quanto o reflexo das questões que o pintor se coloca sobre a vida, o amor e a morte. É uma "pintura molhada, azul como o fundo úmido e condoído do abismo".15 A monocromia azul apodera-se das telas, apesar de algumas pinceladas de cor que às vezes reavivam a cena.
"Por ora", escreve M. Raynal, "Picasso compartilha as alegrias amargas e as tristezas de seus modelos imaginários. Abandonou as cores muito brilhantes, a desenvoltura de arabescos desordenados. Os simples prazeres da visão já são suspeitos. Para Picasso, a pintura possui uma missão dramática. Uma obra deve remexer o ventre antes de agradar os olhos; é fonte mais de emoção que de satisfação. E essa emoção, para ser autêntica, obtém-se por meios simples, diretos, despojados de todo artifício. Por isso, o desenho da 'época azul' torna-se discreto, severo, com freqüência pungente, mas sempre generoso, natural, seguro de si, por causa da autenticidade do sentimento que o inspira e por ser vivificado de curvas de uma delicadeza apaziguante, que temperam o ascetismo da composição".
http://kurtwenner.com - Wenner era contratado da Nasa, como ilustrador espacial, mas preferiu estudar os mestres italianos - compõe grandes paineis, faz pinturas a óleo, giz e outros materiais, e se diz "pintor de rua" - seu estilo é calcado na exuberância barroca
Dois contos brasileiros sobre ESPELHOS são o de Machado de Assis e o de Guimarães Rosa; deste último apresentamos um pequeno trecho:
"o espelho são muitos, captando-lhe as feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com aspecto próprio e praticamente imudado, do qual lhe dão imagem fiel. Mas – que espelho? Há-os "bons" e "maus", os que favorecem e os que detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade? ....Sim, são para se ter medo, os espelhos. Temi-os desde menino, por instintiva suspeita. Também os animais negam-se a encará-los, salvo as críveis excepções. Sou do interior, o senhor também; na nossa terra, diz-se que nunca se deve olhar em espelho às horas mortas da noite, estando-se sozinho. Porque neles, às vezes, em lugar da nossa imagem, assombra-nos alguma outra e medonha visão. Sou, porém, positivo, um racional, piso o chão a pés e patas. Satisfazer-me com fantásticas não-explicações? – jamais. Que amedrontadora visão seria então aquela. Quem o Monstro?"