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strange-fruit


O MAR ESTÁ PRA "PEIXES" ...

                                        

                             

   CANTIGA PARA CHICO BUARQUE

no carrossel azul do mar

há uma hora de brincar

há uma hora de brincar

no carrossel verde do bar

e no verde azul vão brincar

no verde mar azul do bar

do carrossel verzul do mar

paulo mendes campos

 

 

                                                                O PEIXE – Murilo Mendes

O infinito peixe. Alfa e ômega dos bichos. O peixe finito. O peixe fluvial. O peixe marítimo. O peixe redondo. O peixe estilete. O peixe oblongo. O peixe lírico. O peixe dramático. O peixe épico, assaltador de homens e navios... Peixe agulha. Peixe borboleta. Peixe cabra. Peixe-cachorro. Peixe-cana. Peixe-cavalo. Peixe-congo. Peixe-do-mato. Peixe-flor. Peixe-lua, peixe-macaco. Peixe-martelo. Peixe-morcego. Peixe-mulher. Peixe-pedra. Peixe-piolho. Peixe-prego. Peixe-rato. Peixe-roda...peixes dançarinos, peixes surrealistas, peixes sonhadores...

 



Escrito por tekka às 00h09
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Escrito por tekka às 00h06
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o mar me quebra

me leva, me naufraga

me transporta

 

o mar me absorve

sou espuma

estrela de cinco pontas

água-viva

 

o mar me arrasta

bate em meu coração

altas ondas

 

resto-me na praia

dourado berçário

 na morna areia

me aqueço e sonho ...

      (tekka)

 



Escrito por tekka às 00h03
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MARINHA

O barco é negro sobre o azul.

Sobre o azul, os peixes são negros.

Desenham malhas negras as redes, sobre o azul.

Sobre o azul, os peixes são negros.

Negras são as vozes dos pescadores,

Atirando-se palavras no azul.

É o último azul do mar e do céu.

A noite já vem, dos lados de Burma,

Toda negra,

Molhada de azul:

- a noite que chega também do mar.

(Cecília)



Escrito por tekka às 23h51
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SOLTE SUAS FERAS ...

Como está chegando o dia de declarar o IR, esta página hoje vai homenagear o leão,  chamado rei dos animais, meio desmoralizado agora com a ameaça que tem que fazer aos contribuintes - mas já que o tempo é de bichos ...

                                                                                                     SOLTE SUAS FERAS!

-<@

AVISO AOS NAVEGANTES: a homenagem ao leão é por tabela -   Sol: não se acanhe de ser u.d.r.f. a declaração abaixo é de MALES, não de bens ...

-<@

 

 



Escrito por tekka às 23h41
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DECLARAÇÃO DE MALES de P.M.C.

 

 


DECLARAÇÃO DE MALES

Ilm° Sr. Diretor do Imposto de Renda

Antes de tudo devo declarar que já estou, parceladamente, à venda.

Não sou rico nem pobre, como o Brasil, que também precisa de boa parte do meu dinheirinho.

Pago imposto de renda na fonte e no pelourinho.

Murchei em colégio interno durante seis anos

Mas nunca cheguei ao fim de nada, a não ser dos meus enganos.

Fui caixeiro. Fui redator. Fui bibliotecário.

Fui roteirista e vilão de cinema. Fui pagador de operário.

Já estive, sem diagnóstico, bem doente,

Fui acabando confuso e autocomplacente.

Deixei o futebol por causa do joelho.

Viver foi virando dever e entrei aos poucos no vermelho.

No Rio, que eu amava, o saldo devedor

Já há algum tempo que supera o saldo do meu amor.

Não posso beber tanto quanto mereço,

Pela fadiga do fígado e a contusão do preço.

Sou órfão de mãe excelente.

Outras doces amigas morreram de repente.

Não sei cantar. Não sei dançar.

A morte há de me dar o que fazer até chegar.

Uma vez quis viver em Paris até o fim,

Mas não sei grego nem latim.

Acho que devia ter estudado anatomia patológica

Ou pelo menos anatomia filológica.

Escrevo aos trancos e sem querer

E há contudo orgulhos humilhantes no meu ser.

Será do avesso dos meus traços que faço o meu retrato?

Sou um insensato a buscar o concreto no abstrato.

Minha cosmovisão é míope, baça , impura,

Mas nada odiei, a não ser a injustiça e a impostura.

Não bebi os vinhos crespos que desejara,

Não me deitei sobre os sossego verdes que acalentara.

Sou um narciso malcontente da minha imagem

E jamais deixei de saber se vou de torna-viagem.

Não acredito nos relógios ... the pale cast of thought...

Sou o que não sou (all that I am I am not).



Escrito por tekka às 23h37
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O LEÃO segundo Murilo Mendes

 

... foi o leão que marcou de modo particular minha iniciação aos bichos, nosso parceiro de aventura terrestre. Dá-se o caso que, sendo eu menino, apareceu na cidade uma companhia circense com seus bichos, seus palhaços, seus trapezistas, seus mambembes e, acima de tudo, seu leão.

No dia da estréia, o leão encarou altivo a assistência, o domador de casaca azul e cartola fazia estalar o chicote, um palhaço espandongado soltava simultaneamente no ar enormes bolas verdes, vermelhas, amarelas. O leão parou, decidiu não urrar, depois fez um muxoxo, deu a volta à pista, regressando sem tirte nem guarte à sua jaula.

Quanto a mim, continha a respiração. O fato de o leão não urrar, não ameaçar, comunicou-me respeito pela sua pessoa.

O primeiro e último leão da minha vida suscitou-me um problema importante, desenvolvido muito depois: saber se também os seres mais inumanos terão uma ligação mesmo tênue com a ternura; não só o leão ou o tigre, mas ainda o carrasco, o ditador, o alto executor dos campos de concentração, o artífice da bomba.

Mário de Sá Carneiro mandou uma vez a Fernando Pessoa o texto de sua poesia "Dispersão", que assim termina:

Castelos desmantelados

Leões alados sem juba ...

Comentando estes dois versos, diz o próprio autor:

Leões que são mais que leões, pois têm asas e aos quais no entanto arrancaram as jubas, a nobreza mais alta, toda a beleza das grandes feras douradas ...

Mas é a Jean Arp, escultor, pintor e poeta da minha reverência, que pedirei emprestado o fecho leonino desta página:

Par conséquent

Le lion est un diamant



Escrito por tekka às 23h32
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PANTERA

com tanto furor interno,

quem a livra, quem a livra

de ser o seu próprio inferno,

de, pelo fogo da ira,

consumir-se estando quieta,

de acabrunhar-se sozinha.

Nem se diria uma fera!

Nem se diria rainha!

As patas pisando o chão

Têm uma dura leveza,

Os pêlos brilhando de ônix,

- de si mesma prisioneira –

caminha de um lado a outro

como pelo mundo inteiro.

Há esmeraldas de silêncio

Nos seus olhares acesos.

Marli de Oliveira



Escrito por tekka às 23h28
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ALL YOU NEED IS LOVE ...



Escrito por tekka às 23h24
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AH, MULHER FENDIDA!

 

  

 

 

ah,  mulher fendida

quadril aberto eternamente

bacia das almas

onde há fetos que se encerram

à revelia da vida

quem com ferro te feriu

ainda põe

o dedo na ferida

(tekka)

 

 


URGENTE UGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE

65 milhões de pessoas foram deslocadas pela guerra, e dessas, 65% são mulheres - vejam video comovente no blog da ABÓBORA, uma nissei high-style que é brasileira mas mora no Japão - o blog  é sobre (também) culinária japonesa - UM SHOW! e o vídeo pode ser visto em:

http://abobora.zip.net do dia 23/2 ou diretamente no site:

http://unfpa.org/emergencies/psa/film_portugues                    - imperdível!!!




Escrito por tekka às 00h15
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O NATIMORTO de Sylvia Plath

 

Poema de Sylvia Plath – NATIMORTO

Ó, não posso entender o que há com eles!

São exatos em número, forma e partes.

Ficam tão lindos curtindo como picles!

Ficam sorrindo e sorrindo e sorrindo para mim.

Mas os pulmões não enchem e o coração não bate.

Não são porcos, nem mesmo peixes,

Embora o ar de porco e peixe que os revela –

Quem dera fossem vivos, como um dia foram,

Mas estão mortos, e sua mãe quase morta de descaso,

Encaram como estúpidos, e não falam dela.

-<@

Obrigada a S., professora de matemática, pelos:

Valores Fundamentais,

Pelas Constantes,

Pela Transformação das Coordenadas,

Pelas Identidades Úteis,

Pelas Integrais Básicas,

Pelas Transformadas,

Pelo Máximo e pelo Mínimo,

Pela Conversão das Unidades,

Pela Derivada Fracionária,

Pelos Fractais e pelos Vetores,

E, principalmente,

 Pelas Raízes e pelas Tangentes..

@>-with love, tekka -<@

 



Escrito por tekka às 00h05
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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

 

Na esfera jurídica, violência significa uma espécie de coação, ou forma de constrangimento, posto em prática para vencer a capacidade de resistência de outrem, ou a levar a executá-lo, mesmo contra a sua vontade. É igualmente, ato de força exercido contra as coisas, na intenção de violentá-las, devassá-las, ou delas se apossar.

Existem vários tipos de armas utilizadas na violência contra a mulher, como: a lesão corporal, que é a agressão física, como socos, pontapés, bofetões, entre outros; o estupro ou violência carnal, sendo todo atentado contra o pudor de pessoa de outro sexo, por meio de força física, ou grave ameaça, com a intenção de satisfazer nela desejos lascivos, ou atos de luxúria; ameaça de morte ou qualquer outro mal, feitas por gestos, palavras ou por escrito; abandono material, quando o homem, não reconhece a paternidade, obrigando assim a mulher, entrar com uma ação de investigação de paternidade, para poder receber pensão alimentícia.

Mas nem todos deixam marcas físicas, como as ofensas verbais e morais, que causam dores,que superam, a dor física. Humilhações, torturas, abandono, etc, são considerados pequenos assassinatos diários, difíceis de superar e praticamente impossíveis de prevenir, fazendo com que as mulheres percam a referencia de cidadania.

www.universodamulher.com.br

http://mixbrasil.uol.com.br/cio2000/redoma/8marco.shl

 

-<@

 

a violência doméstica no interior é muda: cala-a-boca senão eu te quebro a cara, é o faz-tudo-a-qualquer-hora-do-dia –ou-da-noite, é o levantar com o galo e dormir com as galinhas, é a bola de sabão, a soda, o tacho fervente, as mãos queimadas, as unhas com micose, a vista ruim, a enxada, a dor nas cadeiras, o nunca sentar-se, o "pito", a fiarada de dez, onze, catorze, os intermináveis lençóis mijados, bater toda a roupa da casa na pedra do rio, ariar as panelas até brilhar o alumínio, é dar de comer, de comer, de comer, é parir de nove em nove meses, é cochilar em pé, é caminhar 20 km pra fazer a "prevenção", é engravidar aos 11 anos, é nunca dizer não, é servir ao patrão, servir à patroa, é servir a filha aos filhos do patrão, é ter um rádio de pilha escondido, é carregar água na cabeça e o moleque na cacunda, é saber que amanhã começa tudo de novo, e de noite ainda banhar para ir à novena, mas pelo menos ninguém lhe faz a fatal pergunta: "você é feliz?" ...

tekka

-<@

 

O DESESPERO DA PIEDADE - Vinícius de Moraes

E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tenha piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.


Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.


Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.


Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!

 



Escrito por tekka às 23h57
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MULHERES DO BALACOBACO ...

          

JOYCE - uma voz e um talento

Joyce é a firmeza da mulher na MPB. Não foi da criação da Bossa Nova - mas tem em suas composições a batida e o tom do movimento. Joyce tem o suingue, o toque perfeito, a batida impecável.

Deu duro para se tornar conhecida. Inscreveu Clareana no Festival da Globo - somente com a intenção de mostrar seu trabalho. Reconhecida, teve Feminina incluída na trilha sonora do seriado Malu Mulher , com Regina Duarte. Nenhum outro seria mais apropriado. Malu contava a história da mulher que chegava aos anos 80 - da mulher independente e combativa - tal qual Joyce.

Com melodias e letras deliciosas, Joyce toca seus dois instrumentos, voz e violão, para ouvidos sedentos de boa música, a cada disco que lança no mercado.

Chega pra cá minha bela

Abre os ouvidos, me escuta,

Devolve logo a costela

Toma seu rumo e vai à luta ...

(gafieira moderna, de Joyce, lembrada hoje no blog da Beta, por Victor, nos "red comments")

 

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SEMPRE HILDA HILST

No início o verso de Plath, citado por Hilst : Love, love my season.

Amor, amor, minha estação. São as palavras que governam a poética de HH como estrelas fixas, em seus 41 livros.

Mas já foi se indo o vapor daquele tempo o que ficou na tua cabeça foi o porto, a memória & o mais triste, agora, vitória do padrão: muitos são hoje os burocratas de si mesmos q se rodeiam junto com o das reparticoes ta ta ta ta.concordam que estranhos no ninho devam ser massacrados.

A casa de Hilda foi levada a leilão.A prefeitura de Campinas queria os impostos. A Unicamp cancelou sua aposentadoria: HH foi responsável pelo laboratório de ARTES Cênicas do Instituto de Artes da Unicamp que adquiriu há um ano, parte do seu acervo pessoal, disponível no Centro de Documentação Alexandre Eulálio, no Instituto de Estudos da Linguagem.

E agora, a ladainha: premiada, traduzida em vários países, provocou polêmica ao desafiar o "stablishment" acadêmico e crítico de várias épocas.

Bonita,culta, ousada, no século 20, imaginem, agora com a assepsia caricata do padrão em vigor que se estende aos "letrados".

Como disse uma das manchetes de jornal, "uma louca...".

De certo, de tanta lucidez. Hoje, uma das piores heresias.

http://www.wmulher.com.br/template.asp?canal=poesia&id_mater=2006&parte=2

 


AINDA A "PAIXÃO" de Mel Gibson

Por que Jesus chama sua Mãe de "Mulher!", em vez de "Mãe!", ao entregá-la aos cuidados de João? Segundo o fiilme, Satanás envia uma serpente para picar Jesus no Horto - Ele, então, esmaga-lhe a cabeça, em alusão ao Gênesis: E TU, MULHER, ESMAGARÁS A CABEÇA DA SERPENTE ...

 



Escrito por tekka às 23h53
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ALL YOU NEED IS LOVE ...



Escrito por tekka às 23h49
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ORIENTE-SE!!!

 
 
 
O Self está contido no lótus do coração. Os que se vêem em
todas as criaturas estão contidos no coração de Brahman.
Estabelecidos na paz, erguem-se acima da consciência do corpo
para a suprema luz do Self, que é imortal e isento do medo.
Esses vivem o céu na terra.
 
                      (Upanishad)



Escrito por tekka às 01h29
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ORIENTE-SE!!!

 


O TEI-GI ou ying_yang é um  antigo diagrama chinês, que representa o círculo incolor e indefinido do Absoluto - nada existe no universo que seja todo Ying ou todo Yang, fato definido pelos dois círculos menores que se apresentam dentro do símbolo. O TEI-GI simboliza o alfa e o ômega do TAO e da mentalidade chinesa, coincidindo basicamente com a Filosofia Universal.

 

 

                                                                                                        ORIENTE-SE!

Por que a atual volta dos mitos e ritos do Oriente? Seria um retorno ao Renascimento em que a tese orientalista sobre a origem da filosofia ganhou força? Ou é mais uma forma de escapismo medievalista, com sua carga de superstições e fantasias? Não sabemos, mas podemos dizer que a tese orientalista não é absurda nem descabida. Marilena Chauí, em sua "Introdução à História da Filosofia", explica:

(...) Não é absurda nem descabida, mas não pelo motivo que seus defensores apresentam – isso é, plena continuidade entre as formulações orientais e a filosofia grega – e sim por causa de alguns fatos relevantes. Por um lado, porque havia um começo de ciência no Egito e na Babilônia – matemática e medicina no primeiro, astrologia na segunda – e foram inegáveis os contatos econômicos e políticos entre ambos e a Grécia. Por outro, como explica o historiador da filosofia Abel Rey, porque os poetas e sábios gregos antigos tenderam a exaltar a sabedoria oriental, por dois motivos principais:

  1. porque o mito da Idade de Ouro (narrado pelo poeta romano Ovídio), tempo de felicidade e de comunhão entre os deuses, de plenitude de conhecimento e de imortalidade, localizava no Oriente esse momento feliz (basta ler, na Bíblia, o livro do Gênese para ver que os hebreus localizavam o Jardim do Éden no Oriente), e os navegadores cristãos do período das descobertas marítimas, como Colombo, julgarão ter chegado ao Paraíso, ao imaginar que a América era o "oriente" – de sorte que seria natural a filosofia ter ali nascido;

  2. pelo medo de chocar os contemporâneos com idéias novas e transgressoras – o que levava naturalmente a dizê-las nascidas no Oriente para dar-lhes maior antiguidade, pois os "tempos antigos" são sempre considerados de maior sabedoria, de maior proximidade entre os homens e as divindades, e o antigo é sempre uma autoridade legitima pelo simples fato de ser antigo ou tradição.

A tese orientalista é reforçada pelo fato de que as religiões e os mitos orientais apresentam pelo menos seis concepções que reaparecem nas religiões e nos mitos gregos e, posteriormente, na Filosofia:

  • a idéia de uma unidade universal divina que cria dentro de si mesma todos os seres;

  • a cosmogonia (kosmogonía, gênese ou origem do mundo) como passagem da unidade primordial caótica e indiferenciada à diferenciação de todos os seres e como passagem das trevas à luz;

  • a cosmogonia como um processo de geração e diferenciação dos seres, seja pela força intrínseca do princípio originário, seja pela intervenção de um espírito inteligente sobre a matéria sem forma, seja por meio da luta entre forças opostas (luz e treva, caos e ordem, vida e morte, amor e ódio);

  • a idéia de uma conexão ou "simpatia" ligando todos os seres;

  • a idéia de uma lei ou de uma necessidade, governando a geração, transformação e corrupção de todos os seres;

  • a idéia de um dualismo entre o corpo mortal e a alma imortal que precisa ser moralmente purificada para livrar-se do corpo e gozar a felicidade perene.

Interessante acrescentar aqui um processo, destacado pelo Prof. Octávio Ianni, na aula inaugural do Departamento de Sociologia da UnB, este ano, no sentido de melhor compreender o mundo contemporâneo – que é o de "transculturação". Para ele, "o cristianismo tem coisas do hinduismo, do judaísmo e do budismo; Mão Tse Tung é de Confúcio e Marx, Mandela é príncipe africano e gentleman britânico; Gandhi, líder hinhu, era formado em Direito na Inglaterra, foi advogado na África do Sul, leu Tolstói e desenvolveu os ideais da não-violência; Zaratustra foi um diálogo entre Oriente e Ocidente".

Cf – Chauí, Marilena – Introdução à História da Filosofia I –Cia das Letras, SP, 2002




Escrito por tekka às 01h16
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ORIENTE X OCIDENTE


Segundo Jung, até mesmo um conhecimento superficial é suficiente para mostrar que existe uma diferença fundamental entre o Oriente e o Ocidente. O Oriente se baseia na realidade psíquica, isso é, na psique, enquanto condição única e fundamental da existência (...) A introversão, é, e assim podemos exprimir-nos, o estilo do Oriente, ou seja, uma atitude habitual e coletiva, ao passo que a extroversão é o estilo do Ocidente (...) Por inevitável desígnio do destino, o homem ocidental tomou conhecimento da maneira de pensar do oriental. É inútil querer depreciar esta maneira de pensar ou construir pontes falsas ou enganadoras por sobre abismo. Em vez de aprender de cor as técnicas espirituais do Oriente e querer imitá-las, numa atitude forçada (...) muito mais importante seria procurar ver se não existe no inconsciente uma tendência introvertida que se assemelhe ao princípio espiritual básico do Oriente. Se nos apropriarmos diretamente desse coisas do Oriente, teremos de ceder nossa capacidade ocidental de conquista. E com isso estaríamos confirmando, mais uma vez, que ‘tudo que é bom vem de fora’, onde devemos buscá-lo e bombeá-lo para nossas almas estéreis. A meu ver, teremos aprendido alguma coisa com o Oriente no dia em que entendermos que nossa alma possui em si riqueza suficientes que nos dispensam de fecundá-la com elementos tomados de fora, e em que no sentirmos capazes de desenvolver-nos por nossos próprios meios, com ou sem a graça de Deus. Mas não poderemos entregar-nos a esta tarefa ambiciosa, sem antes aprender a agir sem arrogância espiritual e sem uma segurança blasfema (...) É a partir de dentro que devemos atingir os valores orientais e procurá-los dentro de nós mesmo, e não a partir de fora. Devemos procurá-lo em nós próprios, em nosso inconsciente. Aí, então, descobriremos qual grande é o temor que temos do inconsciente e como são violentas nossas resistências. É justamente por causa dessas resistência que pomos em duvida aquilo que para o Oriente parece tão claro, ou seja, a capacidade de autolibertação própria da mentalidade introvertida

Jung, C.G. Psicologia e Religião Oriental – Vozes, Petrópolis, 1986.

 

 

 



Escrito por tekka às 00h58
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ALL YOU NEED IS COMPASSION ...

Mais triste do que o que acontece

É o que nunca aconteceu.

Meu coração, quem o entristece?

Quem o faz meu?

Na nuvem vem o que escurece

O grande campo sob o céu.

Memórias?

Tudo é o que esquece.

A vida é quanto se perdeu.

E há gente que não enlouquece!

Ai do que em mim  me chamo eu!

  Fernando Pessoa

o quadro é de Edward Munch

 



Escrito por tekka às 00h53
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QUARTA-FEIRA DE CINZAS

 

                            ACABADO O PATICUMBUM, COMEÇA NOSSA CAMINHADA PARA A PAIXÃO ...

 

 

 

                       este ano é centenário de SALVADOR DALI e ele representou magnificamente a PAIXÃO DO CRISTO CRUCIFICADO

 

 

 

 

Salvador Dalí é um dos artistas mais conhecidos do século XX. Nasceu, em 1904, na cidade catalã de Figueres e aí morreu, em 1989. Foi um autêntico showman, e seu rosto moreno, com os olhos espantados e os longos bigodes levantados nas pontas, tornou-se uma espécie de ícone da irreverente arte de vanguarda do século XX.

A partir de 1927 aproximou-se cada vez mais do Surrealismo, tendo desenvolvido um método a que chamou "crítico-paranóico", que envolvia várias formas subjetivas de associações de idéias e imagens.
Ainda que suas imagens fossem fantásticas, eram sempre pintadas com uma incrível técnica acadêmica e precisão fotográfica.
Dedicou-se a várias atividades profissionais, mas destacou-se, sem dúvida, como pintor, tendo deixado algumas obras que já se incorporaram ao imaginário da cultura ocidental, como, por exemplo, a pequena tela intitulada A persistência da memória.

Tudo que se disser CONTRA Dali é inútil perante sua obra ...

 

"não tenha medo da perfeição – você nunca vai atingi-la"

"as diferenças entre as lembranças falsas e as verdadeiras é a mesma das jóias: as falsas sempre aparentam ser as mais reais, as mais brilhantes"

                                      Salvador Dali 1904-1989


 

 

 

                                                                              A MESA – Murilo Mendes

A mesa representa um braço de floresta reduzida, operada, polida, reinventada. Nela pastamos, tocando diariamente a terra por via de antiquíssimas vitaminas; num rito religioso e de circunstância. A mesa, redonda ou quadrada, oval. Suporte conjuntivo ou adversativo da tribo. Festa fundamental; infesta às vezes.

Na mesa redonda dos encontros internacionais figura sempre o teorema da reconciliação das famílias que compõem o mosaico do mundo. Pudesse a mesa ser bem servida e o mecanismo do teorema funcionar; pudesse recordar para sempre a mesa sagrada, à qual se assentou o Cristo, que segundo sua própria espantosa palavra, "veio para servir o homem", entregando-lhe o umbráculo do pão, versando-lhe p rubi do vinho, lavando-lhe antes os pés cansados e sujos da tarefa diária.

 

 

 


O OLHO DO TEMPO

 

                                          

Curioso relógio feito por Dali em 1949, com esfera esmaltada, diamantes em moldura de platina e um rubi chamado O OLHO DO TEMPO ...

 

Sites são milhares – v. p. ex: http://www.consciencia.org/imagens/banco/Dali

 



Escrito por tekka às 23h26
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PAIXÃO DE MEL GIBSON

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vem aí nova PAIXÃO DE CRISTO, com Mel Gibson, Maia Morgenstein e Monica Belluci – estreando este mês nos States, o trailer pode ser visto em: http://www.hollywood/1743663 e http://www1.uol.com.br/diversao/efe/ult1817u566.shl

A estréia de "A Paixão de Cristo", versão de Mel Gibson das últimas doze horas da vida de Jesus Cristo, provocou uma polêmica capaz de converter a crucificação em um lucrativo negócio.

Sua estréia nos EUA, marcada para acontecer na "Quarta-feira de Cinzas" não poderia ser mais discutida e esperada. Mais de 4.000 salas de cinema americanas exibirão o filme nesta quarta (25), número similar ao dos grandes estréias de Hollywood.


 ALITERAÇÕES PARA BETA - "ma semblable, ma soeur" ...

Na messe, que enlouquece, estremece a quermesse...

O Sol, o celestial girassol, esmorece ...

E as cantilenas de serenos sons amenos

Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos ...

As estrelas em seus halos

Brilham com brilhos sinistros ...

Cornamusas e crótalos,

Cítolas, cítaras, sistros,

Soam suaves, sonolentos,

Sonolentos e suaves

Em suaves,

Suaves lentos lamentos

De acentos

Graves,

             Suaves ...         

 Eugênio de Castro.

 


 A CRUZ DA PRINCESA MASAKO

A princesa Masako, do Japão, está sob forte estresse, pela pressão (ou obsessão) para que ela engravide novamente, e dê à luz um filho HOMEM. Isso porque só os homens podem ascender ao Trono do Crisântemo. A princesa-plebéia, que era diplomata de carreira, vem sofrendo o "efeito-diana", mas a vida para a mulher no Japão não lhe permite deixar o palácio, nem frequentar o "mundo real", só o da "realeza". Em dezembro, ela chegou a ser hospitalizada para tratamento de um herpes, ligado à sua situação emocional vulnerável.   Vida de princesa: eu, hein?


                                                                                                 PICASSO NA OCA - SÃO PAULO

 

 

da Folha Online

"Picasso na Oca - Uma Retrospectiva"
Quando:
de 28 de janeiro a 2 de maio. De terça à sexta-feira, das 9h às 21h; sábados e domingos, das 10h às 21h
Onde: Parque do Ibirapuera - Pavilhão da Oca (São Paulo)
Quanto: R$ 10,00; R$5,00 (meia entrada); menores de 5 anos e maiores de 65, aposentados e deficientes físicos têm entrada franca
Informações: 0/xx/11/3253-5300 ou www.brasilconnects.org

Programa Educativo

Oficinas e eventos especiais serão realizados para grupos de escolas públicas, privadas e de entidades sociais que procurarem, com antecedência, a BrasilConnects. A visita para grupos escolares é gratuita. As excursões podem ser feitas durante a semana, entre terça e sexta-feira, durante todo o dia. O agendamento pode ser feito pelo telefone 0/xx/11/3253-7007 ou pelo e-mail agendamento@brasilconnects.org.

o jornal CORREIO BRAZILIENSE de hoje (25/02/04) propõe uma discussão sobre a validade de se ver uma obra de arte pela internet - nem é preciso discutir, pois há muito tempo que a arte se tornou "replicante" ... o impacto pode não ser o mesmo, mas  tem-se acesso a obras antes inatingíveis - melhor que o jeito japonês de comprar um Van Gogh, fotografá-lo e custodiá-lo num cofre de banco. A arte é para todos, incluindo aí a música - Madonna mesmo já declarou que apóia totalmente a cópia de arquivos em mp3 ...

a mostra Picasso pode ser acessada em: www.universiabrasil.net - outros museus online:

www.musee-orsay.fr

www.louvre.fr

www.guggenheim.org

www.museoprado.mcu.es

www.uol.com.br/pinasp da maravilhosa Pinacoteca de São Paulo

e até o museu Van Gogh tem um programa para download, pelo qual se faz uma visita tridimensional ao famoso museu holandês.




Escrito por tekka às 23h20
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ULTIMO DIA DE FOLIA ...

inicialmente abra o site:

 

http://www.sonyclassics.com/talktoher/#

 

 

sinta a música e ...

                                                     

                      FALE COM ELA

 

ou vá direto ao: http://www.sonyclassics.com/talktoher/flashwebsite/core/hasFlash.html

 



Escrito por tekka às 01h08
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Sinopse:

 

Entre os espectadores do espetáculo de Pina Bausch no "Café Müller" estão dois homens, sentados lado a lado mas que não se conhecem: Benigno (Javier Cámara), um jovem enfermeiro, e Marco (Darío Grandinetti), um escritor de meia-idade. A beleza da peça faz Marco romper em lágrimas. Benigno observa. Ele gostaria de mostrar que também está emocionado, mas não se atreve. Meses depois eles se encontrarão novamente: Lydia (Rosario Flores), a noiva de Marco, uma toureira, é atingida durante uma apresentação e fica em coma, internada no mesmo hospital onde Benigno cuida de outra paciente em coma, uma bailarina chamada Alicia (Leonor Watling). Essa será a oportunidade para que nasça uma grande amizade entre Benigno e Marco.

Vemos que a tentativa de conversão do feminino em masculino e do masculino em feminino não é solução. Não sem razão, Benigno e Lídia não sobrevivem à trama, apenas Marco e Alícia. Marco tempera sua masculinidade com elementos típicos do universo feminino, como a sensibilidade e o gosto pelo belo, porém sem descaracterizá-la. É, por isso mesmo, capaz de compreender tanto Benigno quando Lídia. Alícia é o modelo de mulher, amante da dança e da poesia. A solução, segundo o diretor, está no encontro destes dois personagens. É por intuir esta dimensão que Benigno, ao final, sente-se atraído por Marco. Esta atração é o desejo de ser o próprio Marco. Após descobrir a ausência de futuro na sua relação com Alícia e de reconhecer a impossibilidade de curar-se, Benigno resolve suicidar-se mas antes decide realizar seu amor por Alícia por meio de Marco. Deixa-lhe de herança seu apartamento, em frente à Academia de dança, e o prendedor de cabelo de Alícia.

                 sites sobre o filme:

http://www.cinetv.com.br/cinetv-html/falecomela.html

http://www.adorocinema.com/filmes/fale-com-ela/fale-com-ela.html

http://www.drd.com.br/cinema/critica_fale.htm

http://www.gradiva.com.br/impossível.html

o site oficial é o da SONY: http://www.sonyclassics.com/talktoher/#, com trilha, video e galeria de fotos.

 

 



Escrito por tekka às 00h57
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PREMIAÇÕES ...



- Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original, além de ter sido indicado na categoria de Melhor Diretor.

- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

- Recebeu 7 indicações ao Goya, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Javier Cámara), Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhores Efeitos Especiais.

- Ganhou 2 prêmios no BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original.

- Ganhou o Cesar de Melhor Filme da União Européia.

- Ganhou o Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Filme Estrangeiro.

  • Recebeu 2 indicações ao Prêmio Adoro Cinema 2002, nas seguintes categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Leonor Watling) e Melhor Roteiro Original.




Escrito por tekka às 00h55
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SOBRE PINA BAUSCH :

http://www.hemi.nyu.edu/por/resumos/cianefernandes.html

Pela reconstrução, os dançarinos do Wuppertal Dança-Teatro expõem e transformam os vocabulários de movimento aprendidos pela repetição na dança e no cotidiano, revertendo o poder social sobre o corpo. A dicotomia entre uma sociedade linguística controladora e um corpo pré-linguístico controlado é desestruturada. Ao incluir e reverter o método de seu dominador, o corpo torna-se responsável por sua própria expressão no Simbólico. Os meios da dominação - a linguagem - tornam-se instrumentos transformadores e criativos explorados por um corpo inteligente, agente ativo e consciente de sua própria história:

O corpo não é mais um meio para um fim. Ele tornou-se o assunto da apresentação. Algo novo começa na história da dança: o corpo está contando sua própria história.

O instrumento da dança é seu próprio assunto. Por recusar sua auto-suficiência, aceitando-se como incompleta e construída por seu outro - o teatro e as palavras - a dança reconstrói e transforma sua dominação pelo teatro. A dança-teatro é um trabalho retroativo através de sua própria linguagem, transformando sua história e identidade. O presente e a apresentação cênica são possíveis apenas através de suas ausências, simultaneamente aproximando-se do seu final e redançando-reescrevendo seu passado.

Dentro desta corrente tridimensional, a dança e seu meio - o corpo em movimento - transgridem e recriam a história de suas identidades. A repetição se contradiz, constantemente mudando, apagando-se ao multiplicar-se. O Ser em dança é re-definido como um conceito não fixo: o constante surgimento e desestruturação de diferentes conceitos. Ser torna-se simultaneamente Ser e não-Ser (eis de fato a questão) constantemente modificando no tempo e no espaço. Pré-conceitos de Ser, tempo e espaço, registrados em nossos corpos, tornam-se contradições e transformações na busca Simbólica. Simultaneamente natural e linguístico, experencial e automático, pessoal e social, o corpo "reconta" e "redança" sua própria história de fragmentação, ausência e dominação, constantemente repetindo e transformando – "redefinindo" – dança.

 

 (trecho da tese de mestrado de Ciane Fernandes)



Escrito por tekka às 00h52
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ALL YOU NEED IS LOVE ...



Escrito por tekka às 00h42
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FRIDA: O FILME

 


 

Vamos falar de cinema? Não, nada de Matrix Reloaded, efeitos digitais, golpes voadores e armas de destruição mundial.

Estou falando de sensibilidade e emoção: Frida. O filme, dirigido por Julie Taymor, extremamente forte, retrata a dramática vida da artista mexicana Frida Khalo, que vitimada por um acidente, em que um cano lhe rasgou o útero e a vagina, descobriu seu talento fazendo o tempo passar deitada na cama.

A artista foi casada com o pintor Diego Rivera, que lhe trouxe muitas decepções e mais dores ainda. Frida teve que lidar com as relações extra-conjugais do marido durante muito tempo e acabou se envolvendo também com outras pessoas, homens e mulheres.  Mas seu coração pertenceu somente a Diego, que só foi ser seu companheiro de fato no final da vida.


O filme traz alguns desses momentos de paixão e coragem. Frida foi a heroína de sua própria dor.

 

http://member.aol.com/fridanet/khalo.htm / com retrato interativo e café-chat

www.fbuch.com/fridaby.htm

 


A BELEZA É --< SALMA HAYEK

 

SALMA fez uma FRIDA apaixonante ...



Escrito por tekka às 23h45
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 A CASA AZUL DE FRIDA NO MÉXICO


filmes imperdíveis esta semana na TV:

terça - dia 23 - Record, 21 h - GATTACA com Uma Thurman e Ethan Hawke - sobre manipulação genética - GRANDE!

quarta dia 24 - Globo , 22 h - MORTE SOBRE O NILO - para quem gosta de Agatha Christie

sexta  dia 26 - SBT    - 22h15 UM SONHO DE LIBERDADE com Tim Robbins e Morgan Frieman

sábado     27 - SBT 1h30 O VIOLINO VERMELHO - história interessante envolvendo o roubo de um violino famoso




Escrito por tekka às 23h40
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O MUNDO DE FRIDA ...

 

Frida Kahlo

Abelardo de Carvalho

A pintora mexicana Frida Kahlo é o exemplo clássico de como o sofrimento pode esculpir um artista, de como o sofrimento produz obras primas. Casada com o mais famoso pintor de seu País, Frida sofreu um acidente de carro quando tinha 18 anos. Fraturou a coluna, diversas partes do corpo e enfrentou 35 cirurgias. Durante toda sua vida, lutou para abstrair-se da dor. Teve uma das pernas amputada e jamais chegou ao término de uma única desejada gravidez, devido aos vários abortos naturais.

Nasceu nos arredores da cidade do México, junto com a Revolução Mexicana e aos sete anos já sofria de poliomielite. Certa vez, chegou a comentar que já não fazia mais idéia do que era dor. Inválida numa cama, Frida dedicou-se à pintura. Sua arte foi admirada por Picasso, Breton, Duchamps e depois esquecida. Há pouco mais de 10 anos o mundo a redescobriu. Seus auto -retratos se valorizaram e até um filme foi rodado. No ano passado, montaram em São Paulo uma peça teatral, cujo título era: Frida.

Além dos óleos sobre tela, a pintora nos deixou um diário ilustrado de grande riqueza sentimental. Publicado na íntegra pela primeira vez, o surpreendente diário documenta os dez últimos anos de sua vida turbulenta. Este registro íntimo foi guardado a sete chaves durante cerca de quarenta anos e contém pensamentos, poemas, sonhos, e reflete o seu tumultuado relacionamento com o marido, Diego Rivera. As setenta gravuras coloridas no diário - desenhos alegres - fazem com que se penetre no processo criativo da artista, e mostram como ela costumava usar o diário para formular idéias pitorescas para suas telas.

Grande parte de sua obra é constituída de auto retratos, que mostram uma artista decepada pelo destino. Os seus quadros refletem sofrimento, são mórbidos, mas líricos ao mesmo tempo. O grande escritor mexicano Carlos Fuentes, escreveu a seu respeito: "O corpo é o templo da alma. O rosto é o templo do corpo. E quando o corpo decai, a alma não tem outro santuário a não ser o rosto. Nascida com a revolução, ela tanto reflete como transcende o evento central do México no Sec. XX. Ela o reflete em suas imagens de sofrimento, destruição, chacina, mutilação, perda, mas também nas imagens de humor e de alegria, que tanto marcaram a sua vida penosa. (...) Em Kahlo há um humor que transcende a política e até mesmo a estética, que faz cócegas nas próprias costelas da vida. O diário é o melhor exemplo desse desrespeitoso, trocadilhesco gênio da linguagem do humor, que fazia de Kahlo aquela meiga e, afinal de contas, feliz personagem, apesar de todo o seu sofrimento. Sua voz, dizem todos os que a conheceram, era profunda, rebelde, pontuada por gargalhadas e palavrões".

Em 1950, aos 43 anos de idade, Kahlo submete-se a seis operações na coluna, o pé começa a gangrenar ela precisa hospitalizar-se por causa de uma infeção aguda nos ossos enxertados. Enquanto tem forças, pinta. Frida morreu aos 47 anos. Oficialmente, a morte foi causada por "embolia pulmonar", mas há suspeita de suicídio. Pouco antes de morrer, teria dito: "Tomara que nunca mais eu precise retornar".



Escrito por tekka às 23h34
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A NOITE DOS MASCARADOS / Chico Buarque

 

 

 

 

A NOITE DOS MASCARADOS / Chico

 

Quem é você? Adivinhe se gosta de mim...

... mas é carnaval

não me diga mais quem é você

amanhã, tudo volta ao normal

deixe a festa acabar

deixe o barco correr

deixe o dia raiar

que hoje eu sou

da maneira que você me quer

o que você pedir

eu lhe dou

seja você quem for

seja o que Deus quiser

seja você quem for

seja o que Deus quiser...



Escrito por tekka às 00h25
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HISTORIA DO CARNAVAL

 

 

O costume de se mascarar, fazer alegres festas e dançar surgiu no hemisfério norte, em agradecimento pela generosidade da natureza. A primeira festa considerada carnavalesca foi a de Osíris no Egito, pelo recuo das águas do Nilo. A etimologia da palavra vem do latim/italiano: carne-vale: adeus à carne.

Sendo uma festa pagã, foi proibida pela Igreja, mas sempre deu um jeito de manifestar-se. Na Idade Média, as festas foram regulamentadas sem as fantasias, ficando as máscaras, restritas à nobreza. Somente no século XIX é que as máscaras se tornaram populares e acessíveis a todas as camadas populares.

O carnaval chegou ao Brasil no século XVII, trazido pelos portugueses, e tinha o nome de "entrudo" porque marcava a abertura da quaresma. Aqui se aclimatou e frutificou em festejos de rua, limão-de-cheiro (futuro lança-perfume), confetes e serpentinas.

A corte portuguesa trouxe as fantasias de Pierrô, Colombina e Arlequim, originários da Comédia dell’Arte italiana – personagens de um eterno e sempre cantado trio amoroso.

Vários ritmos se mesclaram na produção do carnaval dos morros do Rio e das "tias baianas": lundu, frevo, polca, marchinha, mas com o predomínio absoluto do samba.

O primeiro "desfile oficial" aconteceu em 1935, "na avenida" (Avenida Getúlio Vargas, no Rio) , depois transferido para o sambódromo de Niemeyer, na Avenida Sapucaí, em 1984, tornando cada vez maior a "indústria da alegria"...


na data de hoje, em 1630 (!!), foi inventada a PIPOCA!! quem diria, hein?? daí OS e AS PIPOCAS do carnaval de rua ...

1848 - tem início na Europa uma onda revolucionária, que ficou conhecida como "Primavera dos Povos"

1987 - aniversário de morte de Andy Warhol, um dos  nossos "darlings"

1998 - "Central do Brasil" e Fernandona Montenegro são premiados no Festival de Berlim ...




Escrito por tekka às 00h21
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ALL YOU NEED IS LOVE ...

 

 




Escrito por tekka às 00h14
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ALL YOU NEED IS LOVE ...



Escrito por tekka às 00h11
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FILME PARA A FOLIA: Belle de Jour

 

Belle de Jour

Luis Buñuel, France, 1967, 100 minutes

Por Marcello Carvalho (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Para quem tem uma visão somente surrealista de Buñuel, "A Bela da Tarde" é uma surpresa. Se bem que o estilo corajoso e polêmico é o mesmo. A última vez que tive contato com essas fantasias femininas tão complexas foi com os devaneios literários de Emma Bovary, apesar de as perversões da Belle de Jour serem mais explícitas, mas não tão explícitas para Buñuel, que soube abordar todo aquele assunto "lupanário" de modo intenso, misturando realidade e fantasia.

É um filme insinuante, antes de tudo. Um filme que mexe com os limites da fantasia e fica ali naquele termo do real/fantasioso baseado no enfado de Severine (Catherine Deneuve), a burguesa recém-casada e fria com o marido que viu nas aventuras sexuais num prostíbulo um escape excitante. Algo parecido com o escapismo literário de Madame Bovary.

Severine torna-se prostituta depois de ouvir algumas conversas de amigos sobre os bordéis e se interessa no assunto, logo depois sucumbindo aos desejos estranhos de submissão e humilhação sexual (açoites, ofensas - "puta", "vagabunda", etc., lama na cara). Percebe-se que quanto mais ela se rebaixa, mais recupera seus sentimentos em relação ao marido, mais o ama e o aceita, ou seja, tudo o que a frieza do casamento não oferecia ela buscava com estranhos para assim tentar recuperar o tesão da vida conjugal.

Belle de Jour começa a notar a estranheza do mundo em que se colocou quando um cliente se apaixona por ela, logo perseguindo-a. Tarde demais. O antagonismo realidade/fantasia tem um limite aí, pois Marcel (cliente) alcança sua vida de casada e a coisa termina quase que de modo melodramático não fosse a dubiedade do fim, que me deixou um tanto enleado... Apesar da atmosfera fortemente sexual, ela age de maneira surpreendemente casta ...

CENTRAL DENEUVE:

http://worldfilm.about.com/gi/dynamic/offsite.htm?site=http%3A%2F%2Fmembers.tripod.com%2Flucath%2F

http://www.eufs.org.uk/films/belle_de_jour.html

 seus principais filmes: Os guarda-chuvas de Cherbourg, Repulsa ao Sexo, Tristana, Último Metrô, Indochina, Dançando no Escuro, Oito Mulheres

 

http://daxlaw.tripod.com e http://www.goddessclub.com 


Alceu Valença
Belle Du Jour

Tom: C

Aaaaa, hei!
C Em
Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem
C Em
E a moça no meio da tarde de um domingo azul
Am Em
Azul era a "Belle", "Du Jour" era a bela da tarde
F G
Seus olhos azuis com a tarde, na tarde de um domingo azul
C
La Belle du Jour

Am Em
Belle du Jour, ô, ô, Belle du Jour

Am Em
La Belle du Jour era a moça mais linda de toda a cidade
Am Em
E foi justamente pra ela que eu escrevi o meu primeiro blue
F Em
Mas Belle du Jour no azul viajava
F G
Seus olhos azuis com a tarde, na tarde de um domingo azul
C
La Belle du Jour



Escrito por tekka às 00h26
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ALL YOU NEED IS LOVE ...


            

 



Escrito por tekka às 00h17
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AUGUSTO DE CAMPOS: MUDAR TUDO



Escrito por tekka às 00h26
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A BELEZA É: Tran Nu Yen - Khe



Escrito por tekka às 00h25
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FILME PARA A FOLIA ...

 

A Hanói moderna: LUZES DE UM VERÃO (Vietnã)

A jovem
Lien (Tran Nu Yen Khe) , de 23 anos, trabalha como garçonete no Café de propriedade da sua irmã mais velha Suong (Nguyen Nhu Quynh). Lien divide seu apartamento com Hai (Ngo Quang Hai), seu irmão mais velho, que é ator.

No aniversário da morte da mãe delas, Lien, Hai e Khanh (Le Khanh) a irmã do meio, se encontram no Café de Suong, para honrar a memória da mãe. Durante todo dia, uma cumplicidade grande pode ser vista entre as três irmãs; elas parecem contar tudo umas para as outras e, entre elas buscam conselhos em cada assunto. Porém, cada uma delas tem um segredo.

Em " As Luzes de Um Verão", Tran Anh Hung tenta traduzir esteticamente esta sensação. Compõe quadros luminosos como um esteta: verde claro, verde escuro, amarelo desbotado, azul da China, tons e tons. Os atores são cuidadosamente colocados na cena, formando composições. Há uma preocupação quase obsessiva com a construção estrutural das cenas/paisagens. O diretor do premiado "O Cheiro da Papaya Verde", trabalha com o mesmo fotógrafo de "Amor à Flor da Pele", Mark Lu Ping-Bin, e assim consegue estabelecer um estudo perfeito de sensações.

A história? Prepare-se para mudar o ritmo. O núcleo da narrativa é a vida doméstica:Três irmãs compartilham uma rotina tranqüila, perpassam pequenas inseguranças e desarmonias sentimentais. A mais velha Suong ( Nguyen Nhu Quynh) é casada com um fotógrafo e está experimentando a infidelidade. A irmã do meio Khanh (Le Khan) vive com um escritor que está prestes a terminar seu primeiro romance, com quem terá seu primogênito. A mais nova Lien (Tran Nu Yen-Khe) vive com o irmão, sugerindo uma relação levemente incestuosa, tem um namorado e pensa estar grávida dele. O valor da mulher na sociedade vietnamita atual é apresentado por elas, com deboche e certa graça.

A verdade é que "As Luzes de um Verão", apesar da simplicidade da narrativa, é um filme extremamente sofisticado em sua proposta formal. Ao som de Lou Reed e Velvet Underground, caminhamos além do cinematográfico, mergulhamos em algo contemporâneo e completamente distinto de nós mesmos. Tran Anh Hung não poupa esforços em busca de uma outra maneira de olhar. Um olhar quase orgânico mas ainda sim contemplativo. Tenta fugir aos estereótipos construídos pelo próprio cinema.

Leia a entrevista com o diretor Tran Anh Hung.

"À La Verticale de L´eté", 113 mins, França/Alemanha/Vietnã, 2000. Com:Tran Nu Yên-Khê, Nhu Quynh Nguyen, Le Khanh, Quang Hai Ngo. Direção: Tran Anh Hung.


As cores do cinema vietnamita

Para o diretor Tran Anh Hung, 'As luzes de um verão' é um filme sobre amor e comida, dois elementos carnais

CARLOS HELÍ DE ALMEIDA / O GLOBO

- Seu filme é protagonizado por quatro irmãos que vivem numa Hanoi ensolarada e colorida. Algum motivo especial para ambientar a história durante o verão?

- Procuro títulos que não digam algo sobre o filme. Prefiro os que sugerem atmosferas. A la verticale de leté (o título original) tanto pode remeter às chuvas de verão ou ao sol da estação. O título foi tirado de um poema japonês, que diz mais ou menos o seguinte: ''nas luzes (verticais) de um outono, um cavalo negro numa campina causa tristeza''.

- A traição é um dos temas do filme.

- A relação entre homem e mulher é muito complicada. O filme que fez a abordagem mais moderna sobre esse assunto foi Stanley Kubrick em De olhos bem fechados, que parte do princípio do desejo. Ao introduzirmos noções morais, vira uma questão sobre infidelidade e adultério. Em geral, são as mulheres que levantam o problema primeiro. Quando a questão é levantada por um homem não há resposta possível. A mulher sempre começa uma relação perguntando: ''Você me ama?''; depois vem o pesadelo. O que quer que o homem responda não é satisfatório para ela (risos). Na cultura confuciana, a mulher nunca toma essa iniciativa.

- Também estão de volta a plasticidade dos alimentos, as refeições fartas.

- O cinema que busco está ligado ao mundo carnal. Eu me concentro em coisas muito concretas, e a comida tem essa qualidade. Compartilhar comida tem diferentes significados para povos diferentes, pois todo mundo tem algum tipo de relação com ela. Isso permite que o filme crie raízes no solo.

- O interessante é que o senhor vive hoje na França e faz filmes sobre relações humanas e comida, duas das grandes preocupações francesas. Seria influência da cultura?

- Não, absolutamente. A relação das pessoas tanto com outras pessoas quanto com a comida é diferente na Europa e no Vietnã. No Ocidente, as pessoas se olham nos olhos, o que gera conflitos, o que não é comum no Oriente. Lá, o desejo pelo outro fica quase sempre no fundo das intenções; como que para criar harmonia. Na verdade, comida e as relações humanas são preocupações universais. Os italianos, por exemplo, também comem e amam. Mas também há diferenças na relação do homem com os alimentos. No Oriente, a violência está presente apenas na preparação da comida; não se usa garfos e facas quando ela chega à mesa, a refeição é delicada. No Oriente, ao contrário, usa-se garfos e facas tanto para preparar quanto para comer. Mas, em ambos, o prazer da comida é o mesmo.

- Seus filmes têm uma grande preocupação com a plasticidade das imagens.

- É porque procuro mostrar os problemas dos personagens mas, ao mesmo tempo, espero que os espectadores sintam uma sensação de harmonia. São sentimentos antagônicos. Na Ásia, as pessoas tentam resolver seus problemas de maneira harmoniosa, evitando o melodrama. O grande mal-entendido entre o Oriente e o Ocidente é que este vê esse desejo de manter a harmonia como uma forma de hipocrisia. O confucionismo diz que, diante de um problema, a pessoa deve guardá-lo para si mesmo e aceitar o sofrimento; nunca trazer esse sofrimento para a mesa. Com o passar do tempo, essa noção se diluiu. Quando, no filme, o marido da irmã mais velha confessa que tem outra mulher, ele não exibe sinais de um conflito interno, estes só surgem mais tarde, quando os dois acordam na mesma cama. Isso acontece porque o conflito só surge quando os dois descobrem o quanto de sofrimento cada um pode suportar.

 


no espírito culinário do filme, há alguns títulos bem sugestivos:

Conforte-me com maçãs, de Ruth Reichl

Em busca do prato perfeito:um companheiro em viagem (cia das letras)

Porco - de Danúsia Bárbara / Dona Benta: Comer bem (clássico com 1.500 receitas)

Aromas e sabores da boa lembrança e Yes, nós temos bananas (ambos da Editora do Senac)

e o grande lançamento da Editora UnB: Luz, câmera, mesa e ação - cada receita é acompanhada pela sinopse de um filme - é da pesquisadora Berê Bahia

(fonte: www.correioweb.com.br, seção FAVAS CONTADAS - do caderno Fim de Semana de 20/02/2004)

bons filmes e bom apetite!




Escrito por tekka às 00h23
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ALL YOU NEED IS LOVE ...



Escrito por tekka às 00h17
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A BELEZA É --< VENUS

 

 


    O Nascimento de Vênus - Boticelli

 

 

“O nascimento e o declínio de um determinado estado de civilização. (...) Não é somente uma nova estrutura e uma nova pintura que surgiram, mas uma nova sociedade e quase, materialmente falando, um novo mundo”.

Pierre Francastel

  

 

VÊNUS, filha de Júpiter

Também conhecida como Afrodite, em grego, é a deusa do amor e da beleza. Cerca de 1485, Boticelli pintou-a "nascendo das águas" – no famoso quadro, ela sai de uma concha e é conduzida por Zéfiro, o Vento, em direção à praia, à terra, enquanto uma das "Horas" cobre-a com um belo manto. Temos aqui o quadro famoso e a "releitura" de Andy Warhol.